quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Impresso será focado no jornalismo investigativo



Para Leonel Aguiar, da PUC-Rio, plataforma digital não vai acabar com o impresso


Renan de Oliveira Rodrigues

Para Leonel Aguiar, da PUC-Rio, plataforma digital não vai acabar com o impresso
A crescente demanda por informação em meios digitais – aproximadamente 26% da população brasileira acessa a internet todos os dias, segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia divulgada em 2014 – associada às mudanças na sociedade, como a menor disponibilidade de tempo para a leitura do impresso, implica em transformações que exigem novas estratégias por parte das empresas detentoras de grandes títulos desse segmento. O impresso registrou queda na circulação de 1,9% em 2013, segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC), quando 4,43 milhões de jornais foram vendidos no país. Embora a internet seja apontada como o mal do segmento impresso, hoje, é fundamental possuir uma extensão do produto na web, afirma o editor-executivo do jornal O Globo, Pedro Dória.
Para ele, as mídias digitais estão cada vez mais presentes no dia a dia do consumidor. O editor de plataformas digitais do principal jornal carioca acredita na sintonia entre as duas mídias:
– O jornal impresso e o digital já são complementares, mas não só eles. O celular, a televisão, o rádio e as revistas também. Cada veículo oferece um modelo de informação adequado ao momento do leitor – argumenta Pedro Dória.
Assombrado com previsões pessimistas sobre o seu fim – o jornal impresso no Brasil vai desaparecer em 2027, segundo uma pesquisa da consultoria americana Future Exploration Network –, a corrente que acredita na extinção do veículo ainda encontra resistências. O coordenador do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, Leonel Aguiar, avalia que a plataforma digital potencializa o jornalismo já consolidado no país por “sólidas empresas jornalísticas”:
– Do mesmo jeito que o rádio não acabou com a TV, e essa com o cinema, a plataforma digital não vai acabar com os jornais impressos. Somente o avanço tecnológico, por si só, não substitui uma tecnologia mais antiga. É preciso ter fatores culturais envolvidos nisso para que ocorram mudanças. Eu acho que a plataforma digital veio potencializar o jornalismo enquanto forma narrativa – avalia o especialista.
Se, por um lado, acadêmicos e profissionais do mercado argumentam que as duas plataformas apresentam funções diferentes com papéis bem específicos, a sociedade, por outro, ainda passa por transformações que deixa nítido, na maioria dos casos, a falta de diálogo que cada mídia possui com um possível público-alvo.
Estudante do 5° período de economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Pedro Henrique Rodrigues, 20 anos, faz parte da geração que cresceu com a internet e considera o meio como a sua principal fonte de informação:
– Eu me informo basicamente pelo G1. Jornal mesmo eu só costumo ler umas duas vezes por semana, após a rodada do brasileirão, principalmente quando o Vasco ganha. Admito que devesse ler mais, porém, acho que isso é questão de hábito, que não tenho.
Do lado oposto ao estudante de economia, Marlene Miranda, 73 anos, representa uma parcela da sociedade que se acostumou ao meio:
– Leio jornal principalmente porque não sei usar o computador. As informações estão ali, desde o assunto mais importante do momento até o horário do filme que eu quero assistir. Eu consigo entender mais fácil o que está acontecendo no Brasil, em especial na política, que é um pouco confusa.

Aprofundamento e contextualização: estratégias do impresso


Enquanto portais noticiosos na internet apresentam características de veículos como rádio, em que a informação é passada naquele exato momento sem tempo para a reflexão, o jornal impresso deve apostar na apuração mais aprofundada, característica típica do impresso. Esse é o pensamento do professor de jornalismo investigativo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Leonel Aguiar. Ele defende que estas mídias devem assumir papeis mais específicos:
– A plataforma impressa será voltada ao jornalismo investigativo e à interpretação dos fatos, deixando o factual para a internet – analisa Aguiar.
Apesar da baixa leitura, os jornais colhem a confiança conquistada pela longa trajetória com a sociedade brasileira. De acordo com o Instituto Brasileiro de Opinião e Estatísticas (Ibope), embora seja pouco lido, o impresso possui confiança por parte de 53% dos brasileiros, maior inclusive que o rádio e a TV. Estes veículos possuem, respectivamente, 50% e 49% da confiança da população.
– O jornal impresso passa a sensação de confiança. A informação do rádio, por exemplo, é volátil. Se você deixar de ouvir por 10 minutos pode perder uma parte importante que ajude a entender o todo – afirma o microempresário Mauro Rodrigues.
Esses índices refletem, por exemplo, na veiculação de publicidade. Segundo a mesma pesquisa do instituto, as propagandas veiculadas no impresso contam com a confiança de 47% dos usuários. Os anúncios colocados no rádio e na TV apresentam confiança de 42%, seguida pela revista impressa, com 36% de credibilidade.


