Leitor
opta cada vez mais pela interatividade e pela rapidez, características do
jornalismo online
Raquel Ribeiro
Produzir
jornalismo online vai muito além de disponibilizar as versões de jornais
impressos na web. É preciso ter cuidado para que ele não se confunda com os
outros tipos de jornalismo que sempre foram tão claros na cabeça do leitor. A
grande diferença entre os dois está em seu conteúdo. Mas o papel do jornalismo
continua sendo o mesmo: informar ao público. A maneira que vamos apresentar a
notícia aos leitores vai variar de veículo para veículo. Cabe ao leitor decidir
qual o caminho que ele vai escolher para chegar até a informação. Isso passa principalmente
pelo gosto pessoal de cada um.
O jornalismo na web exige gráficos, animações,
elementos interativos que jamais serão vistos em uma versão impressa. Nesse
caso, há uma convergência de mídias: texto, som e imagem em um só lugar. É
característica do online a interatividade. Através dela o leitor consegue
criticar, elogiar ou apenas fazer um comentário com muito mais rapidez do que
se ele escrever uma “carta” para o jornal impresso. Essa troca acaba aproximando
o leitor da notícia e fazendo com que ele se torne parte dela. Por isso, copiar
e colar um texto que foi escrito para uma versão impressa não é considerado um
tipo de jornalismo online. A web vai muito além disso.
O JORNALISMO ONLINE E SEUS DOIS LADOS
Uma
matéria consegue ser aprofundada em qualquer tipo de mídia. No jornalismo
online não é diferente. A única questão é que quem acessa a web buscando
notícia, na maioria das vezes, quer ter uma visão geral dos fatos que vão
influenciar a sua vida nas próximas 24 horas. Quando o leitor abre a página da
internet ele consegue fazer um panorama do que está acontecendo naquele dia e
descartar o que não lhe interessa com uma facilidade muito maior do que se ele
estivesse com as folhas de jornal abertas em seu sofá. Jornalismo na web é
velocidade, objetividade, é informação em primeira mão.
As
matérias produzidas no online entram e saem de cena com muita rapidez. É preciso
que o leitor tenha consciência de que o que está sendo escrito na página da
internet tem uma credibilidade muito menor do que a informação que chegará até
a sua casa no dia seguinte. Isso porque houve um tempo muito maior para que a
notícia fosse apurada. Em alguns casos, na luta pela agilidade da informação,
os erros de português se tornam até frequentes.
A
estudante de jornalismo, Carolina Pereira, garante que a mídia online supre
suas necessidades diárias pela informação com muito mais eficácia do que o
jornal impresso.
“Acordo
muito cedo para chegar até a faculdade e não tenho tempo de parar para ler o
jornal impresso. Com o uso do Iphone eu consigo ter a informação do meu lado, o
tempo todo. Acredito que a Globo.com me ofereça a quantidade necessária de
informações para o meu dia a dia. Acho que a tendência é que as pessoas
utilizem cada vez mais esse tipo de mídia, mesmo com todos os erros de apuração
que ela pode nos oferecer”, disse.
A
internet fez com que outros tipo de mídias surgissem. A Mídia Ninja nos foi
revelada pelas manifestações que aconteceram em junho e o seu papel está sendo
muito discutida por jornalistas (leia mais na coordenada). Mas é indiscutível
que é mais uma maneira de informar ao público o que está acontecendo.
O papel do jornalismo na Revolução Digital
As manifestações de junho revelaram ao País, a Mídia
Ninja , jovens que atuam, através de smartphones, na divulgação de informações
que muitas vezes não é passada pela grande mídia.
Durante todos os dias de protesto, a mídia Ninja
conseguiu se aproximar dos jovens que lutavam por seus direitos e dos policiais
que tentavam reprimir esses mesmos jovens. Tudo isso foi à tona nas redes
sociais, a população pela primeira vez conseguiu ter acesso ao real, ao vídeo sem
cortes, sem nenhum tipo de edição. Os fatos que sempre foram ocultos e que hoje
são evidenciados por essa nova mídia fizeram com que as pessoas parassem para
refletir e discutissem sobre o verdadeiro papel do jornalismo. A grande dúvida
é se a edição de imagens interfere positiva ou negativamente na reprodução do
conteúdo.
Os integrantes da Mídia Ninja acreditam que há uma crise
na imprensa clássica e esse novo tipo de jornalismo pode estar complementando a
limitação da cobertura dos grandes jornais. Para eles, a Revolução digital
possibilitou que a cobertura de fatos possa ser feita por qualquer pessoa que
tiver um aparelho que consiga fazer a gravação de um caso, ou seja, o
jornalismo é muito mais acessível do que as grandes redações parecem ser.
A estudante de
jornalismo, Gisele Martins, está acampada no movimento “Ocupa Cabral” e disse
que reconhece o valor da Mídia Ninja, apesar de achar que o verdadeiro
jornalismo deve ser imparcial.
“Acredito que a
Mídia Ninja tem dois lados. Por um lado, gosto do trabalho, pois eles conseguem
mostrar tudo aquilo que a TV não mostra. Por outro, eles se preocupam muito em
mostrar a notícia de apenas um lado. Para mim, a Mídia Ninja é mais um canal do
youtube que consegue propagar a notícia de um jeito não usual, mas eles só vão
fazer jornalismo quando eles mostrarem os dois lados”, disse.
Jornalista é
aquele que consegue se afastar do fato. Isso justifica o uso de helicópteros e
o distanciamento da grande mídia na cobertura desses protestos. Cabe as
redações, ouvir os dois lados da história e tentar usufruir desse recurso que a
Mídia Ninja oferece sem ferir o grande princípio do jornalismo: a
imparcialidade.
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