terça-feira, 22 de outubro de 2013

Os jornais na internet se mantém entre a pressa e a perfeição

Profissionais e leitores citam velocidade e qualidade dos textos online e impressos

Matheus Vasconcellos

              Hoje, os usuários da internet recebem diversas informações que chegam de todos os lugares. Assim, o jornalismo online tem se tornado muito mais relevante do que era há dez anos. A todo instante recebemos informações via celular, tablets, computadores pessoais e qualquer outro dispositivo que esteja conectado à rede. Porém, hoje existe o medo que o jornal impresso se abale por conta do espaço que o jornalismo online tomou.

            Para Alice Lima, aluna de jornalismo na Uerj, o jornalismo na internet veio para complementar e suprir uma necessidade que o impresso não conseguia mais satisfazer: o imediatismo dos fatos:

– Assim como o rádio e a televisão, a internet abastece o usuário na hora em que os fatos acontecem. Isso faz com que o jornalismo online seja mais acessado hoje. Porém, assim como aconteceu com o rádio e já aconteceu com a televisão por causa da chegada da internet, o jornal impresso vai precisar se adaptar. Talvez seja a hora de tentarmos um jornalismo mais opinativo, quem sabe como o modelo norte-americano? Não sei, mas acredito que possa funcionar melhor.

A briga por leitores nas telas
            
            Querendo ou não o espaço tomado pela internet é muito grande. Hoje o portal de notícias online das Organizações Globo, o G1, recebe diariamente 6 milhões de visitantes, enquanto a tiragem do jornal O Globo teve em 2012, uma média de 277 mil exemplares diários.

            Atualmente, acompanhar mídias alternativas através da internet tem sido uma boa opção para quem não quer seguir a mídia tradicional. Assim, desde junho apareceu de vez no cenário nacional a Mídia Ninja. Os atuais “opositores ao sistema tradicional do jornalismo”, que de acordo com participantes está “corrompido” transmitem em tempo real eventos nos quais os jornalistas profissionais são impedidos por alguns manifestantes de cobrir, por exemplo, as manifestações de rua. Os Ninjas utilizam o streaming, que é usar a internet para a transmissão de vídeos ao vivo, e principalmente, o Twitter. Porém, pelo que parece, a mídia tradicional ainda está vencendo essa disputa. Enquanto a Mídia Ninja tem pouco mais de 22 mil seguidores, o Jornal O Globo tem mais de 1 milhão de followers, ou seja, pessoas que o acompanham na rede social.

            Douglas Mandarino, aluno de Ciência da Computação na PUC-Rio, acompanha o noticiário pela internet e acha muito mais prático:

 – Não dá para ficar levando o jornal impresso pra tudo quanto é lugar. É incômodo e desagradável. Sem falar que você compra o jornal de manhã e na hora do almoço ele já está velho, tirando algumas partes que são mais analíticas, as informações têm validade muito curta. No meu celular, pelo 3G, eu consigo me manter sempre informado sobre qualquer assunto, em qualquer lugar, sem precisar carregar mais nada, só o meu aparelho. É muito melhor – com relação à qualidade, Douglas ainda assim prefere o jornalismo online:

– Na internet é mais fácil corrigir erros, no impresso o erro permanece até o próximo dia, se ele for corrigido. No online você pode até ter mais pressa pra colocar no ar, mas do mesmo modo que uma coisa errada entra, ela sai. Quantos erros históricos do jornalismo online você lembra? E no impresso? Aposto que no impresso são bem mais erros.

            De acordo com Juliana Pazos, repórter do site TechTudo, a velocidade com que as informações precisam ser divulgadas na internet é um problema a ser vencido, mas também um desafio prazeroso:

 – A rapidez com que uma informação é passada na internet pode ser um empecilho para o jornalista profissional. A apuração precisa ser cada dia mais veloz, mas também, mais eficaz. Isso provocou uma revolução também no texto. A objetividade e o modo como devemos escrever é um desafio, mas é também um excelente exercício da nossa profissão.


            Assim, as mídias tradicionais parecem ainda respirar frente à internet e é bem possível que dentro dos próximos anos aconteça uma grande mudança no modo como os jornais impressos se comportam. Só assim, pode ser, que o futuro não pareça tão sombrio e derradeiro para a imprensa.

Jornalismo ou não, a mídia ninja está aí

            Desde junho diversos protestos populares tomam conta do Brasil pedindo, um país mais justo, mais honesto, mais transparente. Com uma proposta diferente de divulgação e transmissão de informações, em tempo real, apareceu para o cenário nacional a Mídia Ninja, sigla para Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação. Em pouco tempo, a transmissão via streaming, utilizada pelo grupo foi considerada inovadora e tomou conhecimento mundial.

           Gabriel Kopke, 22 anos, estudante de história na UFF, acompanha a mídia ninja através das redes sociais e por conversas. Ele acredita que esses dois instrumentos, a internet e a troca de ideias, são meios informais para a receber notícias:

– Infelizmente, toda tentativa de coletar informações e passá-las ao público já é tratada como jornalismo. A mídia tradicional trata seu público apenas como consumidor. Não costuma se aprofundar em questões mais emblemáticas ou não entra em assuntos "delicados". Qualquer tentativa de quebrar com essas regras e “alternativizar” o monopólio da informação é bem vinda. Creio que a imparcialidade é utopia! Mas, a questão é, a que lado devemos buscar defender, que questões políticas estamos analisando, e de que forma tratamos os assuntos abordados. Então, vejo que são sim jornalistas, mas deveríamos diferenciá-los dos que jogam palavras ao ar de qualquer maneira e se dizem sérios.

                Morador do Leblon, Gustavo Angeleas, estudante de Comunicação na PUC-Rio, quase não tem contato com o grupo que está acampado. Nem sempre passa por onde estão acampados. Para ele, a Mídia Ninja é jornalismo também:

– Só acho que eles não são uma mídia tão imparcial quanto algumas pessoas dizem. Eles tomam partido ao lado dos manifestantes. Mas, pra mim, isso não quer dizer que eles são "menos jornalísticos". Às vezes, mostram mais do que a mídia tradicional.

               Mas, algumas pessoas consideram o grupo como um divulgador de manifestações e não um veículo jornalístico. É o caso de um homem que se identificou como Paulo e trabalha no Leblon. Para ele não existe jornalismo “Ninja”:

– Esses caras da mídia ninja são outros babacas. Provocam os policiais até apanhar, quando começam a bater neles (manifestantes), eles filmam e vão reclamar na internet. Se for filmar, filma tudo. Quero ver mostrar manifestante dando tapa na cara de policial. Só mostram o que querem, o que vai dar audiência pra eles! Onde isso é jornalismo?

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