Necessidade de
atualização contínua afeta diretamente o modo de fazer notícia
Alana Borges
Desde
a criação da internet, o mundo descobriu a possibilidade de estar conectado a
tudo, ou quase tudo. De repente, a difusão e o fluxo de informações eram uma
realidade.
Assim
como a sociedade, o jornalismo também precisou se adaptar a todas as
transformações que a rede mundial de computadores provocou. Os meios de comunicação
tradicionais, pensando em criar alternativas para atender e fazer parte do
poderoso meio virtual, investiram em plataformas digitais. Praticamente todo o
tipo de mídia tradicional buscou um endereço eletrônico.
No
início do webjornalismo, os grandes veículos não se preocupavam em elaborar um
material especial para internet, o conteúdo usado era uma cópia preguiçosa do
que era impresso nos jornais. Atualmente, os portais de notícias online já têm
suas próprias características: texto mais direto, interativo, com nova
linguagem e sem tanta elaboração.
Pode
soar como defeito, mas para muita gente, principalmente para os jovens, a
abordagem que beira a superficialidade não afasta o leitor. Segundo a estudante
de publicidade Priscila Maturo, de 21 anos, procurar informação na web é menos
complicado.
-
Eu prefiro ter acesso às notícias pela internet. Não estou interessada em muita
profundidade – disse a estudante. - Quando quero buscar alguma coisa, vou logo
para o computador. É mais rápido e menos distrativo.
Para
o historiador Aluízio Alves Filho, que é professor de mídias globais na
PUC-Rio, a preferência pelo jornalismo online diz muito sobre a época que
atravessamos.
-
As pessoas esperam uma informação mais ligeira e sem grandes análises. Acho que
isso não tem muito a ver com o jornalismo, mas, sim, com a época que estamos
vivendo – afirma o professor. - Todo mundo está se acostumando com outro tipo
de dinâmica, outro tipo de velocidade.
AS VANTAGENS E OS DESAFIOS NO
ONLINE
A
arma da web é, justamente, se aproveitar da grande capacidade de atualização e
do uso do tempo real – a Mídia Ninja é um bom exemplo disso (Leia mais em Mídia Ninja: A parcialidade sem culpa). Se
comparados às notícias na internet, os jornais impressos já chegam às casas de
seus assinantes velhos e desatualizados.
A
jornalista Nathália Pinheiro, de 24 anos, não se incomoda em esperar um pouco
mais para ler a informação no papel.
-
Eu até procuro algumas coisas na internet, mas quando quero me informar sobre
algum acontecimento, acabo recorrendo ao jornal mesmo – contou Nathália. - Acho
bem mais seguro.
Apesar
da grande popularidade e da clara crescente, o jornalismo online, além de ter
que se provar mais sério e confiável, precisa se mostrar rentável. A
publicidade para a internet ainda é barata se pensarmos no número de pessoas
que consegue atingir. É preciso encontrar um jeito de transformar milhares de
acessos diários, comentários, curtidas e tweets em dinheiro e, consequentemente,
autossustentação.
Já
que é complicado datar o fim da mídia impressa, se é que vai acontecer, resta
torcer, até lá, para que o webjornalismo consiga absorver e aprender com os pontos
positivos (credibilidade, análises atenciosas e compromisso com a apuração) da
“velha” maneira de se fazer notícia, para, enfim, juntar com o seu dinamismo
característico e vencer de vez as incertezas que lhe são inferidas.
Mídia Ninja: A parcialidade sem culpa
Na noite de 22 de julho, durante
manifestação nas proximidades do Palácio Guanabara, no Rio, dois integrantes da
Mídia Ninja, que transmitiam o ato em tempo real para pelo menos 150 mil
pessoas na internet, foram presos sob acusação de incitar a violência.
Graças ao episódio, os ninjas, que
registraram suas próprias detenções ao vivo, ganharam destaque na imprensa
tradicional, chegando, inclusive, a pautar o principal telejornal do Brasil. Veículos
internacionais também fizeram reportagens sobre o grupo, entre eles estão os
americanos New York Times, Washington
Post e Wall Street Journal, o
britânico The Guardian e a rede árabe
de TV Al Jazeera.
Desde então, a popularidade da Mídia
Ninja (sigla de Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação) só cresce entre os
manifestantes insatisfeitos com a cobertura feita pelos grandes meios de
comunicação. Para os simpatizantes, o coletivo tem credibilidade porque não
omite e manipula informações como a imprensa convencional.
Segundo o sociólogo Breno Leite, de 39
anos, os ninjas são importantes porque se posicionam abertamente.
- Eles (os ninjas) escolhem um lugar na
história e, ao fazerem isso, contribuem para a quebra de uma narrativa
midiática tradicional – afirma o sociólogo. – Definir um ponto e apontar a
câmera para ele não é sinônimo de manipulação.
Logo após a exposição fora do mundo do twitter, facebook e twitcasting, a
Mídia Ninja vem enriquecendo os debates sobre mídialivrismo e mídia
alternativa.
Para o estudante de relações
internacionais João Pedro Navarro, de 18 anos, seria injusto dizer que o grupo
ativista não faz jornalismo.
- Enquanto os grandes veículos capturam
imagens distantes e dentro de helicópteros, os ninjas transmitem as manifestações
em tempo real – desabafa Navarro. – Se passar uma informação, narrar um
acontecimento e mostrar o que de fato está acontecendo não é jornalismo, então
eu não sei o que mais pode ser.
Passado o início da onda de
manifestações que tomou o país, a Mídia Ninja, que existe há pelo menos um ano
e meio em parceria com a rede Fora do Eixo, ainda resiste, mesmo com o
enfraquecimento dos movimentos, como principal registro do que acontece nas
ruas das cidades brasileiras.
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