terça-feira, 22 de outubro de 2013

As vantagens e desvantagens do jornalismo na era digital

Como jornalistas, professores e estudantes veem a novidade tecnológica inserida na profissão

                                                                          Pedro Luís

O jornalismo online é muito recente. Ainda causa dúvidas, críticas e previsões entre jornalistas, leitores e pesquisadores. Há prós e contras em notícias veiculadas na rede. Mas não há como fugir. Todas as grandes empresas jornalísticas hoje em dia têm sua versão online. São diferentes das versões impressas em alguns aspectos, mas a notícia é veiculada da mesma forma. Especialistas no assunto indagam questões como a sustentação financeira, a qualidade na apuração das notícias da web e seu imediatismo.

O imediatismo é o diferencial do online. Com sua instantaneidade, pode-se ler uma notícia que aconteceu há dez minutos, algo inviável no impresso. A professora Suely Caldas, da PUC-Rio comentou sobre as diferenças entre as versões impressa e online e como o imediatismo pode se tornar algo negativo. – Há uma diferença. A mesma empresa, com o mesmo repórter faz matérias com conteúdos diferentes para públicos diferentes. As versões online são uma forma de sobrevivência dos jornais impressos. O online exige mais imediatismo, para um público muito maior. O imediatismo é contra a qualidade. Você acaba veiculando informação no seu estágio primário. Democratiza a informação, isso é bom, mas a parte negativa é a credibilidade. O impresso tem mais credibilidade. Tem muita mentira na internet.

O surgimento das redes de informação comunitárias

Assim como os jornais impressos, as redes comunitárias de informação, como a Mídia Ninja, também causam dúvidas quanto à forma que irão se sustentar no mercado, uma vez que o mercado publicitário não vê interesse em investir nesse tipo de mercado. O jornalista do Globo, Giovanni Camargo, acha que o jornalismo está em crise. "A versão impressa passa por um momento de crise existencial. As empresas usam a parte digital como uma extensão. O online é fundamental, um complemento. O problema dele é que o texto nem sempre é elaborado com a qualidade necessária. Não há tanto rigor na apuração. O imediatismo é negativo em alguns aspectos e positivos em outros. As redes comunitárias só sobrevivem com apoio político. O consumo do jornalismo impresso se reduziu de uma forma drástica nos últimos anos em razão ao consumo do jornalismo digital. Isso é preocupante".

Leitores mais jovens, que não têm o hábito de comprar jornal, acham que o conteúdo veiculado na internet é satisfatório, não muito diferente do impresso e é mais democrático. É o caso da estudante de jornalismo Eliz Nassif, de 25 anos.O jornalismo online chega a pessoas que o jornalismo impresso não consegue chegar. Esse é o grande diferencial. As notícias são mais popularizadas e democratizadas quase com o mesmo conteúdo do impresso.

Para o jornalista Carlos Castilho, do Observatório da Imprensa, o jornalismo online enfrenta três desafios. São eles: diálogo com os programadores, interatividade com o público e sustentabilidade financeira. Nenhum deles é mais importante do que o outro. A sobrevivência de um projeto de jornalismo online depende das respostas que forem dadas aos três desafios, independente de ordem cronológica ou de critério de relevância. – Estamos falando de uma possível reconfiguração geral do modelo jornalístico vigente há décadas. Hoje, os jornais impressos e a TV convencional estão perdendo público e anunciantes, enquanto o jornalismo e o vídeo na Web crescem exponencialmente, mas sem o correspondente aumento da receita publicitária. Esta é uma situação insustentável tanto para a imprensa convencional como para o jornalismo na Web.

                            CHUVA DE NINJAS, DILÚVIO DO JORNALISMO

Um dia de chuva entre uma semana ensolarada. É o dia que resolvo ir até a Avenida Delfim Moreira, no Leblon, onde manifestantes do grupo Ocupa Cabral estão acampados em frente ao prédio onde mora o governador Sérgio Cabral. Chove muito. Mas não desisto. Afinal, Mídia Ninja é jornalismo ou não?

De início, me senti preocupado com a possibilidade de não conseguir obter informações sobre a Mídia Ninja, porque pensava que os manifestantes falariam apenas deles próprios, os policiais não me responderiam e as pessoas nas ruas – poucas devido à chuva – se esquivariam ou não saberiam do assunto. Com as pessoas nas ruas, foi o que aconteceu. O que não se repetiu com os policiais e com os manifestantes. “Mídia Ninja? É negócio de luta, não sei o que é não”, disse o comerciante Gama, morador do Leblon.

Ao tanto tentar, na borrasca, eis que consigo uma palavra de um policial novato, mas com opinião formada sobre o assunto. Ele se mostra seguro ao perceber que a entrevista não é para falar sobre o Ocupa Cabral e esboça uma avaliação, aparentemente, unânime entre os policias. “Eu não conheço eles direito, mas acredito que eles só mostram o lado dos manifestantes. Jornalismo tem que mostrar os dois lados, senão acho que não é jornalismo”, comentou o policial Tiago sobre a Mídia Ninja.

Ao perceber que não vou conseguir muita coisa com as pessoas no aguaceiro das ruas, sigo em direção ao acampamento dos manifestantes do Ocupa Cabral. Os poucos que ali se encontravam me receberam muito bem e falaram bastante sobre a Mídia Ninja, outras mídias alternativas e o jornalismo. Na carga d’água, cumpro meu objetivo.

“Todo jornalismo é parcial. Não existe jornalismo imparcial. O jornalismo tradicional é parcial para o lado do governo e do dinheiro, o da Mídia Ninja é parcial para o lado dos manifestantes. A Mídia Ninja e outras mídias alternativas como o Vidigablog nos ajuda bastante. É ao vivo, é jornalismo. Estão mostrando o que tá acontecendo de verdade e de graça”, falou Roberto, manifestante do Ocupa Cabral.

“Não se pode esquecer que a mídia independente não se resume à Mídia Ninja. Tem a Pós-TV, Nova Democracia, Coletivo Mariachi, Norte 1. Eles estão postando vídeos e fotos que a Globo nunca conseguiria. Tem que assistir às outras além da Mídia Ninja”, disse Tiago, manifestante do Ocupa Cabral.                

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