terça-feira, 22 de outubro de 2013

A batalha do impresso versus o online

No meio de uma revolução da informação, profissionais da área de   comunicação falam sobre os prós e contras da nova e da velha mídia
Luana Montone

     Os cidadãos se dividem entre os que apostam na perenidade do jornal em versão de papel e os que preveem o seu total desaparecimento. Há quem acredite que os jornais convencionais não sobreviverão ao próximo século. Outros afirmam que a internet não representa uma ameaça às publicações impressas e que nenhuma tecnologia vai superar o conforto que um jornal proporciona aos leitores.
     Segundo Lula Branco Martins, jornalista da revista Veja Rio e professor da PUC-Rio, muitos são os prós e os contras da mídia online e da mídia imprensa “No online, contamos rapidamente as coisas, por isso, tenho a impressão de que elas ficam soltas e boiando. No papel, podemos ser mais profundos e analíticos. O meio digital ainda não tem a mesma credibilidade”, disse ele. Prova disso, é a notícia dada no site do G1, na terça feira, dia 24, sobre a denúncia feita pela Presidente Dilma Rousseff contra a espionagem dos EUA, que também foi dada pelo jornal O Globo, na quarta feira, dia 25. Apesar de falarem sobre o mesmo assunto, há muitas diferenças entre as duas matérias. A do site é clara e pouco analítica e a do jornal ocupa uma página inteira com opiniões, detalhes e desdobramentos.

Informação rápida para uma sociedade sem tempo

     Entretanto, não se pode negar o fato de que um jornalismo completa o outro. No online, a proposta é de publicar textos resumidos e diretos, para acompanhar a agilidade e rapidez que o meio exige. Em contrapartida, o impresso é composto por textos maiores e mais detalhados, voltados às pessoas que têm um pouco mais de tempo para a leitura. Para o professor de mídias globais da PUC-Rio Aloizio Alves Filho, a sociedade procura se informar pela internet devido à falta de tempo. “As pessoas não leem mais jornal durante a semana, porque a vida está muito corrida. A notícia online é mais simples. Eu mesmo, só leio jornal aos domingos”, contou ele.
     Outro fato é que a internet tem a vantagem da velocidade, que expõe o fato “quente” e as notícias podem ser atualizadas várias vezes durante o dia. Além disso, os leitores podem ter acesso em qualquer lugar do mundo. Por outro lado, a instantaneidade põe em dúvida a veracidade dos fatos. A todo o momento saem notas falsas informando acidentes e mortes de personalidades. Atualmente, muitos veículos impressos estão migrando para o ambiente virtual, colocando conteúdos exclusivos para a rede, uma vez que perceberam a necessidade do “furo de redação” e não mais uma cópia da notícia do meio impresso.
     As mídias tradicionais sempre tiveram uma interação nas seções de cartas dos leitores, mas é no jornalismo online que esta interação ganhou força e espaço devido aos comentários em tempo real. Nas recentes manifestações pelo Brasil, foi possível acompanhar um novo jornalismo feito pela mídia Ninja. Além dela, outras mídias alternativas, como o Vidigal Blog, também contribuíram para as transmissões ao vivo. De acordo com a estudante de artes cênicas Amanda Paesler, de 20 anos, que participou do Ocupa Cabral, o Vidigal Blog cobria todo o movimento quando a mídia Ninja não estava presente. “Eles não deixaram passar nada, fizeram e continuam fazendo um bom jornalismo”, disse ela.
     As opiniões são muitas. A internet poderá até acabar com o papel, mas não com o jornalismo. Independentemente do recurso que é usado, a informação chegará até o leitor. Segundo a jornalista do canal GNT, Odília Almeida, as mídias estão passando por transformações e a sociedade deve acompanha-las. “Meu pai tem 77 anos e há cinco deixou de assinar O Globo de papel. Acorda às seis da manhã e vai para o computador, para ler tudo online. E assim, veja só, ele fica sabendo das coisas antes de sua filha jornalista”, contou ela.


O caráter da mídia Ninja

Jovens estudantes com ideias esquerdistas e não partidárias. Pessoas de baixa renda e de classe média alta. Moradores de rua e da favela. Todos com o objetivo de "Ocupar para cobrar e cobrar para mudar", trecho do Ocupa Cabral em sua própria página nas redes sociais. O protesto que ocupa a frente do prédio do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, há 39 dias, parece não ter uma previsão para terminar e recebe o apoio da mídia Ninja.
"Sempre tem alguém da mídia Ninja aqui. Eles se revezam para cobrir qualquer coisa que aconteça, ao vivo", disse a estudante Mayara, de 17 anos. "Eu acho que eles nos ajudam bastante, fazem o papel da Globo para gente, mas são revolucionários e o grande problema das pessoas revolucionárias é a falta de diálogo. É sempre o que eles pensam, não tem dois lados.", disse ela. Já o jornalista Roberto Honório, de 24 anos, comentou da alienação que as mídias causam em muitas pessoas. "Muita gente fala que a Globo aliena, mas são elas que se deixam alienar a partir do momento que pegam um ponto de vista e aceitam sem questionar. A mídia Ninja também aliena. Muitas pessoas só aceitam o que ela fala. Não concordo com isso", contou ele.
Segundo a estudante de história Patrícia Barreto, de 19 anos, é preciso saber o que é mídia Ninja de verdade. “Tem que ver o que as pessoas veem como mídia Ninja, porque tudo que é transmitido na internet agora, principalmente no twitter, vem acompanhado da hashtag ninja”, disse a estudante. O jornalista Roberto também tem dúvidas sobre quem faz parte do grupo. “Eu não sei quantas pessoas fazem parte da mídia Ninja. Eu sempre fiquei com o pé atrás, não quero ser manipulado e direcionado por um caminho que eles querem e determinam”, disse ele. Já a estudante de artes cênicas Amanda Paesler, de 20 anos, confia totalmente na mídia Ninja. “Eu sou fã do trabalho deles. Tudo que a gente faz aqui, eles mostram com a verdade. Apesar de muitas pessoas criticarem, eu acredito que o que eles fazem é jornalismo”, afirmou ela.

Apesar da grande mobilização da população e das transmissões feitas ao vivo pela mídia Ninja, a maioria das reivindicações não foram atendidas. "Debocharam da gente. É um descaso político muito grande. As principais mídias não fizeram nada para nos ajudar. Elas criticam a mídia Ninja porque não sabem fazer jornalismo de verdade, só sabem manipular", disse Patrícia. Por conta disso, muitos jovens optaram por deixar o movimento. "Muita gente desistiu porque não viu resultado. Até eu já cheguei a ter problemas psicológicos. Fiquei revoltado. A vontade que dava era de sair quebrando tudo mesmo", concluiu Roberto.

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