terça-feira, 22 de outubro de 2013

Dinâmica do mundo de hoje reflete no jornalismo da web

Necessidade de atualização contínua afeta diretamente o modo de fazer notícia
 Alana Borges 
Desde a criação da internet, o mundo descobriu a possibilidade de estar conectado a tudo, ou quase tudo. De repente, a difusão e o fluxo de informações eram uma realidade.
Assim como a sociedade, o jornalismo também precisou se adaptar a todas as transformações que a rede mundial de computadores provocou. Os meios de comunicação tradicionais, pensando em criar alternativas para atender e fazer parte do poderoso meio virtual, investiram em plataformas digitais. Praticamente todo o tipo de mídia tradicional buscou um endereço eletrônico.  
No início do webjornalismo, os grandes veículos não se preocupavam em elaborar um material especial para internet, o conteúdo usado era uma cópia preguiçosa do que era impresso nos jornais. Atualmente, os portais de notícias online já têm suas próprias características: texto mais direto, interativo, com nova linguagem e sem tanta elaboração.
Pode soar como defeito, mas para muita gente, principalmente para os jovens, a abordagem que beira a superficialidade não afasta o leitor. Segundo a estudante de publicidade Priscila Maturo, de 21 anos, procurar informação na web é menos complicado.
- Eu prefiro ter acesso às notícias pela internet. Não estou interessada em muita profundidade – disse a estudante. - Quando quero buscar alguma coisa, vou logo para o computador. É mais rápido e menos distrativo.
Para o historiador Aluízio Alves Filho, que é professor de mídias globais na PUC-Rio, a preferência pelo jornalismo online diz muito sobre a época que atravessamos.
- As pessoas esperam uma informação mais ligeira e sem grandes análises. Acho que isso não tem muito a ver com o jornalismo, mas, sim, com a época que estamos vivendo – afirma o professor. - Todo mundo está se acostumando com outro tipo de dinâmica, outro tipo de velocidade.
AS VANTAGENS E OS DESAFIOS NO ONLINE
A arma da web é, justamente, se aproveitar da grande capacidade de atualização e do uso do tempo real – a Mídia Ninja é um bom exemplo disso (Leia mais em Mídia Ninja: A parcialidade sem culpa). Se comparados às notícias na internet, os jornais impressos já chegam às casas de seus assinantes velhos e desatualizados.
A jornalista Nathália Pinheiro, de 24 anos, não se incomoda em esperar um pouco mais para ler a informação no papel.
- Eu até procuro algumas coisas na internet, mas quando quero me informar sobre algum acontecimento, acabo recorrendo ao jornal mesmo – contou Nathália. - Acho bem mais seguro.
Apesar da grande popularidade e da clara crescente, o jornalismo online, além de ter que se provar mais sério e confiável, precisa se mostrar rentável. A publicidade para a internet ainda é barata se pensarmos no número de pessoas que consegue atingir. É preciso encontrar um jeito de transformar milhares de acessos diários, comentários, curtidas e tweets em dinheiro e, consequentemente, autossustentação.

Já que é complicado datar o fim da mídia impressa, se é que vai acontecer, resta torcer, até lá, para que o webjornalismo consiga absorver e aprender com os pontos positivos (credibilidade, análises atenciosas e compromisso com a apuração) da “velha” maneira de se fazer notícia, para, enfim, juntar com o seu dinamismo característico e vencer de vez as incertezas que lhe são inferidas. 
Mídia Ninja: A parcialidade sem culpa
Na noite de 22 de julho, durante manifestação nas proximidades do Palácio Guanabara, no Rio, dois integrantes da Mídia Ninja, que transmitiam o ato em tempo real para pelo menos 150 mil pessoas na internet, foram presos sob acusação de incitar a violência.  
Graças ao episódio, os ninjas, que registraram suas próprias detenções ao vivo, ganharam destaque na imprensa tradicional, chegando, inclusive, a pautar o principal telejornal do Brasil. Veículos internacionais também fizeram reportagens sobre o grupo, entre eles estão os americanos New York Times, Washington Post e Wall Street Journal, o britânico The Guardian e a rede árabe de TV Al Jazeera.
Desde então, a popularidade da Mídia Ninja (sigla de Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação) só cresce entre os manifestantes insatisfeitos com a cobertura feita pelos grandes meios de comunicação. Para os simpatizantes, o coletivo tem credibilidade porque não omite e manipula informações como a imprensa convencional.
Segundo o sociólogo Breno Leite, de 39 anos, os ninjas são importantes porque se posicionam abertamente.
- Eles (os ninjas) escolhem um lugar na história e, ao fazerem isso, contribuem para a quebra de uma narrativa midiática tradicional – afirma o sociólogo. – Definir um ponto e apontar a câmera para ele não é sinônimo de manipulação.
Logo após a exposição fora do mundo do twitter, facebook e twitcasting, a Mídia Ninja vem enriquecendo os debates sobre mídialivrismo e mídia alternativa.  
Para o estudante de relações internacionais João Pedro Navarro, de 18 anos, seria injusto dizer que o grupo ativista não faz jornalismo.
- Enquanto os grandes veículos capturam imagens distantes e dentro de helicópteros, os ninjas transmitem as manifestações em tempo real – desabafa Navarro. – Se passar uma informação, narrar um acontecimento e mostrar o que de fato está acontecendo não é jornalismo, então eu não sei o que mais pode ser.
Passado o início da onda de manifestações que tomou o país, a Mídia Ninja, que existe há pelo menos um ano e meio em parceria com a rede Fora do Eixo, ainda resiste, mesmo com o enfraquecimento dos movimentos, como principal registro do que acontece nas ruas das cidades brasileiras.  

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