Atualmente os jornais tem
paywall, as famosas páginas pagas, na internet, igualando-se ao impresso e
mostrando o futuro dos sites de notícia
Thaís Carvalho
Cada vez mais tem
aumentado o número dos jornais online que cobram pelos acessos. A questão é
saber como cobrar pelo conteúdo disponibilizado na internet e até que ponto as
pessoas vão continuar lendo se o mesmo for numa versão paywall.
A versão online do O Globo lançou no dia 16 de setembro o sistema de
cobrança pelas matérias. Qualquer pessoa pode acessar, gratuitamente, 20 links
de reportagens e no 20º acesso o site solicita o envio de alguns dados para
cadastro. Depois disso o usuário ganha mais dez visitas, mas na 30º notícia o
acesso é bloqueado e é enviado uma mensagem com opções de assinatura. No
primeiro mês, a promoção disponibiliza a entrada pelo valor de R$1,90. Esse
modelo é parecido com o que foi adotado pelos jornais Folha de São Paulo e Zero
Hora.
A estudante de publicidade Bruna Sousa, 21, diz que pagaria por uma noticia caso fosse algo de muito interesse. "Hoje em dia as pessoas compartilham tudo que gostam nas redes sociais. Isso poderia acontecer com alguma matéria que quisesse muito ler e não quisesse pagar”, comenta.
O professor de comunicação da PUC-Rio, Sérgio Bonato, 55, afirmou que
prefere muito mais ler notícias na internet do que no papel. “Gosto de buscar
reportagens em jornais online por causa da interatividade e também do conteúdo
que é mais aprofundado na internet do que no papel”, comenta. Em uma matéria
impressa o jornalista tem um limite exato de linhas para escrever o que
impossibilita um melhor aprimoramento do assunto em questão, diferentemente do
online.
No impresso é muito mais comum pagar para se ter o jornal, por mais que
existam versões gratuitas, muitos preferem comprar os grandes jornais pelo
preço que já estão acostumados. O online é mais prático, porém o impresso é
mais tradicional.
O sociólogo Pablo Nunes, 25, trabalha como analista de discurso
mediático e frequentemente tem de ler reportagens online. “Pelo meu trabalho,
eu pago para ler as notícias. Mas, se fosse somente para a minha informação,
não pagaria”, afirmou. O sociólogo também acrescentou que a diversidade de
mídias, até as independentes, faz com que pagar por uma matéria da internet
seja desnecessário.
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