Especialistas e
leitores analisam como a web cria sua própria linguagem
Popularizada
no mundo no começo dos anos de 1990, a Internet revolucionou o mundo. No final
da mesma década, o jornalismo entrou nessa “história”, mesmo que ainda de uma
forma tímida, começando então o chamado Jornalismo Online.
Mas
será que mais de uma década depois esse jornalismo tem uma forma própria? O
quanto o tempo real das notícias é algo positivo para as pessoas?
Editor
e diretor geral do site da FOX Sports Brasil, o jornalista Tarian Chaud afirma
que ainda há muita comparação entre o jornalismo impresso e o online. Mas, para ele, os dois estão
cada vez mais separados.
- O
Jornalismo Online proporciona um imediatismo ao leitor que o impresso não
consegue oferecer. Enquanto o jornal impresso é perecível, o online tem
atualização constante. Notícias no online são mais concisas e para consumo
rápido - disse Tarian.
Entretanto,
essa velocidade das informações acaba gerando problemas para os veículos de
comunicação.
- Como
a oferta de informação no online é grande, pode se tornar difícil para o leitor
avaliar autenticidade, direitos e deveres. A pressão pela agilidade na
publicação é enorme e frequentemente provoca erros – concluiu o diretor do site
FOXSports.com.br.
Além
de erros e da autenticidade das informações, as reportagens feitas para a
internet sofrem uma crítica forte e constante: a falta de profundidade.
Enquanto isso, os jornais tradicionais cada vez mais tentam trazer um material
diferenciado, textos com conteúdos mais elaborados. Vitor Costa, 21 anos, é
estudante de comunicação e vê os dois como veículos complementares.
-
Fico o dia inteiro conectado, buscando informações na internet. Nela, tenho imediatismo,
interatividade, grande arquivo de informações, além da possibilidade de acessar
de qualquer lugar do mundo. Mas, todo dia de manhã abro o jornal em casa. Não faço
isso para ler alguma notícia, já que as principais informações não são mais
novidades. Leio porque os grandes jornais estão se reinventando, trazendo
opiniões e assuntos diferenciados – afirmou o estudante.
Mas
nem todos concordam com essa relação Impresso (profundo) x Online (raso). O
jornalista Fernando Santana, ex-repórter do portal O Terra, é um desses.
- É
lógico que as notícias na web são mais curtas e feitas para consumo imediato.
No entanto, há possibilidade de aprofundar qualquer tema com matérias
complementares e deixá-las a um clique de distância do leitor. Enquanto isso,
os jornais têm um espaço limitado, não podem ser esticados. Certamente algumas
matérias são maiores, com opiniões e ideias diferenciadas. Mas, a grande
maioria das notícias que lemos nos jornais são pequenas notas, matérias que
temos um dia antes nos portais – concluiu Santana.
Um
grande exemplo do que foi dito por Fernando Santana está no jornal e no portal
do tradicional O Globo, do Rio de
Janeiro. No seu site, na terça-feira, dia 24 de setembro, foi publicada uma
notícia com o título “Implantado corredor BRS Estácio-Tijuca”. No dia seguinte,
havia no jornal uma reportagem com o mesmo título. Em ambas, o tamanho era
praticamente o mesmo (cinco parágrafos com uma sonora). Na web, ainda havia uma
informação – sobre os próximos BRS’s instalados na cidade – que não estava no
impresso, onde a matéria tinha um espaço muito reduzido.
Publicidade na web e como os portais se
sustentam
Se
esse exemplo mostra que esses dois “tipos” de plataformas de jornalismo ainda
estão muito próximos, essa análise não pode ser feita quando o tema é
arrecadação de fundos. No impresso, a publicidade já está mais do que
consolidada e as propagandas têm tamanho igual, ou até tão grande quanto às
reportagens, enquanto o online ainda busca uma forma de grande capitalização.
Para
Tarian Chaud, por mais que a população já tenha absorvido o jornalismo online,
essa dificuldade de venda dos produtos é um problema que precisa ser resolvido.
- O
alcance do jornalismo online cresce proporcionalmente em relação ao
desenvolvimento de novas tecnologias e a criação de novas plataformas. O
consumo da informação é uma necessidade da população, que procura recebê-la da
maneira mais fácil e prática possível. O maior desafio é como você vai inserir
publicidade, algo que venda um patrocinador para o público. Por maior
credibilidade que o site tenha, a propaganda hoje usada pode repelir os
leitores. Não tenho dúvidas, as outras plataformas - impresso, televisão, rádio
- ainda são os grandes financiadores do jornalismo online - concluiu Tarian.
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