Razões para ler jtonal


Marlene Miranda, 73 anos Para a aposentada, a principal característica do jornal impresso é compilar todas as informações importantes, da política brasileira ao filme que está passando no momento.
Igor Novello, 20 anos – O estudante de jornalismo da PUC-Rio consome, como quase todas as pessoas da idade, informação em plataformas digitais. Porém, aponta que o impresso é fundamental pela capacidade de aprofundar os fatos, “especialmente nas edições de fim de semana”.

Mauro Rodrigues, 47 anos – O microempresário elege o jornal de papel como sua principal fonte de informações pela contextualização. Com a rotina corrida, é difícil estar atento a todos os assuntos. Assim, o impresso oferece a informação de melhor qualidade.
Bruna Perrônio, 20 anos – Estudante de engenharia, ela é leitora principalmente das edições publicadas aos fins de semana. Para ela, o jornal “reúne tudo que está acontecendo de importante” no Brasil e no mundo, ajudando na compreensão dos fatos.

Marilza Flor, 50 anos – Funcionária de RH, ela lê jornal, especialmente os especializados em economia, por ser fonte de uma matéria-prima rara: a informação a respeito da vida empresarial, como existe no jornal Valor Econômico.

O fim da era do papel e início da geração digital


 O jornal está passando por transformações. Será que vai sobreviver à nova era?

Lívia Hespanhol

O jornal impresso passa por uma grande crise com o avanço da tecnologia, principalmente da internet. Uma pesquisa americana realizada pela Future Exploration Network afirma que o jornal em seu formato original está com os dias contados. E sua morte no Brasil já possui data: o ano de 2027. Outros países também são citados nas pesquisas, o desaparecimento nos Estados Unidos acontecerá mais cedo em 2017 e na Argentina apenas em 2039. Os americanos já perderam desde 2008 mais de 200 jornais e o número tende a crescer cada vez mais rápido.
Com a evolução da tecnologia, o mundo precisou se adaptar. Tudo mudou. E essa vida de transformação causou quebras e renascimentos. O jornal impresso está exatamente no meio deste processo: o período de mudanças para conseguir se manter vivo. É preciso identificar o que já não funciona mais no papel, aderir às vantagens da internet e tentar descobrir o que falta neste mundo tecnológico.
No Brasil, temos um exemplo de um jornal de grande circulação que não conseguiu aguentar a crise e migrou totalmente para a internet: o Jornal do Brasil. Foi o primeiro a investir em tecnologias no ano de 1995 e a se tornar totalmente digital. O diário fundado em 1891 foi um dos mais importantes na história da imprensa brasileira. Inovou em diversas áreas do impresso, que continuam sendo utilizadas até hoje como o suplemento dominical. O jornal passou por grandes modernizações gráficas, mas não conseguiu aguentar a crise e se rendeu a internet em 2010.
 A geração conhecida como Millennials, aquela que já nasceu na era digital, pode ser considerada um dos principais motivos para esta grande mudança no mundo do jornalismo impresso. A jornalista Isabela Florenzano afirma que os jovens não possuem o hábito de ler o papel. Eles vivem em um mundo ágil e prático, a leitura deste modelo requer tempo e eles preferem a rapidez. É preciso criar maneiras de atrair estes novos leitores. Para ela, é necessária uma adaptação para que o jornal se faça essencial. Neste momento, ele se tornou apenas um coadjuvante.
A vida mudou e a sociedade atual vive um momento de correria. É preciso praticidade para ter tempo de fazer tudo o que é necessário no dia. E, por isso, as informações também precisam chegar de forma mais rápida e eficiente. Este se tornou um dos motivos para as pessoas que nasceram na era do papel começarem a trocá-lo pelo digital. De acordo com o professor Hugo Colombo, ler o jornal pelo celular ou pelo tablete é melhor. Possui fácil acesso e ainda é possível focar nos assuntos que mais interessam. A informação está ao alcance das mãos em qualquer momento do dia e em qualquer lugar.
Existem leitores que acreditam a internet ser apenas um complemento para o jornal impresso e que nada irá substituí-lo. A psicóloga Ana Luísa Lima afirma que utiliza o celular para se aprofundar um pouco mais nas matérias. Mas não confia totalmente na internet, a credibilidade do jornal tem muito valor.  Não é possível afirmar o futuro do jornal, mas é preciso de renovações para que continue vivo e atenda às novas necessidades de seus antigos e novos leitores.


