O jornal está passando por transformações. Será que vai sobreviver à nova era?
Lívia Hespanhol
O
jornal impresso passa por uma grande crise com o avanço da tecnologia,
principalmente da internet. Uma pesquisa americana realizada pela Future
Exploration Network afirma que o jornal em seu formato original está com os
dias contados. E sua morte no Brasil já possui data: o ano de 2027. Outros
países também são citados nas pesquisas, o desaparecimento nos Estados Unidos
acontecerá mais cedo em 2017 e na Argentina apenas em 2039. Os americanos já
perderam desde 2008 mais de 200 jornais e o número tende a crescer cada vez
mais rápido.
Com
a evolução da tecnologia, o mundo precisou se adaptar. Tudo mudou. E essa vida
de transformação causou quebras e renascimentos. O jornal impresso está
exatamente no meio deste processo: o período de mudanças para conseguir se
manter vivo. É preciso identificar o que já não funciona mais no papel, aderir
às vantagens da internet e tentar descobrir o que falta neste mundo
tecnológico.
No
Brasil, temos um exemplo de um jornal de grande circulação que não conseguiu
aguentar a crise e migrou totalmente para a internet: o Jornal do Brasil. Foi o primeiro a investir em tecnologias no ano
de 1995 e a se tornar totalmente digital. O diário fundado em 1891 foi um dos
mais importantes na história da imprensa brasileira. Inovou em diversas áreas
do impresso, que continuam sendo utilizadas até hoje como o suplemento
dominical. O jornal passou por grandes modernizações gráficas, mas não
conseguiu aguentar a crise e se rendeu a internet em 2010.
A geração conhecida como Millennials, aquela
que já nasceu na era digital, pode ser considerada um dos principais motivos
para esta grande mudança no mundo do jornalismo impresso. A jornalista Isabela
Florenzano afirma que os jovens não possuem o hábito de ler o papel. Eles vivem
em um mundo ágil e prático, a leitura deste modelo requer tempo e eles preferem
a rapidez. É preciso criar maneiras de atrair estes novos leitores. Para ela, é
necessária uma adaptação para que o jornal se faça essencial. Neste momento,
ele se tornou apenas um coadjuvante.
A
vida mudou e a sociedade atual vive um momento de correria. É preciso
praticidade para ter tempo de fazer tudo o que é necessário no dia. E, por
isso, as informações também precisam chegar de forma mais rápida e eficiente.
Este se tornou um dos motivos para as pessoas que nasceram na era do papel
começarem a trocá-lo pelo digital. De acordo com o professor Hugo Colombo, ler
o jornal pelo celular ou pelo tablete é melhor. Possui fácil acesso e ainda é
possível focar nos assuntos que mais interessam. A informação está ao alcance
das mãos em qualquer momento do dia e em qualquer lugar.
Existem leitores que acreditam a
internet ser apenas um complemento para o jornal impresso e que nada irá
substituí-lo. A psicóloga Ana Luísa Lima afirma que utiliza o celular para se
aprofundar um pouco mais nas matérias. Mas não confia totalmente na internet, a
credibilidade do jornal tem muito valor.
Não é possível afirmar o futuro do jornal, mas é preciso de renovações para
que continue vivo e atenda às novas necessidades de seus antigos e novos
leitores.
As transformações do jornal
O jornal é um meio de comunicação
muito influente na vida das pessoas, mas as mudanças na sociedade foram crescendo
e o jornal continua o mesmo. Com o avanço da internet e a facilidade da
informação em tempo real, o impresso foi perdendo espaço para celulares,
tablets e computadores. A praticidade de ler as matérias em qualquer lugar, a
qualquer hora do dia e ler apenas o que interessa encantaram as pessoas. Os
antigos leitores estão sendo seduzidos por essa nova facilidade e novos
leitores não estão sendo criados. Este é o risco do futuro do jornal. O que irá
acontecer quando a última geração de leitores morrer? Será que o papel irá
desaparecer também?
Segundo a jornalista Tainá Proença,
é necessário entender que a tecnologia avança a cada dia e é essencial aprender
uma forma de conviver ou será engolida por ela. É preciso criar novas maneiras
para atrair os jovens que nasceram na geração digital e não criaram o hábito de
ler o impresso. O tamanho do papel, o cheiro da tinta, a falta de praticidade
são alguns dos motivos para que o jornal não seja atrativo para as pessoas. A
reestruturação do papel é uma das maneiras de conseguir se manter vivo por mais
tempo. A jornalista Isabela Florenzano afirma que a maior transformação será em
relação à periodicidade. Provavelmente, uma edição de domingo com as notícias
mais importantes da semana, uma grande apuração e todos os seus desdobramentos.
Para ela, estas são algumas ideias, mas é preciso se adaptar de acordo com a
evolução da tecnologia.
Acabou o papel?
·
José Antônio Silva, empresário, 55 anos: “Para quem
tem o costume de ler apenas em papel é difícil mudar para o digital. É uma
grande transformação e que impacta em todo o meu ritual de leitura.”
·
Ana Luisa Lima, psicóloga, 31 anos: “Para evitar que a
falta de tempo do dia a dia me impedisse de manter a leitura do jornal, prefiro
priorizar a durante a semana a internet.”
·
Hugo Colombo, professor, 29 anos: “Praticidade é a
palavra que define o motivo da minha escolha pelo jornal digital.”
·
Isabela Florenzano, jornalista, 24 anos: “A informação
está ao alcance das mãos em qualquer momento do dia e em qualquer lugar.”
·
Tainá Proença, jornalista, 24 anos: “O papel pode se
tornar uma fuga desta vida corrida. Um incentivo para que as pessoas parem um
pouco.”
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