terça-feira, 22 de outubro de 2013

Jornalismo online: notícia em primeira mão para uma sociedade muito moderna

Leitor opta cada vez mais pela interatividade e pela rapidez, características do jornalismo online

Raquel Ribeiro


Produzir jornalismo online vai muito além de disponibilizar as versões de jornais impressos na web. É preciso ter cuidado para que ele não se confunda com os outros tipos de jornalismo que sempre foram tão claros na cabeça do leitor. A grande diferença entre os dois está em seu conteúdo. Mas o papel do jornalismo continua sendo o mesmo: informar ao público. A maneira que vamos apresentar a notícia aos leitores vai variar de veículo para veículo. Cabe ao leitor decidir qual o caminho que ele vai escolher para chegar até a informação. Isso passa principalmente pelo gosto pessoal de cada um.
 O jornalismo na web exige gráficos, animações, elementos interativos que jamais serão vistos em uma versão impressa. Nesse caso, há uma convergência de mídias: texto, som e imagem em um só lugar. É característica do online a interatividade. Através dela o leitor consegue criticar, elogiar ou apenas fazer um comentário com muito mais rapidez do que se ele escrever uma “carta” para o jornal impresso. Essa troca acaba aproximando o leitor da notícia e fazendo com que ele se torne parte dela. Por isso, copiar e colar um texto que foi escrito para uma versão impressa não é considerado um tipo de jornalismo online. A web vai muito além disso.

O JORNALISMO ONLINE E SEUS DOIS LADOS

Uma matéria consegue ser aprofundada em qualquer tipo de mídia. No jornalismo online não é diferente. A única questão é que quem acessa a web buscando notícia, na maioria das vezes, quer ter uma visão geral dos fatos que vão influenciar a sua vida nas próximas 24 horas. Quando o leitor abre a página da internet ele consegue fazer um panorama do que está acontecendo naquele dia e descartar o que não lhe interessa com uma facilidade muito maior do que se ele estivesse com as folhas de jornal abertas em seu sofá. Jornalismo na web é velocidade, objetividade, é informação em primeira mão.
As matérias produzidas no online entram e saem de cena com muita rapidez. É preciso que o leitor tenha consciência de que o que está sendo escrito na página da internet tem uma credibilidade muito menor do que a informação que chegará até a sua casa no dia seguinte. Isso porque houve um tempo muito maior para que a notícia fosse apurada. Em alguns casos, na luta pela agilidade da informação, os erros de português se tornam até frequentes.   
A estudante de jornalismo, Carolina Pereira, garante que a mídia online supre suas necessidades diárias pela informação com muito mais eficácia do que o jornal impresso.
“Acordo muito cedo para chegar até a faculdade e não tenho tempo de parar para ler o jornal impresso. Com o uso do Iphone eu consigo ter a informação do meu lado, o tempo todo. Acredito que a Globo.com me ofereça a quantidade necessária de informações para o meu dia a dia. Acho que a tendência é que as pessoas utilizem cada vez mais esse tipo de mídia, mesmo com todos os erros de apuração que ela pode nos oferecer”, disse.

A internet fez com que outros tipo de mídias surgissem. A Mídia Ninja nos foi revelada pelas manifestações que aconteceram em junho e o seu papel está sendo muito discutida por jornalistas (leia mais na coordenada). Mas é indiscutível que é mais uma maneira de informar ao público o que está acontecendo.

O papel do jornalismo na Revolução Digital
     As manifestações de junho revelaram ao País, a Mídia Ninja , jovens que atuam, através de smartphones, na divulgação de informações que muitas vezes não é passada pela grande mídia. 
     Durante todos os dias de protesto, a mídia Ninja conseguiu se aproximar dos jovens que lutavam por seus direitos e dos policiais que tentavam reprimir esses mesmos jovens. Tudo isso foi à tona nas redes sociais, a população pela primeira vez conseguiu ter acesso ao real, ao vídeo sem cortes, sem nenhum tipo de edição. Os fatos que sempre foram ocultos e que hoje são evidenciados por essa nova mídia fizeram com que as pessoas parassem para refletir e discutissem sobre o verdadeiro papel do jornalismo. A grande dúvida é se a edição de imagens interfere positiva ou negativamente na reprodução do conteúdo.
      Os integrantes da Mídia Ninja acreditam que há uma crise na imprensa clássica e esse novo tipo de jornalismo pode estar complementando a limitação da cobertura dos grandes jornais. Para eles, a Revolução digital possibilitou que a cobertura de fatos possa ser feita por qualquer pessoa que tiver um aparelho que consiga fazer a gravação de um caso, ou seja, o jornalismo é muito mais acessível do que as grandes redações parecem ser.
     A estudante de jornalismo, Gisele Martins, está acampada no movimento “Ocupa Cabral” e disse que reconhece o valor da Mídia Ninja, apesar de achar que o verdadeiro jornalismo deve ser imparcial.  
    “Acredito que a Mídia Ninja tem dois lados. Por um lado, gosto do trabalho, pois eles conseguem mostrar tudo aquilo que a TV não mostra. Por outro, eles se preocupam muito em mostrar a notícia de apenas um lado. Para mim, a Mídia Ninja é mais um canal do youtube que consegue propagar a notícia de um jeito não usual, mas eles só vão fazer jornalismo quando eles mostrarem os dois lados”, disse. 
    Jornalista é aquele que consegue se afastar do fato. Isso justifica o uso de helicópteros e o distanciamento da grande mídia na cobertura desses protestos. Cabe as redações, ouvir os dois lados da história e tentar usufruir desse recurso que a Mídia Ninja oferece sem ferir o grande princípio do jornalismo: a imparcialidade. 


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