As transformações do jornal



O jornal é um meio de comunicação muito influente na vida das pessoas, mas as mudanças na sociedade foram crescendo e o jornal continua o mesmo. Com o avanço da internet e a facilidade da informação em tempo real, o impresso foi perdendo espaço para celulares, tablets e computadores. A praticidade de ler as matérias em qualquer lugar, a qualquer hora do dia e ler apenas o que interessa encantaram as pessoas. Os antigos leitores estão sendo seduzidos por essa nova facilidade e novos leitores não estão sendo criados. Este é o risco do futuro do jornal. O que irá acontecer quando a última geração de leitores morrer? Será que o papel irá desaparecer também?
Segundo a jornalista Tainá Proença, é necessário entender que a tecnologia avança a cada dia e é essencial aprender uma forma de conviver ou será engolida por ela. É preciso criar novas maneiras para atrair os jovens que nasceram na geração digital e não criaram o hábito de ler o impresso. O tamanho do papel, o cheiro da tinta, a falta de praticidade são alguns dos motivos para que o jornal não seja atrativo para as pessoas. A reestruturação do papel é uma das maneiras de conseguir se manter vivo por mais tempo. A jornalista Isabela Florenzano afirma que a maior transformação será em relação à periodicidade. Provavelmente, uma edição de domingo com as notícias mais importantes da semana, uma grande apuração e todos os seus desdobramentos. Para ela, estas são algumas ideias, mas é preciso se adaptar de acordo com a evolução da tecnologia.




Acabou o papel?



·       José Antônio Silva, empresário, 55 anos: “Para quem tem o costume de ler apenas em papel é difícil mudar para o digital. É uma grande transformação e que impacta em todo o meu ritual de leitura.”
·       Ana Luisa Lima, psicóloga, 31 anos: “Para evitar que a falta de tempo do dia a dia me impedisse de manter a leitura do jornal, prefiro priorizar a durante a semana a internet.”
·       Hugo Colombo, professor, 29 anos: “Praticidade é a palavra que define o motivo da minha escolha pelo jornal digital.”
·       Isabela Florenzano, jornalista, 24 anos: “A informação está ao alcance das mãos em qualquer momento do dia e em qualquer lugar.”
·       Tainá Proença, jornalista, 24 anos: “O papel pode se tornar uma fuga desta vida corrida. Um incentivo para que as pessoas parem um pouco.”







quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A circulação sobe, mas interesse cai entre jovens


Especialistas apontam a necessidade de novos rumos para que setor se reinvente

Por Carolina Lomelino
De acordo com o último levantamento realizado pelo Instituto Verificador de Circulação, o IVC, em 2013, o periódico brasileiro impresso com maior média de circulação diária é o jornal mineiro Super Notícia, que tem uma tiragem de pouco mais de 300 mil exemplares por dia. Em uma comparação com o mercado de jornais impressos do passado, quando a Folha de São Paulo chegou a imprimir um milhão de cópias/dia, chega-se a conclusão de que o valor atual é muito baixo. É apresentado então um dos grandes dilemas da atualidade: o jornal, como é hoje em dia, vai acabar?
A certeza é de que o mercado precisa de inovar. É que afirmou o diretor brasileiro da Innovation Media Consulting Group, Eduardo Tessler em post recente no blog Meio e Mensagem. “Os jornais precisam se reinventar. Chega de publicar as “notícias de ontem”. O caminho é reduzir o número de páginas e dar espaço ao o que for relevante, que ajude a explicar os fatos, deixando os breaking news para as mídias digitais e eletrônicas”.  Por essa tentativa de fazer diferente passam fatos como a adoção novos modelos de negócios e as novas funções do repórter.

Brasil fora da curva

Em entrevista recente ao Portal PUC-Rio Digital, o diretor-executivo da associação brasileira de jornais Ricardo Pedreira comentou o cenário nacional. Com base em dados do IVC, que apontam um crescimento na circulação de jornais pagos no país, Pedreira diz que o mercado enxerga o Brasil como uma exceção. “Enquanto nos Estados Unidos e na Europa a circulação vem caindo, em países como Rússia, China e Índia esse é um mercado a ser conquistado. O aumento do poder aquisitivo, uma melhor distribuição de renda, a economia crescendo e novos consumidores surgindo, com um número maior de pessoas se alfabetizando, por exemplo, acabam refletindo nos leitores de jornais. Basicamente é isso que tem beneficiado o crescimento dos jornais impressos nos últimos anos”, observa ele.
A indústria brasileira de jornais vem tentando se atualizar. O caso mais famoso, e nada bem sucedido, é o do Jornal do Brasil. Após um período de crise nas vendas, o jornal foi comprado em 2001 e passou por uma reformulação. Houve uma pequena recuperação, o jornal passou ao formato tabloide, mas em 2010 acabou extinto no papel, migrando totalmente para a internet, mas perdendo a essência.
O jornal carioca O Globo passou recentemente por uma onda de renovações. A nova ordem é dar mais valor para o online. Os profissionais ganharam novas funções e horários, mas o resultado prático desta renovação ainda não foi amplamente divulgado. “Observar o impresso e o online como complementares e não como rivais. Essa pode ser uma das chaves para o mercado se reerguer. Cada coisa tem o seu lugar na nova dinâmica do jornalismo diário”, exemplifica José Roberto de Toledo, editor do Estadão.

