terça-feira, 22 de outubro de 2013

A globalização obriga uma mudança imediata na forma de fazer jornalismo

Com o webjornalismo mais forte o jornal impresso precisa se adaptar ainda mais

 Ana Carolina Bessa 
O jornal impresso continua perdendo público gradativamente e precisa rever  sua estrutura. Para o professor de Mídias Globais da PUC – Rio, Luiz Léo, a sobrevivência da mídia já é um desafio a seus produtores.
- Os jornais tenderão a se aproximar mais do que já fazem as revistas. O desafio é fazer o tratamento mais cuidadoso dos fatos, oprimidos pela periodicidade diária – constatou o professor.

O contemporâneo mundo globalizado trouxe a internet ao grande público. Esse advento tecnológico está em constante mutação e transformou o jornalismo diário e tradicional que a família real trouxe ao Brasil. Desde 1990 o brasileiro vem aprendendo a ter a internet em seu dia a dia e foi se adaptando às mudanças sociais acarretadas por ela.

Os meios tradicionais tiveram que migrar para o online, e essa mudança foi gradativa. Hoje, praticamente todos os veículos de comunicação tem uma plataforma online. Alguns telejornais e programas de rádio são transmitidos em tempo real ou postados na integra. Jornais impressos disponibilizam para seus assinantes uma versão online, exatamente igual a que está nas bancas. Essa foi a primeira forma encontrada pelos donos dos jornais na tentativa de se adequar a nova mídia, e não perder parte de seu público.

Com a migração do impresso para o online surgiram os portais de notícia, meio por onde a maioria das pessoas se informa atualmente. A propaganda também está nos sites, gerando lucro as empresa assim como nas propagandas impressas. Essa mudança de plataforma deu uma sobrevida aos jornalistas que produzem os jornais impressos.
NOVAS MUDANÇAS

O jornalismo feito especificamente para os sites tem particularidades. A rapidez da informação é marcada pela superficialidade inicial, mas tem a vantagem que o jornal impresso não tem. Thomás Milhazes tem de 22 anos, e é estagiário no site da Band Rio, ele acredita que o poder de atualização da internet atrai mais leitores.
- Atualizar é uma ferramenta interessante comercialmente, deixa o leitor esperando pelas novidades, atraindo mais acessos para o site - disse Thomás.

O professor Luiz Leo conta que evita os sites de notícia, mas busca a versão online dos jornais. Para ele, o impresso não tem condições de concorrer com o virtual.
 - Não existe alternativa de sobrevivência para um meio impresso, senão integrar-se à rede – afirmou o professor.

A futura jornalista Roberta Oliveira, de 20 anos, acredita que além de modificar a forma de fazer jornalismo a internet encurtou a data de validade das notícias.
  - O que antes era uma matéria quente, hoje é dado em tempo real. Isso dificulta o jornalismo de hardnews do impresso, que acaba sendo atropelado pelo dinamismo da internet - afirmou Roberta.

Cada meio tem a sua linguagem: o rádio informa com do som, a televisão pela imagem, os jornais através do texto, e a internet consegue unir isso tudo. A partir desse conceito, a internet modificou todos os meios, cada um de uma forma.  A Mídia Ninja, com sua transmissão em tempo real, é um grande exemplo de uma nova forma de jornalismo online. (Leia mais: Conflito de poderes: mídia versus mídia)


Os donos de jornais sentiram no bolso todas as transformações que a internet trouxe, todos os veículos tiveram que investir em sites. Mas o webjornalismo ainda terá que conquistar a credibilidade do impresso para superá-lo totalmente. A vantagem do impresso continua adequando a noticia ao decorrer do dia. O jornal O Globo publicou do dia 25 de setembro uma reportagem sobre a 68a Assembleia Geral das Nações Unidas. Na versão online estava a mesma base veiculada de manhã pelo impresso, porém atualizada, deixando o texto um pouco mais leve, dinâmico e completo.

Conflito de poderes: mídia versus mídia.
Final de uma tarde de domingo. Há mais de dois meses manifestantes vivem em barracas em frente à esquina das Ruas Delfim Moreira e Aristides Espínola, no Leblon, onde vive o governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral. Naquele momento, por volta das 16h30,  um grupo de 30 pessoas estava reunido, entre elas a Black Bloc Emma.
Com o grupo estavam moradores e visitantes de todas as idades. A polícia marcava presença com cinco viaturas fixas. O ambiente era de paz, mesmo causando a indignação dos moradores que dizem já não ver sentido nessa forma de protesto. "Tem muito tempo que eles estão ai, e mudou alguma coisa? Não”, expressa a psicóloga Sabrina Shuave, de 37 anos. 
Já representantes do grupo acreditam na força do movimento e em uma possível mudança no cenário político nacional, com isso foi unânime a afirmação de que a Mídia Ninja é uma forma de fazer jornalismo. "A mídia tradicional tem criminalizado o movimento, tem distorcido os fatos para não mostrar a verdade. Mas também acho que a Mídia Ninja é tendenciosa para o lado dos manifestantes", diz a manifestante Luiza Dreyer, de 22 anos, estudante de Comunicação. 
Emma, de 20 anos, está acampada há 32 dias, e acredita que não só a Mídia Ninja como outras mídias independentes são importantes para mostrar a autenticidade do movimento, mas quando questionada sobre o crescimento da Mídia Ninja Emma diz: "Depender de recursos eles já dependem. O problema é continuar se mantendo em cima disso, acho que mesmo que cresçam podem continuar trabalhando assim. Sem que precisem se vender ou fazer qualquer tipo de conchavo”.
Henrique Rodrigues, manifestante de 19 anos, exalta a mídia alternativa e critica a ação da polícia. “Como sempre a mídia está manipulando as coisas. A Mídia Ninja está lá na linha de frente com a gente mostrando a covardia que eles fazem.” Já Renata Costa, de 28 anos, moradora do Leblon, diz que não acompanha a Mídia Ninja, mas reconhece o trabalho. “Acho que com a proposta que eles têm, se entrarem no formato do jornalismo tradicional, acabam”.
Dez policiais militares estavam próximos a casa do governado. Quando questionados disseram não ter permissão para expressar suas opiniões sobre as manifestações e as novas mídias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário