quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A circulação sobe, mas interesse cai entre jovens


Especialistas apontam a necessidade de novos rumos para que setor se reinvente

Por Carolina Lomelino
De acordo com o último levantamento realizado pelo Instituto Verificador de Circulação, o IVC, em 2013, o periódico brasileiro impresso com maior média de circulação diária é o jornal mineiro Super Notícia, que tem uma tiragem de pouco mais de 300 mil exemplares por dia. Em uma comparação com o mercado de jornais impressos do passado, quando a Folha de São Paulo chegou a imprimir um milhão de cópias/dia, chega-se a conclusão de que o valor atual é muito baixo. É apresentado então um dos grandes dilemas da atualidade: o jornal, como é hoje em dia, vai acabar?
A certeza é de que o mercado precisa de inovar. É que afirmou o diretor brasileiro da Innovation Media Consulting Group, Eduardo Tessler em post recente no blog Meio e Mensagem. “Os jornais precisam se reinventar. Chega de publicar as “notícias de ontem”. O caminho é reduzir o número de páginas e dar espaço ao o que for relevante, que ajude a explicar os fatos, deixando os breaking news para as mídias digitais e eletrônicas”.  Por essa tentativa de fazer diferente passam fatos como a adoção novos modelos de negócios e as novas funções do repórter.

Brasil fora da curva

Em entrevista recente ao Portal PUC-Rio Digital, o diretor-executivo da associação brasileira de jornais Ricardo Pedreira comentou o cenário nacional. Com base em dados do IVC, que apontam um crescimento na circulação de jornais pagos no país, Pedreira diz que o mercado enxerga o Brasil como uma exceção. “Enquanto nos Estados Unidos e na Europa a circulação vem caindo, em países como Rússia, China e Índia esse é um mercado a ser conquistado. O aumento do poder aquisitivo, uma melhor distribuição de renda, a economia crescendo e novos consumidores surgindo, com um número maior de pessoas se alfabetizando, por exemplo, acabam refletindo nos leitores de jornais. Basicamente é isso que tem beneficiado o crescimento dos jornais impressos nos últimos anos”, observa ele.
A indústria brasileira de jornais vem tentando se atualizar. O caso mais famoso, e nada bem sucedido, é o do Jornal do Brasil. Após um período de crise nas vendas, o jornal foi comprado em 2001 e passou por uma reformulação. Houve uma pequena recuperação, o jornal passou ao formato tabloide, mas em 2010 acabou extinto no papel, migrando totalmente para a internet, mas perdendo a essência.
O jornal carioca O Globo passou recentemente por uma onda de renovações. A nova ordem é dar mais valor para o online. Os profissionais ganharam novas funções e horários, mas o resultado prático desta renovação ainda não foi amplamente divulgado. “Observar o impresso e o online como complementares e não como rivais. Essa pode ser uma das chaves para o mercado se reerguer. Cada coisa tem o seu lugar na nova dinâmica do jornalismo diário”, exemplifica José Roberto de Toledo, editor do Estadão.

O papel das imagens no jornal

De acordo com uma pesquisa da União Internacional de Telecomunicação, até o fim de 2014, o número de celulares ativos no mundo se igualará ao de habitantes da terra. No Brasil, a visualização de notícias via celular é um dado inegável, tanto que a indústria está se adaptando para atingir a um público que tem pouco tempo a perder.
O uso de imagens para atrair a atenção do leitor então surge como um caminho disponível. Além das fotos, o jornalismo hoje abusa de infográficos, gráficos, ilustrações, mapas e outros recursos ilustrativos. Assim, o próprio jornalista muda de posição, passa a não ter mais que voltar toda a sua atenção ao texto, mas entender a conexão que suas palavras precisarão fazer com as imagens.
“Como importante forma de comunicação moderna, as imagens nas notícias têm dado cada vez mais importância a seu impacto visual e ao poder de persuasão, e vêm influenciando a forma de pensar das pessoas e padrões de comportamento”, afirmou o professor da Escola de Arte e Design da Universidade de Zhejiang, na China, Hailin, em artigo publicado pela revista Alceu.
Com a grande disponibilidade de dados disponíveis, as matérias publicadas também ganham outro caráter, deixando de ser simplesmente informativas e passando a trazer grandes reflexões sobre os fatos cotidianos. Isso, aliado ao uso de imagens e animações, tentam resgatar o leitor, trazê-lo de volta a acompanhar as notícias e a se interessar em comprar ou assinar um grande jornal. É mais uma das tentativas da indústria em buscar meios de se capitalizar e lucrar vendendo o espaço publicitário.

Ler ou não ler, eis a questão

“Eu parei de assinar o jornal impresso e agora só acesso a versão online. É mais fácil e prático, posso ler em qualquer lugar. Não abandono o meu jornal, mas o papel não leio mais.” Ronaldo Oliveira, 24 anos, administrador.
“Odeio papel, suja a mão, é pesado, cheio de propaganda inútil. Não assino nada, leio tudo online nos sites de notícias globo.com, uol, do globo e no twitter.” Viviane Moreira, 35 anos, médica.

“Eu assino o papel e o online, mas confesso que não tenho lido nenhum dos dois, não tenho tido tempo, acho as notícias grandes e chatas. Acabo lendo o que sai no facebook e vivo assistindo a Globonews.” Eduardo Monteiro, 54 anos, advogado.

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