terça-feira, 22 de outubro de 2013

JORNALISMO ONLINE: REVOLUÇÃO OU APENAS O COMEÇO?

Especialistas e leitores analisam como a web cria sua própria linguagem
 Daniel Tenius

     Popularizada no mundo no começo dos anos de 1990, a Internet revolucionou o mundo. No final da mesma década, o jornalismo entrou nessa “história”, mesmo que ainda de uma forma tímida, começando então o chamado Jornalismo Online.    
     Mas será que mais de uma década depois esse jornalismo tem uma forma própria? O quanto o tempo real das notícias é algo positivo para as pessoas?
Editor e diretor geral do site da FOX Sports Brasil, o jornalista Tarian Chaud afirma que ainda há muita comparação entre o jornalismo impresso e o online. Mas, para ele, os dois estão cada vez mais separados.
     - O Jornalismo Online proporciona um imediatismo ao leitor que o impresso não consegue oferecer. Enquanto o jornal impresso é perecível, o online tem atualização constante. Notícias no online são mais concisas e para consumo rápido - disse Tarian.
     Entretanto, essa velocidade das informações acaba gerando problemas para os veículos de comunicação.
     - Como a oferta de informação no online é grande, pode se tornar difícil para o leitor avaliar autenticidade, direitos e deveres. A pressão pela agilidade na publicação é enorme e frequentemente provoca erros – concluiu o diretor do site FOXSports.com.br.
     Além de erros e da autenticidade das informações, as reportagens feitas para a internet sofrem uma crítica forte e constante: a falta de profundidade. Enquanto isso, os jornais tradicionais cada vez mais tentam trazer um material diferenciado, textos com conteúdos mais elaborados. Vitor Costa, 21 anos, é estudante de comunicação e vê os dois como veículos complementares.
     - Fico o dia inteiro conectado, buscando informações na internet. Nela, tenho imediatismo, interatividade, grande arquivo de informações, além da possibilidade de acessar de qualquer lugar do mundo. Mas, todo dia de manhã abro o jornal em casa. Não faço isso para ler alguma notícia, já que as principais informações não são mais novidades. Leio porque os grandes jornais estão se reinventando, trazendo opiniões e assuntos diferenciados – afirmou o estudante.
     Mas nem todos concordam com essa relação Impresso (profundo) x Online (raso). O jornalista Fernando Santana, ex-repórter do portal O Terra, é um desses.
     - É lógico que as notícias na web são mais curtas e feitas para consumo imediato. No entanto, há possibilidade de aprofundar qualquer tema com matérias complementares e deixá-las a um clique de distância do leitor. Enquanto isso, os jornais têm um espaço limitado, não podem ser esticados.       Certamente algumas matérias são maiores, com opiniões e ideias diferenciadas. Mas, a grande maioria das notícias que lemos nos jornais são pequenas notas, matérias que temos um dia antes nos portais – concluiu Santana.
    Um grande exemplo do que foi dito por Fernando Santana está no jornal e no portal do tradicional O Globo, do Rio de Janeiro. No seu site, na terça-feira, dia 24 de setembro, foi publicada uma notícia com o título “Implantado corredor BRS Estácio-Tijuca”. No dia seguinte, havia no jornal uma reportagem com o mesmo título. Em ambas, o tamanho era praticamente o mesmo (cinco parágrafos com uma sonora). Na web, ainda havia uma informação – sobre os próximos BRS’s instalados na cidade – que não estava no impresso, onde a matéria tinha um espaço muito reduzido.
Publicidade na web e como os portais se sustentam

     Se esse exemplo mostra que esses dois “tipos” de plataformas de jornalismo ainda estão muito próximos, essa análise não pode ser feita quando o tema é arrecadação de fundos. No impresso, a publicidade já está mais do que consolidada e as propagandas têm tamanho igual, ou até tão grande quanto às reportagens, enquanto o online ainda busca uma forma de grande capitalização.
     Para Tarian Chaud, por mais que a população já tenha absorvido o jornalismo online, essa dificuldade de venda dos produtos é um problema que precisa ser resolvido.

     - O alcance do jornalismo online cresce proporcionalmente em relação ao desenvolvimento de novas tecnologias e a criação de novas plataformas. O consumo da informação é uma necessidade da população, que procura recebê-la da maneira mais fácil e prática possível. O maior desafio é como você vai inserir publicidade, algo que venda um patrocinador para o público. Por maior credibilidade que o site tenha, a propaganda hoje usada pode repelir os leitores. Não tenho dúvidas, as outras plataformas - impresso, televisão, rádio - ainda são os grandes financiadores do jornalismo online - concluiu Tarian.

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