A preocupação em ser” on time”
denigre a imagem dos sites de notícias
Alessandra
Castro
Dinâmico, econômico e em tempo real,
o jornalismo online ganha seu espaço no mercado de comunicação. Com suas
noticias curtas, com ajuda de imagens ou vídeos, os web jornalistas ilustram
bem o que está acontecendo no momento. O jornal impresso repercute no dia
seguinte com o maior número de detalhes possíveis. Mas, dependendo do horário,
é a web que vai dar os furos jornalísticos. A interatividade e o dinamismo
atraem muitos consumidores interessados na notícia rápida, com linguagem
simples e muitas imagens.
A correria pela informação,
no entanto, pode dar barriga, erros
na apuração de notícias. É o que explica a jornalista da Rede Bandeirante,
Diana Moura: “O online permite uma atualização mais frequente de notícias, on time, mas dá brechas para mais erros
de apuração justamente por essa gana de ser mais rápido.” Muitas vezes, a
pressa pode atrapalhar e veicular um conteúdo errado.
Além da vantagem e desvantagem do
jornalismo “on time”, a web garante uma comodidade aos leitores. Eles ficam
informados sem sair de casa e no momento em que quiserem e tem as principais
notícias o tempo todo.
E ainda não precisam de nada além de
uma rede wifi. Não precisam assinar jornais ou revistas, nem mesmo canais na
TV. Tudo está ali de graça e a disposição do consumidor.
O jornal impresso tem algo que a
internet vai levar anos para conquistar : tradição. O leitor assíduo não troca
o charme, o detalhe, a notícia repercutida. A possibilidade de o repórter ir a campo,
apurar e escrever sua reportagem é muito maior no jornal “de papel” do que no
web jornalismo “on time”. Isso garante uma
qualidade inigualável ao conteúdo.
O web jornalismo consegue reunir uma
grande gama de informações de edições anteriores. Até mesmo, um acervo como fez
o jornal O Globo. Reuniu publicações
antigas do jornal e disponibilizou online para todos os leitores interessados.
Trouxe a tradição do jornal impresso para a dinâmica do online.
O que parece ser hábito só de antigos
surpreende, pois alguns jovens que não abrem mão de pegar o jornal. É o caso de
Ana Paula Bissoli. A universitária de 21 anos lê os sites para se informar de
um jeito rápido e fácil, mas não abre mão do jornal impresso e de revistas. Ela
acredita captar melhor a informação, pois não se distrai na leitura, o que é
mais comum na internet. Lê o site ou agência de notícias enquanto conversa com
amigos ou interage em outros sites, acaba não captando muito bem o que lê.
Ainda mais sendo textos curtos.
O estudante de comunicação Raphael Favila não confia nos sites de notícias. Acha que a maioria das matérias do site G1 é feitas por estagiários que se preocupam em dar um furo e acabam errando. Thomas Milharez trabalha com webjornalismo no site Band Rio e acredita que o impresso perdeu espaço, ficou ultrapassado, já que todos já sabem o que vai ser manchete no dia seguinte. Ele vê o “on time” como a melhor ferramenta. Atualizar é uma ferramenta interessante comercialmente, pois muitas vezes pode deixar o leitor esperando pelas novidades, atraindo mais acessos pro site. No entanto, nem todos se preocupam em atualizar os acontecimentos, deixando apenas com as informações iniciais. O tempo real leva vantagem desde que se preocupe em completar as notícias que postam. O impresso costuma ser bem completo, o virtual precisa ser também. “Existem os sites confiáveis e os de menor credibilidade. Cabe ao leitor ter o discernimento para perceber quais são os melhores.”
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