Profissionais e leitores citam velocidade e
qualidade dos textos online e impressos
Matheus Vasconcellos
Hoje,
os usuários da internet recebem diversas informações que chegam de todos os
lugares. Assim, o jornalismo online tem se tornado muito mais relevante do que
era há dez anos. A todo instante recebemos informações via celular, tablets,
computadores pessoais e qualquer outro dispositivo que esteja conectado à rede.
Porém, hoje existe o medo que o jornal impresso se abale por conta do espaço
que o jornalismo online tomou.
Para Alice Lima, aluna de jornalismo
na Uerj, o jornalismo na internet veio para complementar e suprir uma
necessidade que o impresso não conseguia mais satisfazer: o imediatismo dos fatos:
–
Assim como o rádio e a televisão, a internet abastece o usuário na hora em que
os fatos acontecem. Isso faz com que o jornalismo online seja mais acessado
hoje. Porém, assim como aconteceu com o rádio e já aconteceu com a televisão
por causa da chegada da internet, o jornal impresso vai precisar se adaptar.
Talvez seja a hora de tentarmos um jornalismo mais opinativo, quem sabe como o
modelo norte-americano? Não sei, mas acredito que possa funcionar melhor.
A briga por leitores nas telas
Querendo ou não o espaço tomado pela
internet é muito grande. Hoje o portal de notícias online das Organizações Globo,
o G1, recebe diariamente 6 milhões de visitantes, enquanto a tiragem do jornal O Globo teve em 2012, uma média de 277
mil exemplares diários.
Atualmente, acompanhar mídias
alternativas através da internet tem sido uma boa opção para quem não quer
seguir a mídia tradicional. Assim, desde junho apareceu de vez no cenário
nacional a Mídia Ninja. Os atuais “opositores ao sistema tradicional do
jornalismo”, que de acordo com participantes está “corrompido” transmitem em
tempo real eventos nos quais os jornalistas profissionais são impedidos por
alguns manifestantes de cobrir, por exemplo, as manifestações de rua. Os Ninjas
utilizam o streaming, que é usar a internet
para a transmissão de vídeos ao vivo, e principalmente, o Twitter. Porém, pelo
que parece, a mídia tradicional ainda está vencendo essa disputa. Enquanto a
Mídia Ninja tem pouco mais de 22 mil seguidores, o Jornal O Globo tem mais de 1 milhão de followers,
ou seja, pessoas que o acompanham na rede social.
Douglas Mandarino, aluno de Ciência
da Computação na PUC-Rio, acompanha o noticiário pela internet e acha muito
mais prático:
– Não dá para ficar levando o jornal impresso
pra tudo quanto é lugar. É incômodo e desagradável. Sem falar que você compra o
jornal de manhã e na hora do almoço ele já está velho, tirando algumas partes
que são mais analíticas, as informações têm validade muito curta. No meu
celular, pelo 3G, eu consigo me manter sempre informado sobre qualquer assunto,
em qualquer lugar, sem precisar carregar mais nada, só o meu aparelho. É muito
melhor – com relação à qualidade, Douglas ainda assim prefere o jornalismo
online:
–
Na internet é mais fácil corrigir erros, no impresso o erro permanece até o
próximo dia, se ele for corrigido. No online você pode até ter mais pressa pra
colocar no ar, mas do mesmo modo que uma coisa errada entra, ela sai. Quantos
erros históricos do jornalismo online você lembra? E no impresso? Aposto que no
impresso são bem mais erros.
De acordo com Juliana Pazos,
repórter do site TechTudo, a velocidade com que as informações precisam ser
divulgadas na internet é um problema a ser vencido, mas também um desafio
prazeroso:
– A rapidez com que uma informação é passada
na internet pode ser um empecilho para o jornalista profissional. A apuração
precisa ser cada dia mais veloz, mas também, mais eficaz. Isso provocou uma
revolução também no texto. A objetividade e o modo como devemos escrever é um
desafio, mas é também um excelente exercício da nossa profissão.
Assim, as mídias tradicionais
parecem ainda respirar frente à internet e é bem possível que dentro dos
próximos anos aconteça uma grande mudança no modo como os jornais impressos se
comportam. Só assim, pode ser, que o futuro não pareça tão sombrio e derradeiro
para a imprensa.
Jornalismo ou
não, a mídia ninja está aí
Desde junho diversos protestos populares tomam conta
do Brasil pedindo, um país mais justo, mais honesto, mais transparente. Com uma
proposta diferente de divulgação e transmissão de informações, em tempo real,
apareceu para o cenário nacional a Mídia Ninja, sigla para Narrativas
Independentes, Jornalismo e Ação. Em pouco tempo, a transmissão via streaming, utilizada pelo grupo foi
considerada inovadora e tomou conhecimento mundial.
Gabriel Kopke,
22 anos, estudante de história na UFF, acompanha a mídia ninja através das
redes sociais e por conversas. Ele acredita que esses dois instrumentos, a
internet e a troca de ideias, são meios informais para a receber notícias:
– Infelizmente, toda tentativa de coletar
informações e passá-las ao público já é tratada como jornalismo. A mídia
tradicional trata seu público apenas como consumidor. Não costuma se aprofundar
em questões mais emblemáticas ou não entra em assuntos "delicados". Qualquer
tentativa de quebrar com essas regras e “alternativizar” o monopólio da
informação é bem vinda. Creio que a imparcialidade é utopia! Mas, a questão é,
a que lado devemos buscar defender, que questões políticas estamos analisando,
e de que forma tratamos os assuntos abordados. Então, vejo que são sim
jornalistas, mas deveríamos diferenciá-los dos que jogam palavras ao ar de
qualquer maneira e se dizem sérios.
Morador do Leblon, Gustavo Angeleas, estudante de
Comunicação na PUC-Rio, quase não tem contato com o grupo que está acampado.
Nem sempre passa por onde estão acampados. Para ele, a Mídia Ninja é jornalismo
também:
– Só acho que eles não são uma mídia tão imparcial
quanto algumas pessoas dizem. Eles tomam partido ao lado dos manifestantes.
Mas, pra mim, isso não quer dizer que eles são "menos jornalísticos".
Às vezes, mostram mais do que a mídia tradicional.
Mas, algumas pessoas consideram o grupo como um divulgador
de manifestações e não um veículo jornalístico. É o caso de um homem que se
identificou como Paulo e trabalha no Leblon. Para ele não existe jornalismo
“Ninja”:
– Esses caras da mídia ninja são outros babacas.
Provocam os policiais até apanhar, quando começam a bater neles
(manifestantes), eles filmam e vão reclamar na internet. Se for filmar, filma
tudo. Quero ver mostrar manifestante dando tapa na cara de policial. Só mostram
o que querem, o que vai dar audiência pra eles! Onde isso é jornalismo?
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