Quais as
causas e as consequências da informação obtida pela web e pelo jornal?
O
jornalismo vive uma fase de mudanças, de adaptações às novas tecnologias,
chamado de pós-industrial. A maneira como elas acontecerão ainda são incertas,
mas não restam dúvidas que elas têm que acontecer para o ofício sobreviver.
Sabe-se que essa transição não vai ser simplesmente abandonar o papel e passar
para internet.
Vários
jornais impressos já foram à falência, caso do “Jornal do Brasil” que ficou
apenas com a versão online. Por essa razão ocorreram muitos cortes. De acordo
com um levantamento do site Comunique-se, no ano de 2012
acorreram 1.200 demissões de
jornalistas, e a expectativa este ano aumente mais ainda.
O que faz do mercado ainda mais competitivo e menor.
A
crise no jornalismo impresso
Os
leitores do impresso e do online esperam encontrar as notícias em formatos
diferentes. Uma pesquisa da Universidade da
Georgia, nos EUA, sobre os graduandos em jornalismo do ano de 2012, mostrou que
sete entre 10 estudantes preferiam ler as notícias em portais digitais ou redes
sociais em vez da mídia impressa. É o caso de João Victor Fiuza, de 21
anos, estudante de jornalismo da PUC-Rio.
“O
jornal online é de fácil acesso, além de ser muito mais prático que o impresso,
que é difícil de ser manuseado. Só leio o papel no domingo, quando tenho mais
tempo de parar, sentar e ler”, explica Fiuza.
Além
disso, os portais da internet também têm a vantagem do público poder dialogar
com quem escreve a matéria. Essa interação atrai o leitor, que recebe uma
resposta, e ajuda o jornalista a melhorar seu texto e, a saber o que o agrada
mais.
Para Roosevelt de Holanda, de 68 anos,
jornalista aposentado, os sites da web não têm tanta preocupação com a
qualidade da escrita o importante é publicar a notícia rápido.
“A diferença básica entre uma notícia na web e no impresso
se dá com base no tempo que cada veículo dispensa ao tratamento da notícia. A web,
a exemplo da TV, é mais instantânea e por isso mesmo mais superficial”, completa
Holanda.
Segundo Suely Caldas, colunista do Estadão, o julgamento do mensalão foi
dado de forma muito mais completa no impresso do que no online.
“No papel, você encontra todas as informações sobre
o julgamento, de forma concisa. Além do que aconteceu, informações úteis sobre
o assunto também são agregadas como, por exemplo, quem será o novo juiz relator
julgamento. O leitor é mais exigente, quer mais informações”, defende Suely.
O público que compra o jornal nas bancas ainda gosta
do ritual de tomar café da manhã ao mesmo tempo em que lê um exemplar e reflete
sobre o assunto lido. E ainda hoje o impresso é o que sustenta o online. A
publicidade dos portais na web ainda não é suficiente para bancar toda redação de
um jornal grande. Os anúncios publicados no papel valem muito mais do que os na
internet.
A chamada mídia alternativa trouxe uma nova forma de
se assistir aos protestos. Como nem sempre podemos acompanhar ao vivo as
manifestações pelas grandes emissoras nem mesmo pela internet, a Mídia Ninja acrescentou
uma nova forma de informar. O leitor consegue observar imagens dos protestos
capturadas por smartphones. Também se tem uma visão diferente das notícias por
meio da Pós-Tv, Vidigal blog, nova democracia, sites “alternativos”.
O
valor do trabalho feito pela Mídia Ninja
A onda de manifestações, que começou em
junho desse ano e dura até hoje, mostrou ao Brasil uma nova forma de transmitir
imagens ao vivo. A Mídia Ninja ficou conhecida desde então por exibir imagens
desses acontecimentos em tempo real, sem cortes, nem edições através de
smartphones.
Os ninjas surgiram a
partir do trabalho da Casa Fora do Eixo, um conjunto de artistas e produtores
culturais, de São Paulo. Um núcleo de comunicação foi criado para divulgar os
projetos, em 2009. Eles já transmitiam manifestações como a Marcha da Maconha e
das Vadias antes de 2013, mas só agora ficaram conhecidos.
A Mídia Ninja ganha
cada vez mais apoio dos participantes de protestos. É o caso do movimento Ocupa
Cabral, que pede o impeachment do governador Sérgio Cabral com barracas e
cartazes, na Avenida Delfim Moreira, esquina com a Rua Aristides Espínola, e já
dura 38 dias. Os manifestantes apoiam a ação dos ninjas e até os protegem, mas
tratam com raiva e até expulsam repórteres de outras emissoras que vão cobrir
os atos.
Para o manifestante do
movimento Ocupa Cabral Vera Punk, de 20 anos, recreador familiar, os ninjas
mostram a verdade, sem manipulação.
“A mídia como a Globo,
a Record, RedeTV!, SBT, segundo o ibope, mostram o que eles acham que vai dar
dinheiro, a Mídia Ninja não, ela mostra a verdade. As outras emissoras mentem,
mostram coisas que aconteceram há três ou quatro meses como se fosse agora”,
defende Punk.
Já
Roberto Freire, de 23 anos, também participante do movimento e tatuador, apesar
de ser a favor dos ninjas não considera o trabalho deles jornalismo.
“Eles só mostram um
lado, o nosso lado. O que para gente é bom, mas não é para quem quer saber os
dois lados. Jornalismo para crescer tem que ser imparcial”, explica Freire.
O debate sobre a Mídia
Ninja segue e a incerteza sobre o futuro dela também. Ainda há muito a se fazer
para melhorar a informação levada para os espectadores, começando pela
qualidade das imagens que são exibidas pelos ninjas. Os jornalistas também se
perguntam como eles vão se sustentar se esse trabalho for adiante.
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