No meio de uma revolução da informação, profissionais da
área de comunicação falam sobre os prós
e contras da nova e da velha mídia
Luana Montone
Os
cidadãos se dividem entre os que apostam na perenidade do jornal em versão de
papel e os que preveem o seu total desaparecimento. Há quem
acredite que os jornais convencionais não sobreviverão ao próximo século.
Outros afirmam que a internet não representa uma ameaça às publicações impressas
e que nenhuma tecnologia vai superar o conforto que um jornal proporciona aos
leitores.
Segundo Lula Branco Martins,
jornalista da revista Veja Rio e
professor da PUC-Rio, muitos são os prós e os contras da mídia online e da
mídia imprensa “No online, contamos rapidamente as coisas, por isso, tenho a
impressão de que elas ficam soltas e boiando. No papel, podemos ser mais
profundos e analíticos. O meio digital ainda não tem a mesma credibilidade”,
disse ele. Prova disso, é a notícia dada no site do G1, na terça
feira, dia 24, sobre a denúncia feita pela Presidente Dilma Rousseff contra a
espionagem dos EUA, que também foi dada pelo jornal O Globo, na quarta feira, dia 25. Apesar de falarem sobre o mesmo
assunto, há muitas diferenças entre as duas matérias. A do site é clara e pouco
analítica e a do jornal ocupa uma página inteira com opiniões, detalhes e
desdobramentos.
Informação rápida para uma sociedade sem tempo
Entretanto, não se pode negar o
fato de que um jornalismo completa o outro. No online, a proposta é de
publicar textos resumidos e diretos, para acompanhar a agilidade e rapidez que
o meio exige. Em contrapartida, o impresso é composto por textos maiores e mais
detalhados, voltados às pessoas que têm um pouco mais de tempo para a leitura. Para
o professor de mídias globais da PUC-Rio Aloizio Alves Filho, a sociedade procura
se informar pela internet devido à falta de tempo. “As pessoas não leem mais
jornal durante a semana, porque a vida está muito corrida. A notícia online é
mais simples. Eu mesmo, só leio jornal aos domingos”, contou ele.
Outro fato é que a internet tem
a vantagem da velocidade, que expõe o fato “quente” e as notícias podem ser
atualizadas várias vezes durante o dia. Além disso, os leitores podem ter
acesso em qualquer lugar do mundo. Por outro lado, a instantaneidade põe em
dúvida a veracidade dos fatos. A todo o momento saem notas falsas informando
acidentes e mortes de personalidades. Atualmente, muitos
veículos impressos estão migrando para o ambiente virtual, colocando conteúdos
exclusivos para a rede, uma vez que perceberam a necessidade do “furo de
redação” e não mais uma cópia da notícia do meio impresso.
As mídias
tradicionais sempre tiveram uma interação nas seções de cartas dos leitores,
mas é no jornalismo online que esta interação ganhou força e espaço devido aos
comentários em tempo real. Nas recentes manifestações pelo Brasil, foi possível
acompanhar um novo jornalismo feito pela mídia Ninja. Além dela, outras mídias
alternativas, como o Vidigal Blog, também contribuíram para as transmissões ao
vivo. De acordo com a estudante de artes cênicas Amanda Paesler, de 20 anos,
que participou do Ocupa Cabral, o Vidigal Blog cobria todo o movimento quando a
mídia Ninja não estava presente. “Eles não deixaram passar nada, fizeram e
continuam fazendo um bom jornalismo”, disse ela.
As opiniões são muitas. A internet
poderá até acabar com o papel, mas não com o jornalismo. Independentemente do
recurso que é usado, a informação chegará até o leitor. Segundo a jornalista do
canal GNT, Odília Almeida, as mídias estão passando por transformações e a
sociedade deve acompanha-las. “Meu pai tem 77 anos e há cinco deixou de assinar
O Globo de papel. Acorda às seis da
manhã e vai para o computador, para ler tudo online. E assim, veja só, ele fica
sabendo das coisas antes de sua filha jornalista”, contou ela.
O caráter da mídia Ninja
Jovens
estudantes com ideias esquerdistas e não partidárias. Pessoas de baixa renda e
de classe média alta. Moradores de rua e da favela. Todos com o objetivo de
"Ocupar para cobrar e cobrar para mudar", trecho do Ocupa Cabral em
sua própria página nas redes sociais. O protesto que ocupa a frente do prédio
do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, há 39 dias, parece não ter uma
previsão para terminar e recebe o apoio da mídia Ninja.
"Sempre
tem alguém da mídia Ninja aqui.
Eles se revezam para cobrir qualquer coisa que aconteça, ao vivo", disse a
estudante Mayara, de 17 anos. "Eu acho que eles nos ajudam bastante, fazem
o papel da Globo para gente, mas são revolucionários e o grande problema
das pessoas revolucionárias é a falta de diálogo. É sempre o que eles pensam,
não tem dois lados.", disse ela. Já o jornalista Roberto Honório, de 24
anos, comentou da alienação que as mídias causam em muitas pessoas. "Muita
gente fala que a Globo aliena, mas são elas que se deixam alienar a
partir do momento que pegam um ponto de vista e aceitam sem questionar. A mídia Ninja também aliena. Muitas
pessoas só aceitam o que ela fala. Não concordo com isso", contou ele.
Segundo a
estudante de história Patrícia Barreto, de 19 anos, é preciso saber o que é mídia
Ninja de verdade. “Tem que ver o que as pessoas veem como mídia Ninja, porque
tudo que é transmitido na internet agora, principalmente no twitter, vem
acompanhado da hashtag ninja”, disse a estudante. O jornalista Roberto também tem
dúvidas sobre quem faz parte do grupo. “Eu não sei quantas pessoas fazem parte
da mídia Ninja. Eu sempre fiquei com o pé atrás, não quero ser manipulado e
direcionado por um caminho que eles querem e determinam”, disse ele. Já a
estudante de artes cênicas Amanda Paesler, de 20 anos, confia totalmente na mídia
Ninja. “Eu sou fã do trabalho deles. Tudo que a gente faz aqui, eles mostram
com a verdade. Apesar de muitas pessoas criticarem, eu acredito que o que eles
fazem é jornalismo”, afirmou ela.
Apesar da
grande mobilização da população e das transmissões feitas ao vivo pela mídia
Ninja, a maioria das reivindicações não foram atendidas. "Debocharam da
gente. É um descaso político muito grande. As principais mídias não fizeram
nada para nos ajudar. Elas criticam a mídia Ninja porque não sabem fazer
jornalismo de verdade, só sabem manipular", disse Patrícia. Por conta
disso, muitos jovens optaram por deixar o movimento. "Muita gente desistiu
porque não viu resultado. Até eu já cheguei a ter problemas psicológicos. Fiquei
revoltado. A vontade que dava era de sair quebrando tudo mesmo", concluiu
Roberto.
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