O papel das imagens no jornal

De acordo com uma pesquisa da União Internacional de Telecomunicação, até o fim de 2014, o número de celulares ativos no mundo se igualará ao de habitantes da terra. No Brasil, a visualização de notícias via celular é um dado inegável, tanto que a indústria está se adaptando para atingir a um público que tem pouco tempo a perder.
O uso de imagens para atrair a atenção do leitor então surge como um caminho disponível. Além das fotos, o jornalismo hoje abusa de infográficos, gráficos, ilustrações, mapas e outros recursos ilustrativos. Assim, o próprio jornalista muda de posição, passa a não ter mais que voltar toda a sua atenção ao texto, mas entender a conexão que suas palavras precisarão fazer com as imagens.
“Como importante forma de comunicação moderna, as imagens nas notícias têm dado cada vez mais importância a seu impacto visual e ao poder de persuasão, e vêm influenciando a forma de pensar das pessoas e padrões de comportamento”, afirmou o professor da Escola de Arte e Design da Universidade de Zhejiang, na China, Hailin, em artigo publicado pela revista Alceu.
Com a grande disponibilidade de dados disponíveis, as matérias publicadas também ganham outro caráter, deixando de ser simplesmente informativas e passando a trazer grandes reflexões sobre os fatos cotidianos. Isso, aliado ao uso de imagens e animações, tentam resgatar o leitor, trazê-lo de volta a acompanhar as notícias e a se interessar em comprar ou assinar um grande jornal. É mais uma das tentativas da indústria em buscar meios de se capitalizar e lucrar vendendo o espaço publicitário.

Ler ou não ler, eis a questão

“Eu parei de assinar o jornal impresso e agora só acesso a versão online. É mais fácil e prático, posso ler em qualquer lugar. Não abandono o meu jornal, mas o papel não leio mais.” Ronaldo Oliveira, 24 anos, administrador.
“Odeio papel, suja a mão, é pesado, cheio de propaganda inútil. Não assino nada, leio tudo online nos sites de notícias globo.com, uol, do globo e no twitter.” Viviane Moreira, 35 anos, médica.

“Eu assino o papel e o online, mas confesso que não tenho lido nenhum dos dois, não tenho tido tempo, acho as notícias grandes e chatas. Acabo lendo o que sai no facebook e vivo assistindo a Globonews.” Eduardo Monteiro, 54 anos, advogado.

Online não elimina o ritual da leitura

 

‘O jornal é a materialidade do passado’ 

Gabriel Vasconcellos

A doutora em literatura e professora de teoria da comunicação e cultura brasileira da PUC-Rio Luísa Melo afirma que, na eventual extinção do jornal impresso, a sociedade afirmaria a valorização do futuro, uma vez que o veículo em papel é, além de um conjunto de notícias, uma documentação do passado. O newspaper, em inglês, fica evidente a importância da novidade, pois new significa novo, é datado, portanto, tudo o que está registrado torna-se obsoleto com o avanço dos dias. Segundo ela, a digitalização desses materiais vai ao encontro de um compromisso ético da sociedade com a história.
Além disso, as transformações tecnológicas impuseram novo ritmo à contemporaneidade, afetando todas as esferas da vida das pessoas. Luísa cita Pierre Levy para explicar o que o filósofo francês chama de “compressão espaço-tempo”, fenômeno atual em que as distâncias são encurtadas porque o tempo é soberano ao espaço. “O tempo é mais rápido do que a possibilidade de deslocamento. A notícia do Afeganistão chega aqui antes da notícia do assalto na padaria da sua esquina”, sintetiza a professora. Sob esse aspecto, os periódicos podem ser preteridos diante das mídias digitais porque passam por um processo mais demorado, que abarca desde o trabalho jornalístico de desenvolvimento de uma matéria até as etapas de produção industrial e de distribuição do jornal.



