Especialistas
apontam a necessidade de novos rumos para que setor se reinvente
Por Carolina Lomelino
De
acordo com o último levantamento realizado pelo Instituto Verificador de
Circulação, o IVC, em 2013, o periódico brasileiro impresso com maior média de
circulação diária é o jornal mineiro Super
Notícia, que tem uma tiragem de pouco mais de 300 mil exemplares por dia.
Em uma comparação com o mercado de jornais impressos do passado, quando a Folha de São Paulo chegou a imprimir um
milhão de cópias/dia, chega-se a conclusão de que o valor atual é muito baixo.
É apresentado então um dos grandes dilemas da atualidade: o jornal, como é hoje
em dia, vai acabar?
A
certeza é de que o mercado precisa de inovar. É que afirmou o diretor
brasileiro da Innovation Media Consulting Group, Eduardo Tessler em post
recente no blog Meio e Mensagem. “Os
jornais precisam se reinventar. Chega de publicar as “notícias de ontem”. O
caminho é reduzir o número de páginas e dar espaço ao o que for relevante, que
ajude a explicar os fatos, deixando os breaking
news para as mídias digitais e eletrônicas”. Por essa tentativa de fazer diferente passam fatos
como a adoção novos modelos de negócios e as novas funções do repórter.
Brasil
fora da curva
Em entrevista recente ao
Portal PUC-Rio Digital, o diretor-executivo da associação brasileira de jornais
Ricardo Pedreira comentou o cenário nacional. Com base em dados do IVC, que
apontam um crescimento na circulação de jornais pagos no país, Pedreira diz que
o mercado enxerga o Brasil como uma exceção.
“Enquanto nos Estados Unidos e na Europa a circulação vem caindo, em países
como Rússia, China e Índia esse é um mercado a ser conquistado. O aumento do
poder aquisitivo, uma melhor distribuição de renda, a economia crescendo e
novos consumidores surgindo, com um número maior de pessoas se alfabetizando,
por exemplo, acabam refletindo nos leitores de jornais. Basicamente é isso que
tem beneficiado o crescimento dos jornais impressos nos últimos anos”, observa
ele.
A indústria brasileira de jornais vem
tentando se atualizar. O caso mais famoso, e nada bem sucedido, é o do Jornal do Brasil. Após um período de crise
nas vendas, o jornal foi comprado em 2001 e passou por uma reformulação. Houve
uma pequena recuperação, o jornal passou ao formato tabloide, mas em 2010
acabou extinto no papel, migrando totalmente para a internet, mas perdendo a
essência.
O jornal carioca O Globo passou recentemente por uma onda de renovações. A nova ordem
é dar mais valor para o online. Os profissionais ganharam novas funções e
horários, mas o resultado prático desta renovação ainda não foi amplamente
divulgado. “Observar o impresso e o online como complementares e não como
rivais. Essa pode ser uma das chaves para o mercado se reerguer. Cada coisa tem
o seu lugar na nova dinâmica do jornalismo diário”, exemplifica José Roberto de
Toledo, editor do Estadão.
O papel das
imagens no jornal
De acordo com uma pesquisa da União
Internacional de Telecomunicação, até o fim de 2014, o número de celulares
ativos no mundo se igualará ao de habitantes da terra. No Brasil, a
visualização de notícias via celular é um dado inegável, tanto que a indústria
está se adaptando para atingir a um público que tem pouco tempo a perder.
O uso de imagens para atrair a atenção do leitor então
surge como um caminho disponível. Além das fotos, o jornalismo hoje abusa de
infográficos, gráficos, ilustrações, mapas e outros recursos ilustrativos.
Assim, o próprio jornalista muda de posição, passa a não ter mais que voltar
toda a sua atenção ao texto, mas entender a conexão que suas palavras
precisarão fazer com as imagens.
“Como
importante forma de comunicação moderna, as imagens nas notícias têm dado cada
vez mais importância a seu impacto visual e ao poder de persuasão, e vêm
influenciando a forma de pensar das pessoas e padrões de comportamento”,
afirmou o professor da Escola de Arte e Design da Universidade de Zhejiang, na
China, Hailin, em artigo publicado pela revista Alceu.
Com a grande disponibilidade de dados
disponíveis, as matérias publicadas também ganham outro caráter, deixando de
ser simplesmente informativas e passando a trazer grandes reflexões sobre os
fatos cotidianos. Isso, aliado ao uso de imagens e animações, tentam resgatar o
leitor, trazê-lo de volta a acompanhar as notícias e a se interessar em comprar
ou assinar um grande jornal. É mais uma das tentativas da indústria em buscar
meios de se capitalizar e lucrar vendendo o espaço publicitário.
Ler ou não ler, eis a
questão
“Eu parei de assinar o jornal impresso e agora só acesso
a versão online. É mais fácil e prático, posso ler em qualquer lugar. Não
abandono o meu jornal, mas o papel não leio mais.” Ronaldo Oliveira, 24 anos, administrador.
“Odeio papel, suja a mão, é pesado, cheio de propaganda
inútil. Não assino nada, leio tudo online nos sites de notícias globo.com, uol,
do globo e no twitter.” Viviane Moreira, 35 anos, médica.
“Eu assino o papel e o online, mas confesso que não tenho
lido nenhum dos dois, não tenho tido tempo, acho as notícias grandes e chatas.
Acabo lendo o que sai no facebook e vivo assistindo a Globonews.” Eduardo
Monteiro, 54 anos, advogado.
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