O jornal em papel
sobreviverá ao avanço das novas formas de comunicação?
Renata Gonçalves
Muito tem se
falado a respeito do fim do jornal impresso. Será que ele vai morrer? Existe
uma solução para que ele volte com força total?
Quais as expectativas para o futuro? Para todas essas perguntas ainda se
buscam respostas. É verdade que o jornal impresso tem perdido sua força, muito
devido ao avanço da tecnologia digital. Mas é muito difícil prever se esse jornal
de papel vai acabar, ou daqui a quanto tempo isso vai acontecer. A mídia vive
tempos de angústia.
Um estudo
realizado pela Future Exploration Network aponta que o ano de 2027 marcará um
momento importante para a história dos jornais no Brasil. De acordo com o
centro de consultoria americana, nesta data não haverá mais diários impressos
no país. Segundo o levantamento, o fim dos jornais chegará primeiro aos Estados
Unidos, que não deverá mais trabalhar com a mídia em 2017. Já a Argentina
resistirá mais ao fim, que deve acontecer em 2039. Mais de 20 países fazem
parte do estudo.
Para o Future Exploration
Network, nacionalmente falando, a previsão será confirmada de acordo com o
desenvolvimento econômico, urbano e desigualdade de riqueza. E os motivos para o fim dos impressos são:
absorção da tecnologia, desenvolvimento da banda larga, penetração de
smartphones e tablets, receita de publicidade no jornal, suporte para a mídia,
censura e comportamento do consumidor. Em termos globais, o que vai pesar é o
aumento de custo na fabricação de e-readers, tablets e smartphones. Além do
desenvolvimento do papel digital, modernização de mecanismos digitais,
tendências de publicidade e mudança na produção e custos do jornal.
Nos últimos
anos, o Brasil presenciou a morte de alguns impressos, como o Jornal da Tarde, Marca Brasil e Mais Esportes, que foram extintos, e o Jornal do Brasil, que deixou de circular
a versão impressa para apostar apenas no digital. O Jornal do Brasil foi fundado em 1891, no Rio de Janeiro e teve mais
de 100 anos de existência. Em 2010, o diário passava a se apresentar como o
primeiro jornal 100% digital do país. Considerado uma referência da imprensa
nacional e um dos mais influentes veículos do país entre o período da ditadura
militar e o início da redemocratização, o JB não resistiu a dívidas e à queda
na tiragem mesmo em um ano em que a circulação dos jornais teve alta de 1,5%
nos primeiros cinco meses de 2010.
Nesta década, o mercado carioca ganhou os jornais Meia Hora, da Editora Dia SA, e Expresso, da Infoglobo, dois veículos que disputam o segmento popular no Rio, e o emergente Destak, de distribuição gratuita.
Nesta década, o mercado carioca ganhou os jornais Meia Hora, da Editora Dia SA, e Expresso, da Infoglobo, dois veículos que disputam o segmento popular no Rio, e o emergente Destak, de distribuição gratuita.
A diferença
principal entre o jornal impresso e o online hoje em dia é que o jornal digital
acompanha o assinante em qualquer local que acesse a Internet. O conteúdo
não tem limitações de espaço. Tem o hiperlink para remeter a documentos,
matérias maiores e outras referências. Pode exibir podcasts e vídeos. Tem
interatividade.
As novas gerações
principalmente, já aboliram o papel das suas leituras. E as que se formaram na
era do papel gradativamente rumam para as plataformas digitais, imensamente
superiores no plano tecnológico. Há uma enorme variedade de pessoas de mais
idade aderindo entusiasmadas às redes sociais. Há uma maior procura pelo jornal
digital devido a essa praticidade e rapidez no ganho da informação. Com todo
esse avanço digital, os jornais de papel têm declinado cada vez mais e
encontram-se com prazo de validade vencendo.
A CONFIANÇA NO JORNAL IMPRESSO
A pesquisa Impacto das Mídias 2014 aponta que o
jornal impresso é a mídia com mais credibilidade entre os executivos. Essa
pesquisa foi realizada pelo Instituto Máquina de Pesquisa, que apura pelo
quarto ano seguido os hábitos de consumo de informação dos principais líderes e
tomadores de decisão do meio empresarial brasileiro. Na edição deste ano, 226
executivos de 137 empresas foram entrevistados entre 7 de abril e 16 de maio.
O estudo mostra que, apesar de a imensa maioria dos
executivos (96%) fazer uso de redes sociais, um pequeno número (7%) disse
confiar nas informações que elas produzem. No entanto, 81% apontaram o jornal
impresso como fonte mais confiável de informação, seguido por rádios (71%) e
revistas (68%).
Segundo o estudo, a internet é o meio pelo qual
mais se consomem notícias; no entanto, 49% dos entrevistados disseram não abrir
mão de versões impressas de jornais e revistas para se abastecerem de
informação.
Segundo a pesquisa, os sites de notícias são o
único meio de comunicação presente na rotina de todos os entrevistados. Os
blogs, porém, são os menos consumidos.
Já os jornais diários estão no dia a dia de 70% dos
entrevistados, número que sobe para 80% quando se considera a versão digital.
Nas revistas, as posições se invertem e os executivos preferem a versão
impressa (81%) à online (52%).
Armando
Gonçalves é comerciante, tem 56 anos e mora na Barra da Tijuca. Costuma ler o
jornal O Globo impresso. Ele afirma
ler jornal de papel até hoje porque já se acostumou. É assinante há mais de 30
anos e gosta das colunas do Globo. Além
disso, o comerciante declarou confiar mais nas notícias dadas no impresso. Para
ele, a credibilidade e veracidade do impresso são incomparáveis.
LER OU NÃO LER?
Therezinha Pupe, aposentada, mora na
Barra da Tijuca e lia O Globo. Aos 77 anos, Therezinha diz ter parado de ler
jornal. “Não gosto daquela tinta”, declarou. Em compensação, ela assiste a
todos os telejornais, da Globo, Globo News e Canção Nova.
João Roberto Magalhães tem 24
anos, é engenheiro e mora em São Conrado. Antigamente João lia o jornal
impresso O Globo, mas hoje ele lê O
Globo online e o Exame, e às vezes A Folha. O jovem declarou preferir ler o
jornal online porque acha mais prático, e pode ser feito a hora que quiser e
pelo celular. “Não preciso mais carregar aquele papel na mão”, afirmou João.
Adu Martins de Oliveira é coronel aposentado do
Exército, tem 83 anos e mora em Copacabana. Adu costuma ler O Globo, mas tem suas críticas ao jornal. Para ele, há informações
contraditórias e se fala de corrupção o tempo todo. Apesar de algumas críticas
ao impresso, ele afirma não conseguir parar de ler O Globo, por questão de costume e curiosidade.
Para o
professor de Mídias da PUC-RIO Stan Felix, o impresso ainda deve continuar
existindo por pelo menos uns 30 anos. “Continuo lendo impresso mais por uma questão de costume. E embora
guarde revistas, como a Veja, Exame e Época que continuo assinando, leio online porque precisamos ter
referências. Hoje mesmo queria saber uma informação e procurei na internet e achei a matéria
completa”, declarou o professor.
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