terça-feira, 22 de outubro de 2013

A revolução da informação. Uma nova era do jornalismo.

O sucesso da internet faz com que as diferentes mídias lutem por lugar no mercado
Karina Groisman

            O jornalismo tem sempre que se reinventar. Porém, desde a criação da internet, em 1991, isso se intensificou de forma que o ofício teve que se readaptar a uma nova era. Em 2000, quando a popularidade da web atingiu seu pico, as outras mídias tiveram que lidar com uma questão que até hoje atormenta o mercado: o jornal impresso vai ou não sobreviver?

            Para que essa questão seja discutida, deve-se, antes de tudo, chegar à um consenso do que caracteriza o jornalismo, já que, atualmente, existem diversas formas de propagar um conhecimento. Para alguns, fazer jornalismo é apenas espalhar uma notícia, independentemente de como se escreva, mas, para muitos, somente ao coletar, redigir, editar e publicar algo é que se faz o jornalismo tradicional e com credibilidade.

Afinal, o impresso perdeu seu espaço? 
            Há quem acredite que os jornais convencionais desaparecerão por completo na próxima década, levantando até mesmo a questão da perenidade do papel. Além disso, o argumento que mais se ouve é o fato de que, pela web, a notícia tem a instantaneidade necessária para não ficar ultrapassada. “Os jornais impressos são publicados apenas uma vez por dia, isso faz com que o jornal que a gente pega pra ler tenha as notícias do dia anterior. Ninguém mais quer ler as notícias de ontem”, defende a esteticista Suzana Couto, de 34 anos. “Além disso, quem quer guardar algo interessante precisa ter espaço e até tempo pra conservar o papel. Eu guardo tudo online. É prático e nunca vai rasgar ou estragar” completa.

            Uma questão ainda mais séria é o acesso à informação. O que antes era privilégio de poucos, hoje, com a internet e as redes sociais, é um direito de todos. “Eu acredito que o jornalismo de internet nos salvou, porque antes somente as empresas jornalísticas tinham acesso às notícias e podiam, inclusive, manipular como quisessem”, diz o estudante Pedro Amaral, de 23 anos. “Hoje em dia, qualquer pessoa com celular pode registrar o que quer”, explica. “Agora, por exemplo, na questão dos manifestos, a mídia tradicional não dava a notícia pra gente em tempo real. Mas tinha a mídia ninja, que nos informava o tempo todo pela internet. Isso pra mim é jornalismo. E não ficar só lendo o que alguém quer”, diz.

            Em contrapartida, muitos afirmam que os jornais não desaparecerão pela credibilidade que passam. “Muita gente na web faz jornalismo sem responsabilidade. No jornal impresso as pessoas sempre vão acreditar” defende o jornalista Márcio Carvalho, de 53 anos. “Abrir um blog é a coisa mais fácil do mundo, e a internet virou terra de ninguém. Não dá pra acreditar no que se lê” completa. A opinião de Carvalho é também a de muitas outras pessoas, como a advogada Ana Paula Teixeixa, de 42 anos, que prefere esperar, mas ter certeza de que pode confiar no que leu. “Eu prefiro só ter a notícia no dia seguinte, mas saber que a coisa realmente aconteceu. E que aconteceu daquele jeito. Na internet, muitas vezes, a gente não sabe nem quem escreveu o que lemos”, diz.


            Independente do fato de o jornal impresso desaparecer ou não daqui há alguns anos, o que se pode afirmar com convicção é que o jornalismo na web cresceu progressivamente na última década e que esse crescimento fez com que o jornalista repensasse o jeito de trabalhar. A preocupação com a audiência passou a influenciar na forma como se dá a notícia e o formato do texto teve que se adaptar à pressa dos novos tempos. Só o tempo dirá se o impresso vai acabar, mas o que se sabe é que o que antes reinava absoluto, hoje tem um concorrente à altura.



A mídia Ninja e os protestos pelo Brasil
     A Mídia Ninja – uma sigla para Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação - é um grupo que tem como objetivo principal ser uma alternativa à imprensa tradicional. Os ninjas são, em sua maioria, jovens voluntários, que, espalhados nacionalmente, contribuem com transmissões ao vivo pela internet, através de seus smartphones, formando uma grande rede de informação alternativa.

     Atualmente, a Mídia Ninja está concentrada em atos contra os governadores do Rio de Janeiro e de São Paulo. No Rio, há cerca de três meses, a maioria dos vídeos postados cobre um protesto em especial: o movimento “Ocupa Cabral”, no Leblon, em frente à casa do governador. Além de pedirem a saída de Sérgio Cabral do cargo, os manifestantes acampados lutam pela desmilitarização da polícia, por reformas nos setores de Educação e Saúde, e por uma resposta ao desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, que sumiu depois de ser detido por policias da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha.

     A Mídia Ninja tem a vantagem de conseguir ficar bem próxima dos manifestantes e dos policiais que, eventualmente, os reprimem. Bruno Andrade de Souza, de 27 anos é morador do Leblon e não participa do movimento “Ocupa Cabral”, mas apoia a iniciativa e acredita que essa proximidade da Mídia Ninja serve como uma proteção para os jovens que protestam. “Com câmeras apontadas, os policiais não podem agir de forma abusiva e eu acredito que isso protege os manifestantes. Aposto que, de outra forma, caso não tivesse essa cobertura, eles já teriam sido expulsos violentamente”, acredita.

     Por outro lado, há a preocupação com esse tipo de jornalismo, já que, para muitos, o que é publicado atende aos interesses de um grupo, que decide o que e como publicar. “A partir do momento que você posiciona a câmera para um lado e não o outro, você já escolheu o que quer mostrar. Não tem como dizer que a Mídia Ninja ou que qualquer outro veículo é imparcial”, diz Cláudia Pereira, de 43 anos, advogada e moradora do Leblon. “O jornalismo era pra ser um serviço publico, mas só atende interesses, é difícil acreditar”, conclui.

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