Meio mais confiável

Em 2013, a pesquisa da consultoria norte-americana Future Exploration Network determinou quando os jornais desaparecerão. O fenômeno da extinção começará pelos Estados Unidos, e o último veículo deve acabar em 2017. O último a se desmantelar no mundo é um argentino e o fato deve ocorrer em 2039. No caso do Brasil, a extinção está prevista para 2027.
Embora três em cada quatro brasileiros não leiam o impresso, segundo pesquisa da Secretaria de Comunicação (SECOM) da Presidência da República, realizada no início deste ano, o meio é também o mais confiável para 53% dos entrevistados. A internet amealhou a confiança de 28% das pessoas. O estudo encomendado pelo governo mostra ainda que há disparidades na comparação entre as regiões do país. O tempo de leitura, por exemplo, varia de 45 minutos no estado de Tocantins a 2h12m em Goiás. O tempo despendido para a leitura de jornal impresso, na média, é de 1h05m.
A competição entre o impresso e o online comumente leva ao senso comum de que as mudanças tecnológicas são prejudiciais. Elas ocorrem para atender às necessidades da sociedade, que passa a adotar estilos de vida e comportamento distintos das gerações anteriores. “Acho que é positiva (a mudança) se você pensar nas necessidades do homem atual, porque corresponde a esse tempo. Ela é negativa na medida em que está ‘tecnologizando’ a sociedade, tornando-a mais técnica, menos humana e menos pessoal. Ela é positiva, ela é negativa, mas, sobretudo, ela é histórica, é um fato”, analisa a professora.

Jornal do Brasil deixa saudade

“Do JB eu tenho as melhores memórias. Era o dia inteiro praticamente porque o jornal impresso, a gente consegue degustar melhor. Eu não leio jornal numa hora só. Primeiro eu faço uma leitura dinâmica e depois, então, eu leio aos poucos, os artigos, as matérias que mais me interessam. O horário é indefinido”. A senhora Enyr Calasans, de 84 anos, médica aposentada e moradora da Tijuca, chega a mudar o tom de voz para relatar a falta que sente da extinta versão impressa do Jornal do Brasil.
Ela conta ainda que o fim do veículo foi muito ruim porque as notícias que lia complementavam as que ouvia na TV Globo. “E agora não tenho mais o Jornal do Brasil porque eu não me atualizei mais. Na parte da internet, só receber e enviar e-mail”, diverte-se.
Enyr começou a interessar-se pela leitura de jornais motivada pelo curso de especialização em Saúde Pública na Fiocruz, na década de 1970. Revela que sempre considerou economia um campo obscuro, mas reconhece que a falta de mais conhecimentos facilita ser enganada pelas pessoas. Ela conta que, na verdade, gosta de um pouco de tudo. E a memória funciona bem – narra o conteúdo do JB como quem acabara de lê-lo pela manhã. “Eu gostava de ler as colunas do Villas-Boas Corrêa, da Danuza (Leão), do Mauro Santayana, Carlos Castello Branco, da Dora Kramer”.
Por fim, inverte os papeis e pergunta ao jovem repórter que em que área gostaria de trabalhar. Ao ouvir um tímido “Economia”, Enyr recomenda: “Faço votos de muito sucesso para que cuide bem do dinheiro da ‘Viúva’”.

Impresso ou online?

·       Bruna Lima, 22 anos, estudante de design gráfico:
o   “As matérias do globo.com são péssimas, mas o impresso tem o conteúdo mais completo. O site é muito bom para ver imagens, mas sempre fico com dúvidas”.
o   (O jornal) pode ser levado para atividades ao ar livre, como ir à praia ou caminhar na Lagoa. É mais seguro do que se levasse o tablet, por exemplo”.

·       Alexandre Nunes, 40 anos, professor universitário:
o   “Com o impresso, além de ter de ir à busca do jornal, seja procurar um jornaleiro ou esperar receber em casa, há a limitação do tempo, enquanto que a dinâmica do online é diferente. Acaba facilitando”.
o   “A desvantagem (do impresso) é que no online você acaba não vendo outras notícias que eventualmente você passaria o olho quando lê o impresso”.

