terça-feira, 22 de outubro de 2013

O imediatismo das informações é a diferença dos periódicos virtuais

Papel sem utilidade ao fim do dia, jornal impresso vai perdendo seu espaço
João Carvalho Laborne Valle
Dizem por aí que os jornais impressos estão com seus dias contados por conta da preferência do público pela internet. O jornalismo digital entrou na vida das pessoas há pelo menos dez anos e a partir começou a ganhar a confiança dos leitores pelo imediatismo que está presente nas notícias e que não é possível no tradicional jornalismo impresso.
O jornalismo online surgiu para trazer comodidade às pessoas. Apenas acessando a internet, os leitores conseguem obter informações de todo o mundo, 24 horas por dia, sem sair do conforto de suas casas ou sem ter que esperar para saber as notícias pelo telejornal. Esse novo gênero jornalístico é atualizado constantemente, as informações são em tempo real, os textos curtos e rápidos, e ele ainda fornece links que possibilitam ao leitor buscar mais informações sobre determinada notícia em apenas alguns cliques.
Mas a comunicação impressa é a precursora do jornalismo. Sobreviveu à criação do rádio e até mesmo da TV, uma batalha que muitos consideravam difícil, mas pode-se dizer que o jornalismo digital surgiu como seu mais forte oponente. Não há dúvida que o jornal de papel está ligado a uma série de pequenos prazeres para algumas pessoas, como, por exemplo, tomar o café da manhã folheando lentamente as suas páginas, selecionar as notícias que quer ler sem uma ordem de importância e ficar com os dedos pretos devido à tinta.
Matérias mais elaboradas e ricas em detalhes
Para o economista Eduardo Perez, assinante do O Globo e do Valor Econômico, a leitura dos jornais impressos é um ritual que pratica há quase quarenta anos e do qual não abre mão. “Quem lê o jornal impresso não costuma ler apenas a capa, ao contrário do que muitos fazem na versão eletrônica. Eu abro o O Globo, viro as páginas e entro em contato com todas as notícias que sejam do meu interesse. Sem falar que os jornais em papel são muito mais ricos em detalhes que os digitais. O leitor do papel tende a estar mais informado do que o internauta”, afirma Eduardo.
As notícias publicadas em veículos impressos podem mudar uma realidade. O jornal é um dos mais importantes formadores de opinião e conquistou a fidelidade de muitos leitores. Sua capacidade de interpretar as notícias e aprofundar os fatos é incrível. Contudo, a influência da internet é indiscutível e por isso muitos deles estão migrando para o ambiente virtual e colocando conteúdos exclusivos na rede. É impossível reunir tudo o que os leitores querem saber em um jornal que deve ser entregue às seis da manhã, por isso a instantaneidade de notícias é entregue de forma online.
A internet é um dos frutos da globalização. Todo mundo tem voz e espaço, como é o caso da Mídia Ninja, que foi criada como alternativa à imprensa tradicional e ficou conhecida após as manifestações de junho, com transmissões ao vivo, sem edição.
É muito fácil, rápido e barato inserir ou modificar as notícias. Ainda assim, as imperfeições são muitas, a veracidade é colocada em risco e a rapidez também traz a superficialidade, aspecto preocupante no jornalismo. Os internautas são os responsáveis pela audiência das páginas, por isso deve haver atenção com a apuração dos fatos, além de uma periodicidade na atualização.
Para o jornalista Luiz Guilherme Freitas, formado na PUC-Rio, o imediatismo das informações é o grande trunfo do jornalismo virtual, já que as matérias são atualizadas o tempo todo e o leitor fica sabendo das notícias quase em tempo real. Entretanto, Luiz também tem críticas a fazer: “Eu tenho o hábito de acessar o Globo.com todos os dias, mas as matérias da capa sobre celebridades são inacreditáveis. A gente fica sabendo que fulano saiu para almoçar e que sicrano foi à academia para malhar. Esse espaço infinito da internet que dá brecha para qualquer coisa virar notícia é o que eu não gosto no jornalismo online”.

Parece que chegamos ao ápice da comunicação, onde todos os meios já foram inventados: jornal impresso, rádio, televisão e a internet. Com eles, o meio jornalístico sofreu as suas transformações e teve sempre que se adaptar com a nova realidade. Hoje, o grande dilema é: os jornais impressos sobreviverão aos ‘tsunamis’ de rapidez e informação que a web proporciona? Respostas? São muitas. Conclusões? Quase não existem.
Mídia Ninja: jornalismo ou ativismo?
A Mídia Ninja é um grupo conhecido por seu ativismo político e que se declara uma alternativa à imprensa tradicional. Durante as manifestações de junho, quando milhões de pessoas foram protestar contra a corrupção, os gastos excessivos do governo com a Copa do Mundo de 2014 e a falta de investimentos na área da saúde e educação, o povo brasileiro viu na Mídia Ninja o que a grande mídia muitas vezes não mostrava, seja com vídeos ou imagens, seja dando o ponto de vista dos manifestantes.
Atualmente, entre outras coisas, a Mídia Ninja está reportando os atos contra o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Na frente do prédio onde mora o chefe de Estado carioca, no Leblon, cerca de 40 pessoas acampam há quase dois meses pedindo o seu impeachment, no movimento que ficou conhecido como “Ocupa Cabral”. Entrevistados sobre o jornalismo praticado pelos ninjas, os manifestantes que estão no local apresentaram opiniões parecidas, quase sempre saindo em sua defesa.
Para Roberto Freire, nome falso dado por manifestante, a Mídia Ninja surgiu para preencher um espaço, pois o grupo recupera a reportagem de rua e dá ênfase no que está acontecendo no momento, ao vivo. Ele ainda defende que os ninjas denunciam principalmente certas violências que não são objeto de cobertura das mídias tradicionais, que ficam reféns de interesses políticos e não estão na rua como deveriam.
Já Tatiana, que não quis dar o sobrenome, ressalta que a imprensa comum não soube ler rápido o que estava acontecendo nas redes e nas ruas, enquanto a Mídia Ninja sempre esteve presente nos protestos, transmitindo tudo ao vivo, fotografando e sempre tentando passar o que realmente estava acontecendo. Ela ainda afirma que o Brasil tinha uma demanda muito grande de uma cobertura independente naquele momento e que os ninjas atenderam a isso.
Formado em jornalismo, Eugênio é o único que faz uma crítica aos ninjas. Segundo ele, por mais que esteja usando sua liberdade de expressão, não se pode dizer que essa mídia alternativa realize um trabalho propriamente jornalístico, pois ela não dá conta de elementos como a interpretação e a contextualização da notícia, ponto fundamental na profissão.
Elogios ou críticas à parte, certo é que a Mídia Ninja irá influenciar a mídia tradicional, que pode tentar encontrar novas formas de se comunicar e abrir espaço para repórteres mais flexíveis, próximos e abertos. 

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