Pesquisa conclui que jornais americanos serão os
primeiros a sumir
Mariana Oliveira
Após a Segunda Guerra
Mundia0,l um novo meio de comunicação veio a se popularizar: a televisão. E o
que se dizia sobre a mídia não era muito diferente do que se diz, hoje, sobre a
internet. "Essa tecnologia vai matar o jornalismo impresso". Será?
A internet surgiu há
cerca de 10 anos de forma mais popular e, desde então, os veículos de
comunicação começaram a migrar para a web. Com o passar do tempo, o jornalismo
online foi ganhando força e, hoje, sua possível preferência pelo público faz
tremer as estruturas das grandes empresas de comunicação.
As diferenças entre o online e impresso
A internet nos oferece
notícias praticamente em tempo real, enquanto os jornais impressos só nos
contam as novidadesno dia seguinte. Ponto para o online. Mas será que esse
imediatismo não compromete a veracidade das informações? O impresso já
conquistou, há anos, a confiança do público, então ponto para ele. A
modernidade também encurtou o tempo, e a web oferece notícias curtas e fáceis
de serem assimiladas. Ponto para o online. Mas e a tradição? Há quem goste de
começar o dia com um jornal e um café. Ponto para o impresso.
As diferenças são
muitas e os medos também. É por isso que os veículos tradicionais tentam usar a
internet como aliada. Toda grande empresa de comunicação possui, hoje, uma
plataforma online. Esta ajuda a suprir a curiosidade imediata do leitor por
determinados fatos, e estreita laços com o mesmo que passa, agora, a
interagir.
Diogo Oliveira, 30
anos, se formou jornalista aos 22 e, desde então, trabalha na internet.
"Foi na web que surgiu a minha primeira oportunidade de emprego. E foi
nela que consegui me manter. Já passei por alguns veículos e sou muito feliz
trabalhando nesse meio. Os tempos evoluíram e os leitores estão evoluindo
junto. Mas não acho que o jornalismo impresso vai morrer. Ainda é muito cedo
para afirmar isso", disse ele.
Já Giovanna Torres, de
23 anos, é administradora de empresas e não esconde sua preferência pelo
online. "Minha geração é outra. Não crescemos com o costume de ler o
jornal todo dia de manhã, como meus pais fazem, por exemplo. Convivo com a
internet desde pequena, e estou acostumada com a facilidade que ela me traz.
Talvez o risco do impresso esteja ligado à mudança de gerações, e não a sua
importância para o cenário do jornalismo”, concluiu.
Com o boom nas manifestações no Brasil o
"jornalismo cidadão" ganhou força. O conceito se baseia na ideia de
que pessoas comuns (que não possuem formação jornalística) podem participar do
processo de reportagem e disseminação de notícias. A Mídia Ninja é, hoje, o
exemplo mais conhecido (e comentado) do termo, e se propõe a transmitir em
redes sociais, tudo o que vem acontecendo pelas ruas do país, em tempo real.
O repórter da Globo
News Rodrigo Carvalho, 26 anos, disse que nenhuma das mídias clássicas está
ameaçada pelo jornalismo online. “Ainda não existe um veículo que esteja apenas
na plataforma digital que faça uma boa cobertura jornalística do que acontece
no mundo,” disse ele, justificando sua afirmação. “A Mídia Ninja não é exemplo
de bom jornalismo, e sim de boa transmissão,” completou.
Por outro lado, estamos
presenciando a venda de grandes empresas de comunicação. No mês passado, o
americano "Washington Post" foi vendido por 250 milhões de dólares,
valor não muito alto, considerando a tradição do veículo. Isso não significa
que tais marcas irão morrer, mas muitas passarão a viver apenas virtualmente,
como é o caso do nosso "Jornal do Brasil". Um estudo da consultoria
americana Future Exploration Network
decreta que, nos Estados Unidos, os jornais impressos entrarão em extinção em
2017. O fim está próximo. Já por aqui teremos mais tempo para salvar os
periódicos. O fim está previsto, apenas, para 2027. E assim repito a pergunta:
Será?
Facebook é o atual queridinho da
comunicação
Há pouco mais de dois meses o Brasil vem
sinalizando o descontentamento político em manifestações, mostrando que a
geração "desinteressada" cansou de ser tachada como tal. Os protestos
iniciados em junho deram visibilidade à Mídia Ninja (sigla para Narrativas
Independentes, Jornalismo e Ação), que se propagou nas redes sociais. O grupo é
formado por jovens que viram nas manifestações uma oportunidade de contestar a mídia
clássica, noticiando-as em tempo real e do ponto de vista dos participantes. Um
questionamento ainda paira no ar: o conteúdo veiculado pela Mídia Ninja é ou
não é jornalístico?
Em entrevista ao programa "Roda
Viva", da TV Cultura, exibido no dia 5 de agosto, o jornalista Bruno
Torturra,um dos fundadores da organização, disse
achar curioso que essa dúvida ainda permaneça. "O fato de sermos um grupo
organizado, de nos colocarmos como veículo e de termos uma preocupação diária
em transmitir a informação da maneira mais crua possível nos torna jornalistas,
sim", afirmou. Os argumentos contrários apontam a falta de qualidade na
transmissão, o baixo preparo dos repórteres e entrevistadores, e a misteriosa
fonte de renda da organização. A Ninja vem se mostrando uma das últimas filhas
do jornalismo romântico, já que, aparentemente, trabalha por amor.
O Ocupa Cabral, movimento
contra o atual governador do Rio de Janeiro, ocupa, há mais de um mês, a Rua
Delfim Moreira, no Leblon. Um dos ocupantes, identificado como Ruivo,pediu
ajuda com cobertores e alimentos. “Usamos o Facebook para comunicar nossos
eventos e necessidades mais urgentes”, completou. Quando perguntada sobre a
participação da Mídia Ninja no movimento, Tatiana, que não quis citar o
sobrenome, disse que a nova mídia é "amiga". "Se entrar na
página (do Facebook) da Ninja vai ver que eles noticiam bastante coisa
daqui", disse a moça. "Oposição era o que estava faltando no
jornalismo", concluiu.
Os dois policiais que
se encontravam no local não quiseram se manifestar sobre o assunto.Isadora
Ramos,23 anos, mora no bairro e afirmou que apoia os manifestantes. "Sempre
levo comida e água, é o mínimo que posso oferecer", contou. Já Rita
Domingues, de 41 anos, disse que o movimento atrapalha a vida do bairro. “A
Associação de Moradores já registrou diversas reclamações”, garantiu. Isadora e
Rita desconhecem o trabalho da Mídia Ninja.
As opiniões contrárias permanecem,
e a certeza é que, hoje, o Facebook é o atual queridinho dos comunicólogos, sejam
eles profissionais ou não.
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