Novas formas de mídias atraem os jovens


Blogs e sites despertam interesses das empresas jornalísticas

 Mariana Sales

Empresas de comunicação criam novas plataformas para chamar atenção dos jovens. E-readers, tablets e smartphones são as ferramentas para complementar o papel. O Jornal O Globo desenvolveu O Globo a Mais, uma revista projetada para leitura digital. Além disso, a internet facilitou o fim do jornal impresso como surgimento dos blogs e fóruns. Para editora de esportes do Jornal Metro, Patrícia Trindade, a versão digital no celular concorre com Whatsapp, Facebook, aplicativos, jogos, música, vídeos.
– É fácil os leitores desistirem da leitura do jornal impresso – conta Patrícia.
Segundo o estudo da Future Exploration Network, o fim do jornal impresso no Brasil é em 2027. De acordo a editora de esportes, o desafio do impresso é tornar o produto no papel tão atraente quanto no formato do digital. Patrícia explica que o jornal impresso precisa prender a atenção do público. Mas, segundo ela, a tecnologia mudou o perfil do leitor e o jornal precisa adaptar a isso. Para o jornal não acabar, Patrícia acredita que o formato será modificado.
– Vão ser publicações mais analíticas e opinativas. Acho que o impresso vai ser o lugar da leitura com fôlego, com textos maiores. Mas a diagramação deve se aproximar muito de um texto que se lê no celular, por exemplo, para se tornar mais atraente, principalmente para as novas gerações – afirma a editora de esportes do Metro.
Para o jornalista da Eletrobras Ivson Alves, os repórteres precisam se adaptar a nova demanda, como a interatividade com o público e o tempo real. Alves acredita que os jornais não têm jornalistas qualificados em número suficiente para realizar a transição do papel para o digital. O jornalista afirma que a crise do papel está relacionada com os novos modos de trabalho e de pensar.
De acordo com a Pesquisa Brasileira de Mídia, encomendada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) ao Ibope, 53% da população consultada em todo o país disse confiar sempre ou muitas vezes nas notícias veiculadas nos impressos. Para a estudante Julia Nogueira, de 15 anos, o jornal impresso é mais confiável do que os sites. Julia conta que ler jornal em papel por influências dos pais.
Leio jornal impresso porque parece que eu estou adquirindo informação segura. Acho que na internet as notícias são mais soltas para ler.
 Patrícia Trindade explica que é preciso melhorar os produtos oferecidos pelos impressos. Segundo ela, é fundamental saber qual é o público alvo e quem é o leitor. Patrícia cita o exemplo do Metro, que é um jornal gratuito que tem a proposta de preparar o leitor para o dia. Além disso, informam o mínimo necessário e dá as ferramentas para esse leitor se virar no dia.

Credibilidade na Internet

A Internet “enche” os usuários de informação com quantidade enorme e expressiva. Entretanto, especialistas e leitores criticam como as notícias são utilizadas. Como as notícias são instantâneas, as pessoas devem ter um senso crítico para saber que, às vezes, o conteúdo pode ser falso. Os blogs abrem o espaço para novos “jornalistas”. Especialistas e usuários questionam se qualquer que pode escrever em um blog, pode ser jornalista.
 Os próprios sites de jornais impressos não transmitem a confiabilidade. Os repórteres postam a notícia antes de checar as informações. Para isso, é preciso confiar nas fontes corretas. Não basta acreditar em qualquer pessoa.
Outras questões para a falta de credibilidade nos jornais digitais são as fontes que os repórteres procuram informações. Por ter notícias falsas, os jornalistas buscam na Internet os assuntos para realizarem a matéria. É necessário checar antes se o site é confiável. Além disso, pesquisar em jornais antigos, livros e especialistas contribuem que a matéria seja mais confiável.








O fim do papel e a preferência pelo digital


    Como a Internet influencia nos conhecimentos gerais da 
população e a extinção do impresso em consequência disso
                                                                                                        
                                                                Daniele Diniz
   
     Quem nunca ouviu a frase “O jornal impresso está com os dias contados?” Ou até mesmo “O papel está próximo do seu fim?” Esses são questionamentos que dividem opiniões. Existem os que acham que a Internet substituirá grandes jornais como O Globo, a Folha de São Paulo. Há os que acham que levará um tempo para o jornal ser extinto e os que afirmam que as vendas cairão, mas nunca irá sair de circulação. Mas será que há uma resposta certa para isso? Não podemos negar que o jornalismo está passando por uma reestruturação. Com o mundo tecnológico em que vivemos hoje, a geração denominada Millennials, pelos historiadores Neil Howe e William Strauss, consome muito conhecimento a todo instante.
     Os jovens que pertencem a esse grupo nasceram entre 1980 a 2000. Já engajados em uma sociedade com um bombardeio de notícias, eles aprenderam desde cedo que a informação é a palavra que impulsiona as suas vidas. A tecnologia é a sua grande aliada. Eles estão sempre querendo conhecer mais, saber mais sobre o que acontece. São pessoas agitadas e ativas. Além disso, é uma geração mais comunicativa e presente nas redes sociais. Os jornais, a TV e, principalmente a Internet são os veículos de comunicação que mais os influenciam. É possível vermos a cada ano que passa o número de blogs e sites pessoais aumentando. São pessoas querendo expressar suas ideias, vontades, desejos e suas maneiras de viver a vida. Por já nascerem no mundo digital e sofrerem influência diariamente com esse meio, é um grande fator que impulsiona os jornais impressos a se reformularem.
     A correria do dia a dia faz com que uma grande da população opte saber as notícias pela Internet. Seja pelo celular, por tablets, por laptop. Isso acontece porque muitas pessoas levam tempo se deslocando de casa para o trabalho. Assim, acham que o jornal impresso seria desconfortável e desajeitado para ler nos ônibus e carros. Não podemos deixar de observar que muitos jornais estão fechando. Tanto no nosso país como em outros. Exemplo disso é o Jornal do Brasil. Fundado em 1891, por Rodolfo de Souza Dantas e Joaquim Nabuco, o periódico saiu de circulação em 2010. Apesar de ter sido um grande e conceituado veículo de comunicação, a crise administrativa e financeira fez com que o jornal se mantenha apenas na versão on-line. É assim que o jornalismo acompanha os passos da sociedade: se reformulando e reorganizando.
     Um estudo feito em 2013 pela consultoria americana Future Exploration Network, mostra que os jornais impressos irão desaparecer daqui a 13 anos. Essa crise teoricamente começaria nos Estados Unidos ainda em 2017 e terminaria na Argentina em 2039. Para os pesquisadores, dentro desse tempo não haverá mais a Folha de São Paulo, O Globo e o Estadão. Na Internet isso não irá acontecer. Não temos como nos desvincular da era tecnológica. A tecnologia afetou os paradigmas jornalísticos e continuará afetando. Só devemos saber filtrar as informações para não acreditarmos em tudo o que é publicado. O digital hoje está inserido a todo instante na vida de grande parte da população. Mas o final dessa história só saberemos com o tempo.

