Com novas ferramentas, veículos tradicionais
tentam se adaptar ao novo momento
Tiago Roedel
O jornalismo tradicional vem mudando ao longo dos anos. Recentemente, a chegada da internet acelerou o processo de transformações. Hoje é impensável para um meio informativo não ter um sítio dentro da rede. Além disso, as empresas ainda tentam se adaptar a ferramentas do jornalismo online. Esta evolução traz debates para jornalistas, usuários e estudiosos.
A velocidade de propagação de informações é uma das maiores características deste tipo de jornalismo. Para o jornalista formado pela UFRJ, Bruno Barbosa, até a hierarquia de notícias está mudando com isto.
- Na web, o critério do tempo se sobrepõem ao da importância da notícia. A manchete do site é algo que aconteceu recentemente, não o que ocorreu de mais relevante durante o dia. E isso abre brechas para que jornalistas não apurem direito e só joguem a informação para garantir o “furo” – comentou o jornalista que já passou por redações de jornais de bairro.
Diante do tempo real da internet, o jornalismo impresso tenta trazer algo diferente às folhas do jornal do dia seguinte. A notícia do “não” do técnico Abel Braga, nesta semana, à proposta de assumir a equipe de futebol do Flamengo, no jornal esportivoLance, é um exemplo da cautela adotada por empresas de periódicos. A veiculação da notícia, por toda a internet, feita no final da tarde e a repercussão seguiu até o fim do dia. Embora o jornal tenha estampado na manchete a informação, trouxe declarações do treinador explicando a recusa. Um fato que não havia sido tratado nem pelo próprio site do jornal.
A adaptação não é só dos impressos. As emissoras de televisão vêm utilizando cada vez mais imagens feitas por celulares e câmeras pequenas. Até cidadãos contribuem. No Brasil, isso se deve muito ao fenômeno dos últimos meses da Mídia Ninja.
Apesar da forte interação, empresas diminuem
Ana de Oliveira, usuária que passa cinco horas por dia na internet e que já mandou imagens para televisão, prefere acompanhar as notícias em sites devido à facilidade do acesso.
- Prefiro ler na internet por que é mais rápido e mais prático. Clico em uma notícia, leio e em seguida já estou em outra só com o mouse. Não preciso virar a página. Além disso, é muito mais fácil encontrar um contraponto para as matérias que leio na própria internet – disse a jovem de 22 anos.
Para o historiador Daniel Pinha, os comentários das notícias nos sites e nas redes sociais ajudam a ter uma real noção da reação das pessoas e também aponta para uma real troca entre leitor e jornalista que fazem parte do jogo democrático.
- Em uma sociedade com acesso a diversas fontes de informação e com um senso crítico cada vez maior, a possibilidade de interação com o produtor de notícias é grande e importante para ambos – analisa o professor da PUC-Rio.
Embora a interação e a possibilidade de qualquer um poder noticiar através de blogs e mídias sociais, Bruno Barbosa alerta para um caminho contrário quanto aos da cobertura jornalística.
- Quem mais sofreu com o avanço do jornalismo digital foi a pequena imprensa. Não tem mais tempo para viagens e reportagens especiais. Hoje, a maioria dos profissionais fica trancado nos escritórios – afirma Barbosa.
Jornalismo ninja traz debates na cidade
No último dia 16 de agosto, Rafael Silva, 23 anos, estava com seu celular e sua câmera transmitindo um protesto que ocorria na Rua Pinheiro Machado, próximo do Palácio Guanabara. Ele filmava, ao vivo, a atuação dos manifestantes. O jovem é do grupo de Narrativas Independentes Jornalismo e Ação, a Mídia Ninja.
Para ele, o grupo que reúne diversos voluntários é revolucionário no sentido de fazer jornalismo. Rafael se voluntariou para poder exercer a profissão de repórter.
- O meu desejo sempre foi praticar o jornalismo contando a verdade sem interesses de anunciantes. E é isso o que eu faço, mostro sem cortes e edição aquilo que outros não mostram – disse o estudante de jornalismo do 3° período da UFF.
O fato de não receber pelo trabalho e a militância da Mídia Ninja não incomodam o repórter.
- Faço com orgulho o meu trabalho até altas horas e no momento quero fazer jornalismo, não ganhar dinheiro. O posicionamento político não me incomoda. É melhor ter uma posição do que fingir que é neutro – comentou Silva
Em outro epicentro de protesto na cidade do Rio de Janeiro, onde moradores convivem há dois meses com o movimento “Ocupa Cabral”, Vera Branco, de 64 anos, comenta que a Mídia Ninja não pode se alinhar com esse tipo de protesto.
- Sou a favor dessa insatisfação com os governos, só que a Mídia Ninja está apoiando algumas coisas erradas. Isso aqui já virou uma favelinha. Tem que saber dosar – disse a moradora
Gustavo
Ferreira, 35 anos, discorda do pensamento do grupo independente. Para ele, a
Mídia Ninja não promove jornalismo e sim um idealismo.
- Eles manipulam tanto quanto outra mídia. Escolher uma imagem já é manipulação. Alimentar anarquismo não é jornalismo, é idealismo. Só não enxerga isso, quem não quer – Comentou.
Para o guarda de trânsito, que fiscaliza a rua próxima do “Ocupa Cabral”, a atuação da Mídia Ninja deve ser valorizada tanto quanto outros grupos de comunicação.
- Saí material dali que pode ser que resolva algumas coisas. A tendência é isso acontecer e isso é bom. Através da Mídia Ninja, a população se revolta contra os políticos – disse o guarda, que não quis se identificar.
- Eles manipulam tanto quanto outra mídia. Escolher uma imagem já é manipulação. Alimentar anarquismo não é jornalismo, é idealismo. Só não enxerga isso, quem não quer – Comentou.
Para o guarda de trânsito, que fiscaliza a rua próxima do “Ocupa Cabral”, a atuação da Mídia Ninja deve ser valorizada tanto quanto outros grupos de comunicação.
- Saí material dali que pode ser que resolva algumas coisas. A tendência é isso acontecer e isso é bom. Através da Mídia Ninja, a população se revolta contra os políticos – disse o guarda, que não quis se identificar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário