Com o webjornalismo mais forte o jornal impresso
precisa se adaptar ainda mais
Ana Carolina Bessa
O
jornal impresso continua perdendo público gradativamente e precisa rever sua estrutura. Para o professor de Mídias
Globais da PUC – Rio, Luiz Léo, a sobrevivência da mídia já é um desafio a seus
produtores.
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Os jornais tenderão a se aproximar mais do que já fazem as revistas. O desafio
é fazer o tratamento mais cuidadoso dos fatos, oprimidos pela periodicidade
diária – constatou o professor.
O
contemporâneo mundo globalizado trouxe a internet ao grande público. Esse
advento tecnológico está em constante mutação e transformou o jornalismo diário
e tradicional que a família real trouxe ao Brasil. Desde 1990 o brasileiro vem
aprendendo a ter a internet em seu dia a dia e foi se adaptando às mudanças
sociais acarretadas por ela.
Os
meios tradicionais tiveram que migrar para o online, e essa mudança foi
gradativa. Hoje, praticamente todos os veículos de comunicação tem uma
plataforma online. Alguns telejornais e programas de rádio são transmitidos em
tempo real ou postados na integra. Jornais impressos disponibilizam para seus
assinantes uma versão online, exatamente igual a que está nas bancas. Essa foi
a primeira forma encontrada pelos donos dos jornais na tentativa de se adequar
a nova mídia, e não perder parte de seu público.
Com
a migração do impresso para o online surgiram os portais de notícia, meio por
onde a maioria das pessoas se informa atualmente. A propaganda também está nos
sites, gerando lucro as empresa assim como nas propagandas impressas. Essa
mudança de plataforma deu uma sobrevida aos jornalistas que produzem os jornais
impressos.
NOVAS MUDANÇAS
O
jornalismo feito especificamente para os sites tem particularidades. A rapidez
da informação é marcada pela superficialidade inicial, mas tem a vantagem que o
jornal impresso não tem. Thomás Milhazes tem de 22 anos, e é estagiário no site
da Band Rio, ele acredita que o poder de atualização da internet atrai mais
leitores.
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Atualizar é uma ferramenta interessante
comercialmente, deixa o leitor esperando pelas novidades, atraindo mais acessos
para o site - disse Thomás.
O professor Luiz Leo conta que evita os sites de notícia, mas
busca a versão online dos jornais. Para ele, o impresso não tem condições de concorrer com o
virtual.
- Não existe alternativa de sobrevivência para
um meio impresso, senão integrar-se à rede – afirmou o professor.
A
futura jornalista Roberta Oliveira, de 20 anos, acredita que além de modificar
a forma de fazer jornalismo a internet encurtou a data de validade das
notícias.
- O que antes era
uma matéria quente, hoje é dado em tempo real. Isso dificulta o jornalismo de
hardnews do impresso, que acaba sendo atropelado pelo dinamismo da internet -
afirmou Roberta.
Cada
meio tem a sua linguagem: o rádio informa com do som, a televisão pela imagem,
os jornais através do texto, e a internet consegue unir isso tudo. A partir
desse conceito, a internet modificou todos os meios, cada um de uma forma. A Mídia Ninja, com
sua transmissão em tempo real, é um grande exemplo de uma nova forma de
jornalismo online. (Leia mais: Conflito de
poderes: mídia versus mídia)
Os
donos de jornais sentiram no bolso todas as transformações que a internet
trouxe, todos os veículos tiveram que investir em sites. Mas o webjornalismo ainda terá que conquistar a
credibilidade do impresso para superá-lo totalmente. A vantagem do impresso
continua adequando a noticia ao decorrer do dia. O jornal O Globo publicou do
dia 25 de setembro uma reportagem sobre a 68a Assembleia Geral das
Nações Unidas. Na versão online estava a mesma base veiculada de manhã pelo
impresso, porém atualizada, deixando o texto um pouco mais leve, dinâmico e
completo.
Conflito
de poderes: mídia versus mídia.
Final de uma tarde de domingo. Há mais de dois meses manifestantes
vivem em barracas em frente à esquina das Ruas Delfim Moreira e Aristides
Espínola, no Leblon, onde vive o governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral.
Naquele momento, por volta das 16h30, um grupo de 30 pessoas estava
reunido, entre elas a Black Bloc Emma.
Com o grupo estavam moradores e visitantes de todas as
idades. A polícia marcava presença com cinco viaturas fixas. O ambiente era de
paz, mesmo causando a indignação dos moradores que dizem já não ver sentido
nessa forma de protesto. "Tem muito tempo que eles estão ai, e mudou alguma
coisa? Não”, expressa a psicóloga Sabrina Shuave, de 37 anos.
Já representantes do grupo acreditam na força do
movimento e em uma possível mudança no cenário político nacional, com isso foi
unânime a afirmação de que a Mídia Ninja é uma forma de fazer jornalismo. "A
mídia tradicional tem criminalizado o movimento, tem distorcido os fatos para
não mostrar a verdade. Mas também acho que a Mídia Ninja é tendenciosa para o
lado dos manifestantes", diz a manifestante Luiza Dreyer, de 22 anos,
estudante de Comunicação.
Emma, de 20 anos, está acampada há 32 dias, e acredita
que não só a Mídia Ninja como outras mídias independentes são importantes para
mostrar a autenticidade do movimento, mas quando questionada sobre o
crescimento da Mídia Ninja Emma diz: "Depender de recursos eles já
dependem. O problema é continuar se mantendo em cima disso, acho que mesmo que
cresçam podem continuar trabalhando assim. Sem que precisem se vender ou fazer
qualquer tipo de conchavo”.
Henrique Rodrigues, manifestante de 19 anos, exalta a
mídia alternativa e critica a ação da polícia. “Como sempre a mídia está
manipulando as coisas. A Mídia Ninja está lá na linha de frente com a gente
mostrando a covardia que eles fazem.” Já Renata Costa, de 28 anos, moradora do
Leblon, diz que não acompanha a Mídia Ninja, mas reconhece o trabalho. “Acho
que com a proposta que eles têm, se entrarem no formato do jornalismo
tradicional, acabam”.
Dez policiais militares estavam próximos a casa do
governado. Quando questionados disseram não ter permissão para expressar suas
opiniões sobre as manifestações e as novas mídias.
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