                                            Redes sociais como escolha de jovens
    
      Para muitos, a leitura das notícias pela Internet é mais prática. Hoje em dia, as redes sociais dão muito espaço aos sites de jornais. Em pouco tempo, os acessos as páginas dos principais tabloides brasileiros dispararam de acordo com dados do Ibope Netview. Os usuários podem seguir várias páginas de jornais e assim se mantêm informados a todo instante.
     Uma pesquisa feita pelo Datafolha no ano passado, sobre os costumes de informação na internet mostra que 46% da população paulista que possuem conta na rede social, dois terços compartilham conteúdos. Isso é equivalente a 3 de cada 10 habitantes da cidade. O número é grande e por isso deve ser tomada uma cautela. Até que ponto as notícias publicadas são realmente verídicas? Um dos fatores que fazem muitos leitores do impresso continuarem fiéis a sua leitura é a credibilidade do jornal. Com notícias dadas a todo instante, na Internet nem sempre a checagem é feita. Há também aqueles que aumentam os fatos e desvirtuam o acontecimento para outro caminho. Quando há grandes acontecimentos, essas postagens triplicam e isso faz com que atinja muitos leitores ao mesmo tempo.
     Sem dúvida, a maioria das pessoas prefere ler os acontecimentos em sites que confiam, que passam credibilidade. Mas todo cuidado é pouco. O que pode ser uma pequena nota vira uma grande repercussão nas redes. A Internet veio para ajudar em muitos fatores, mas não deixa de ter os seus pontos negativos. Por isso devemos sempre verificar informações que passamos para outras pessoas.


             Visões sobre o Impresso

Para a jornalista Luana Monteiro,  24 anos, moradora da Freguesia o jornal impresso ainda é preferência de muitos. Isso não significa que o papel não passará por diversas crises, além das que passa.
Para a jornalista Natália Albuquerque, 23 anos, moradora da Barra da Tijuca, a maior parte dos jornais está produzindo cada vez mais detalhadamente e próximo ao público no mundo da web.
Para o economista Rubens Vilarinho, 53 anos, morador de Santa Rosa, a leitura do jornal em papel é incômoda. É necessário folhear as páginas que sujam as mãos de tinta, há dificuldade no manuseio, as notícias são lidas somente no dia seguinte e o caderno de classificados demasiadamente extenso.
Para o aposentado Alexandre Valladão, 54 anos, morador de Santa Rosa, o jornal impresso não será extinto por um bom tempo ainda, porque sempre terá uma boa parcela de leitores que tenham preferência pelo papel e há um bom número de assinantes.

Para a vendedora Jéssica Rangel, 26 anos, moradora de São Gonçalo, é muito mais prático você acessar tudo ao mesmo tempo no celular, como seus e-mails, bate-papos, redes sociais, inclusive o jornal.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Jornais expandem cobrança por conteúdo online



