terça-feira, 22 de outubro de 2013

A extinção do jornal impresso no Brasil está prevista para 2027

Pesquisa conclui que jornais americanos serão os primeiros a sumir
Mariana Oliveira

     Após a Segunda Guerra Mundia0,l um novo meio de comunicação veio a se popularizar: a televisão. E o que se dizia sobre a mídia não era muito diferente do que se diz, hoje, sobre a internet. "Essa tecnologia vai matar o jornalismo impresso". Será?
A internet surgiu há cerca de 10 anos de forma mais popular e, desde então, os veículos de comunicação começaram a migrar para a web. Com o passar do tempo, o jornalismo online foi ganhando força e, hoje, sua possível preferência pelo público faz tremer as estruturas das grandes empresas de comunicação.

As diferenças entre o online e impresso

     A internet nos oferece notícias praticamente em tempo real, enquanto os jornais impressos só nos contam as novidadesno dia seguinte. Ponto para o online. Mas será que esse imediatismo não compromete a veracidade das informações? O impresso já conquistou, há anos, a confiança do público, então ponto para ele. A modernidade também encurtou o tempo, e a web oferece notícias curtas e fáceis de serem assimiladas. Ponto para o online. Mas e a tradição? Há quem goste de começar o dia com um jornal e um café. Ponto para o impresso.

     As diferenças são muitas e os medos também. É por isso que os veículos tradicionais tentam usar a internet como aliada. Toda grande empresa de comunicação possui, hoje, uma plataforma online. Esta ajuda a suprir a curiosidade imediata do leitor por determinados fatos, e estreita laços com o mesmo que passa, agora, a interagir. 

    Diogo Oliveira, 30 anos, se formou jornalista aos 22 e, desde então, trabalha na internet. "Foi na web que surgiu a minha primeira oportunidade de emprego. E foi nela que consegui me manter. Já passei por alguns veículos e sou muito feliz trabalhando nesse meio. Os tempos evoluíram e os leitores estão evoluindo junto. Mas não acho que o jornalismo impresso vai morrer. Ainda é muito cedo para afirmar isso", disse ele.

     Já Giovanna Torres, de 23 anos, é administradora de empresas e não esconde sua preferência pelo online. "Minha geração é outra. Não crescemos com o costume de ler o jornal todo dia de manhã, como meus pais fazem, por exemplo. Convivo com a internet desde pequena, e estou acostumada com a facilidade que ela me traz. Talvez o risco do impresso esteja ligado à mudança de gerações, e não a sua importância para o cenário do jornalismo”, concluiu.

     Com o boom nas manifestações no Brasil o "jornalismo cidadão" ganhou força. O conceito se baseia na ideia de que pessoas comuns (que não possuem formação jornalística) podem participar do processo de reportagem e disseminação de notícias. A Mídia Ninja é, hoje, o exemplo mais conhecido (e comentado) do termo, e se propõe a transmitir em redes sociais, tudo o que vem acontecendo pelas ruas do país, em tempo real.

     O repórter da Globo News Rodrigo Carvalho, 26 anos, disse que nenhuma das mídias clássicas está ameaçada pelo jornalismo online. “Ainda não existe um veículo que esteja apenas na plataforma digital que faça uma boa cobertura jornalística do que acontece no mundo,” disse ele, justificando sua afirmação. “A Mídia Ninja não é exemplo de bom jornalismo, e sim de boa transmissão,” completou.

     Por outro lado, estamos presenciando a venda de grandes empresas de comunicação. No mês passado, o americano "Washington Post" foi vendido por 250 milhões de dólares, valor não muito alto, considerando a tradição do veículo. Isso não significa que tais marcas irão morrer, mas muitas passarão a viver apenas virtualmente, como é o caso do nosso "Jornal do Brasil". Um estudo da consultoria americana Future Exploration Network decreta que, nos Estados Unidos, os jornais impressos entrarão em extinção em 2017. O fim está próximo. Já por aqui teremos mais tempo para salvar os periódicos. O fim está previsto, apenas, para 2027. E assim repito a pergunta: Será? 

Facebook é o atual queridinho da comunicação

     Há pouco mais de dois meses o Brasil vem sinalizando o descontentamento político em manifestações, mostrando que a geração "desinteressada" cansou de ser tachada como tal. Os protestos iniciados em junho deram visibilidade à Mídia Ninja (sigla para Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação), que se propagou nas redes sociais. O grupo é formado por jovens que viram nas manifestações uma oportunidade de contestar a mídia clássica, noticiando-as em tempo real e do ponto de vista dos participantes. Um questionamento ainda paira no ar: o conteúdo veiculado pela Mídia Ninja é ou não é jornalístico?

     Em entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, exibido no dia 5 de agosto, o jornalista Bruno Torturra,um dos fundadores da organização, disse achar curioso que essa dúvida ainda permaneça. "O fato de sermos um grupo organizado, de nos colocarmos como veículo e de termos uma preocupação diária em transmitir a informação da maneira mais crua possível nos torna jornalistas, sim", afirmou. Os argumentos contrários apontam a falta de qualidade na transmissão, o baixo preparo dos repórteres e entrevistadores, e a misteriosa fonte de renda da organização. A Ninja vem se mostrando uma das últimas filhas do jornalismo romântico, já que, aparentemente, trabalha por amor.

     O Ocupa Cabral, movimento contra o atual governador do Rio de Janeiro, ocupa, há mais de um mês, a Rua Delfim Moreira, no Leblon. Um dos ocupantes, identificado como Ruivo,pediu ajuda com cobertores e alimentos. “Usamos o Facebook para comunicar nossos eventos e necessidades mais urgentes”, completou. Quando perguntada sobre a participação da Mídia Ninja no movimento, Tatiana, que não quis citar o sobrenome, disse que a nova mídia é "amiga". "Se entrar na página (do Facebook) da Ninja vai ver que eles noticiam bastante coisa daqui", disse a moça. "Oposição era o que estava faltando no jornalismo", concluiu.

     Os dois policiais que se encontravam no local não quiseram se manifestar sobre o assunto.Isadora Ramos,23 anos, mora no bairro e afirmou que apoia os manifestantes. "Sempre levo comida e água, é o mínimo que posso oferecer", contou. Já Rita Domingues, de 41 anos, disse que o movimento atrapalha a vida do bairro. “A Associação de Moradores já registrou diversas reclamações”, garantiu. Isadora e Rita desconhecem o trabalho da Mídia Ninja.

     As opiniões contrárias permanecem, e a certeza é que, hoje, o Facebook é o atual queridinho dos comunicólogos, sejam eles profissionais ou não. 

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