O surgimento dos meios de comunicação contribui com o resultado de novas linguagens jornalísticas.
Karoline Araújo
As informações são lançadas nos sites na hora do acontecimento, as notícias todo momento são atualizadas e links te direcionam para vídeos e matérias mais longas sobre determinado assunto. A linguagem do jornalismo online é leve e simples, as seções das matérias são separadas por subtítulos curtos e informativos. Todas essas práticas tornam a leitura do texto mais fácil e rápida. Se caso o visitante procure detalhes maiores sobre um determinado fato há links que o direcionam para esse tipo de matéria.
Observa-se a diferença nas informações abordadas em diferentes veículos. Por exemplo, a notícia sobre a saída de Cid Gomes do PSB no O Globo online, dia 29/09/20013, é bem sintetizada, fala sobre o motivo da saída dele, como, onde e quando. É um lead mais detalhado, que situa o leitor sobre o caso. A mesma matéria publicada no jornal impresso do mesmo dia tem um grande aprofundamento. Há declarações das pessoas envolvidas e faz uma análise geral sobre a situação da partida do atual governador do estado do Ceará.
As qualidades e defeitos da internet
O jornalismo online vem crescendo cada vez mais e se aprimorando nos dias atuais. O professor de técnicas de comunicação, João Luiz Renha analisa que a televisão precisa seguir sua grade de programação e, com isso, os telespectadores não tem acesso toda hora às informações. No jornal impresso é preciso esperar a próxima edição para obter dados aprofundados de algo que ocorreu à tarde, por exemplo. E no jornal online esses problemas não existem. "Eu não consigo ver desvantagens do web jornalismo. Ele é ágil, dinâmico e tem a cada dia uma audiência maior. Eu acho que, juntamente com o jornalismo da TV por assinatura, é o futuro do jornalismo: muito mais atual que os jornais nacionais da vida que, se algo acontecer de tarde, por exemplo, entre as duas e três da tarde, só vão poder noticiar ás oito da noite. Até ás oito a notícia ficou velha. No jornal então é ainda pior, pois é preciso esperar o jornal do dia seguinte ou, muitas vezes, a próxima edição'', explicou Renha.
Há adeptos fiéis do jornalismo impresso e que não acreditam que ele possa deixar de existir. o empresário Francisco Mendes, 50 anos é um dos que, mesmo com inúmeras vantagens do web jornalismo hoje, não trocam o jornal matinal pela famosa internet. “Eu percebo que a tecnologia está avançando muito rápido. Apesar dos rumores que existem de que o jornal impresso vai acabar eu não consigo me desvincular dele. O jornal chega cedinho a minha casa, me deixa bem informado e eu posso carrega-lo e abri-lo em qualquer lugar sem depender de operadora, internet e Wi-fi”, comentou Mendes.
A internet hoje é utilizada pela maioria da população. É uma ferramenta de fácil acesso e manuseio. Analisa-se hoje grupos bem amadores, ausentes de profissionais e aparelhos qualificados que vão atrás de notícias e as publicam nas redes sociais ou em blogs e sites específicos criados por eles. Esses grupos abordam uma visão diferente da mídia tradicional, mostrando mais o outro lado, o da sociedade, é o caso da Mídia Ninja. Esses grupos atuam da forma que melhor lhe convém, já que não são censurados e não precisam de qualificação para essa atuação. "Na comunicação comunitária ou na comunicação corporativa você vende o ponto de vista do padrão ou da comunidade em relação aquele acontecimento. O nome dessa prática profissional de lidar com a informação não é jornalismo, é comunicação comunitária ou comunicação corporativa. São práticas comunicacionais, onde esses atores sociais, a comunidade ou qualquer que seja o tipo de organização, funcionam mais como fonte de informação", explica o professor e coordenador da PUC-Rio, Leonel Aguiar.
Em meio a tantas qualidades, a aluna de comunicação e estagiária da rádio do Comunicar Milena Lourenço considera que a internet se torna vulnerável, ao passo que qualquer pessoa pode escrever e publicar o que quiser, sendo essa informação verdadeira ou não. “O problema do jornalismo online é a falta de credibilidade, já que muitas vezes a gente vê notícias falsas. Acho que isso acontece porque na internet qualquer um pode ser repórter, então é sempre bom checar as informações”, opinou Milena.
Mídia Ninja é ou não
jornalismo
A Mídia Ninja é um grupo criado em 2011 e
se tornou conhecido pelas transmissões dos protestos no Brasil nesse ano. A
sigla Ninja possui o seguinte significado: Narrativas
Independentes, Jornalismo e ação. Eles gravam as manifestações com
aparelhos comuns usando câmeras de celulares e laptop que servem para carregar
a bateria. Os vídeos são publicados no Facebook, a fim de divulgar o outro lado,
que as mídias tradicionais não mostram.
Hoje se percebe que essa mídia não tem um
reconhecimento mundial, apesar de algumas repercussões na internet e televisão.
“Nunca ouvi falar sobre a Mídia Ninja”, afirma a policial militar Sabrina, 27
anos.
Os manifestantes conhecem bem esse tipo de
mídia. Por ser uma mídia que se encontra do lado dos protestantes e ajuda a
lutar pelos seus direitos básicos. Mas como manifestante mais conhecido como
Vera Punk, 20 anos há outras pessoas que discordam que o que ela faz é
jornalismo. “Não é jornalismo, é uma equipe de pessoas que vai para as ruas
para mostrar a verdade, não para mostrar o que a mídia quer mostrar”, contou Vera
Punk. Diferente dele tem o protestante do Ocupa Cabral Islan, 21 anos, quem
acredite que esse tipo de trabalho realmente é jornalismo. “É um jornalismo
diferente a que estamos acostumados a ver. Eles são parciais para o lado dos
manifestantes. Diferente da mídia grande que faz jornalismo apoiando
interesses. A Mídia Ninja está no meio do povo e possui um trabalho voluntário,
não ganham dinheiro com isso”, opinou Islan.
Os policiais militares estão no Leblon
para controlar e manter a ordem dos manifestantes. Mas, diferentemente do que
muitos protestantes acham, alguns deles estão do lado das manifestações. O
policial militar do Ocupa Cabral, Tiago, 26 anos, defende que antes da
profissão eles também são cidadãos e sofrem com as péssimas leis trabalhistas
impostas pelo governo. Os que estão envolvidos de alguma forma já ouviram falar
da Mídia Ninja. Com isso, o conceito dela fica muito confuso na cabeça das pessoas.
“A Mídia Ninja não é jornalismo, eles tentam passar isso, mas não é. Pelo que
eu vejo nas redes sociais eles tentam passar ideias que tem em outros países.
Mas não é o que acontece”, explicou Tiago.
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