Desde 2013, “O Globo” e “Folha de S. Paulo” limitam o acesso às notícias do site

João Pedro Fonseca

Por muito tempo, o jornal impresso foi a principal fonte de informação das famílias brasileiras. Com o surgimento de veículos como o rádio e da TV, o papel perdeu parte de seu espaço, mas nunca teve o futuro tão incerto quanto hoje. O fantasma da vez é o consumo de notícias pela internet, meio que ainda busca sua identidade, mas já afugenta o público jovem do contato com o papel.
As plataformas digitais ainda buscam uma lógica de funcionamento particular. Mas, para os donos dos principais veículos de mídia do mundo, já é hora de expandir o lucro através da cobrança por acesso ao conteúdo online. Uma das opções é transformar o serviço que era gratuito em um modelo “freemium”, junção das palavras “free” (livre, em inglês) e “premium”, que identifica um conteúdo pago ou por assinatura. Os dois jornais mais importantes do país – “Folha de S. Paulo” e “O Globo” – adotaram essa medida. É possível ler um determinado número de notícias (30 por mês no jornal carioca, por exemplo) sem pagar nada. Se quiser consumir mais do que isso, o leitor terá que pagar pelo serviço.
O jornal “O Globo”, após a inauguração de um parque gráfico em 1998, chegou a vender um milhão e 200 mil exemplares aos domingos. Dados mais recentes da empresa dão conta de que esse número hoje é de 300 mil exemplares, sendo 180 mil na versão digital. Além disso, o site recebe até 20 milhões de acessos por mês. Para a jornalista Marilia Martins, que ministra aulas de jornalismo para a web na PUC-Rio, esses números revelam uma migração cada vez mais acentuada para o digital e explicam a mudança recente na empresa. “A redação reformulou toda a sua rotina diária de trabalho para privilegiar o digital. Não acho que o impresso vai acabar inteiramente, mas vai se tornar um produto de luxo: caro para assinantes, caro para anunciantes”, opinou.
Marilia explica que a transferência de público do impresso para o online é um fenômeno global. Segundo ela, as motivações são econômicas e culturais. O aspecto financeiro pesa para leitores e produtores, já que é mais barato (em alguns casos até de graça) consumir notícias pela internet e se gasta menos uma vez que a matéria-prima, a impressão e a distribuição de jornais representam um custo enorme para as grandes empresas. A motivação cultural é reflexo do amadurecimento da primeira geração que nasceu imersa na internet e, por isso, consome informação e cultura de forma diferente.
Essa nova forma de consumo nem sempre vem atrelada a um site de notícias. Hoje, redes sociais como Twitter e Facebook são espaço de compartilhamento de informações e opiniões. Como esses sites investem na personalização do conteúdo, o leitor digital está propenso a ser um conhecedor amplo de assuntos de seu interesse e, ao mesmo tempo, sequer receber informações de áreas relevantes, como economia, por exemplo, que não são selecionadas pelos filtros da rede social. Para Marilia, o jornal impresso não deve deixar de ser um veículo amplo, mas pode investir em conteúdo personalizado. “O jornal poderia oferecer assinaturas de cadernos específicos, de edições regionais, de fim de semana”, exemplificou.

Credibilidade vem do impresso

Com o crescimento da demanda por conteúdo online, aumentam-se os debates sobre a veracidade e a credibilidade das informações que circulam na rede. A web é um ambiente de limites turvos, mas é fato que as principais publicações impressas carregam para o ambiente virtual a confiança dos leitores. O americano “The New York Times” e o britânico “The Guardian”, por exemplo, têm leitores digitais adquiridos após décadas de serviço impresso.
Para a jornalista Marilia Martins, essa condição também se estende aos veículos locais.  Ela explica que a credibilidade dos jornais brasileiros continua alta, ainda que veículos das Organizações Globo ou da Abril, por exemplo, sejam alvos de críticas frequentemente. “Este questionamento de credibilidade tem razões ideológicas, trata-se bem mais de uma interrogação sobre o monopólio da informação que atinge um público de larga escala, e não tem a ver com o fato de o jornal ser impresso ou digital”, explicou.
Quando soube da queda do avião que transportava o político Eduardo Campos, em agosto, a professora Luciana Collier foi à internet para buscar outras informações. Apesar de adorar redes sociais, ela escolheu o site G1, da Globo.com, para se informar melhor. “Facebook é diversão. O G1, apesar de não ser operado pelas mesmas pessoas, faz parte das Organizações Globo, que leio há muito tempo. Por isso, confio”, detalhou. Em situações urgentes como essa, a internet ainda oferece a vantagem de ser imediata. “Fico sabendo na hora”, finalizou.


Abandonar ou não?

Patrícia Nascimento, 31 anos, gestora ambiental: “É muito mais prático se informar pela internet. Hoje, os maiores veículos de comunicação estão disponíveis em aplicativos para celular. Com isso, podemos ler a qualquer momento e em quase todos os lugares através dos smartphones”.
Carlos Magno Ruddy, 50 anos, engenheiro civil: “Eu ainda sou assinante do impresso, mas recebo o jornal na minha casa. Nem sempre estou lá, então passei a ler bastante através do tablet, que está nas minhas mãos a qualquer momento e permite ler em quase todos os lugares”.
Luciana Collier, 43 anos, professora: “Fui leitora do ‘Jornal do Brasil’ quando era mais nova, mas, hoje, minhas fontes de informação cotidianas são a televisão e o online. Por falta de tempo, só leio o impresso aos domingos.”

Karina Gaudereto, 20 anos, estudante de jornalismo: “O futuro está no digital. Apesar de acreditar na manutenção da hierarquização da notícia, creio que a praticidade, a economia e a preservação ambiental impulsionarão a substituição do papel pelo digital. Eu já troquei pelo tablet”.