No mundo moderno dos
computadores, papel luta para manter a força
Diogo Honorato
A explosão da
internet, o surgimento de smartphones e a expansão dos jornais para o formato
digital facilitaram a vida de muita gente. A divulgação e recepção de notícias
se tornou algo prático e de fácil acesso. O caso que ocorre em um canto do
mundo chega do outro lado do planeta em questão de minutos, e qualquer pessoa
tem como saber. A globalização, porém, não é tão comemorada assim por alguns.
Apesar de ter dinamizado a notícia,
a velocidade de internet e celulares é motivo da dor de cabeça diária que
atormenta jornais impressos e seus profissionais e adeptos. Com uma geração
tomada pela falta de tempo e necessidade de rapidez, o simples ato de ler um jornal
de papel virou raridade preocupante.
O Jornal do Brasil, talvez, seja o maior exemplo dos efeitos
colaterais que o mundo globalizado causou nos impressos. Um dos mais influentes
de sua época, eternizado pela inteligência e sutileza quase debochada com que
enfrentou a ditadura, o JB sucumbiu
ao mundo digital. Depois de passar alguns anos respirando por aparelhos, o
jornal fechou as portas e se tornou inteiramente digital.
Por mais trágico que o seja fim do Jornal do Brasil, outros impressos
também recorreram à mídia online para não perder seu público. O Globo, Extra, O Dia, entre
outros, também criaram plataformas digitais para dar suporte ao impresso, em
uma espécie de canibalismo controlado. Sinal disso é que, além de digitalizar
os exemplares vendidos nas bancas, os sites também trabalham em tempo real,
publicando notícias na velocidade que elas acontecem.
Mesmo com as pancadas sofridas por
um mundo tomado pela mídia digital, a discussão sobre o risco de fim do jornal
impresso divide opiniões. Há quem ache que o papel não tem como se manter vivo
diante das adversidades, outros que acreditam que a credibilidade do impresso
seja mais importante do que a velocidade da internet. Outros, ainda, dizem que
uma reestruturação é o necessário para dar sobrevida aos jornais.
Um dos adeptos do impresso, o
estudante de jornalismo João Gabriel Vanzilotta, de 22 anos, mantém esperança
no futuro do papel. Ele, que trabalha quase diariamente ajudando o avô na banca
de jornal da família e convive com a sensação tátil do jornal, é daqueles que
crê na força da credibilidade:
- Apesar da rapidez que as pessoas
recebem notícias em celulares ou no computador, o impresso ganha em
credibilidade. Antes de uma matéria ser publicada no jornal, ela é muito mais
apurada, passa muito mais confiança ao leitor do que uma informação de algo que
mal aconteceu e já está sendo divulgada.
Inegável dizer que existe uma luta
invisível diária do papel tentando se mantiver contra o digital que cresce mais
a cada momento, onde ainda não há um “derrotado” iminente. Reestruturação?
Mudança de idealismo? Investimento em novos formatos? As dúvidas sobre como se
fazer para manter o impresso vivo são várias. Fato é que entre perguntas,
problemas e preocupações, o jornal de papel ainda rechaça pra longe o final da
briga. Ainda porque, o peso da história e confiabilidade de um impresso, pelo
menos por enquanto, estão sendo suficiente para manter o papel firme e forte e
deixar em aberto como vai ser o fim dessa disputa.
Impresso passa mais
confiança
Um dos sintomas que mostram que o
impresso ainda está distante do fim é a confiança que os leitores têm na
apuração das matérias. A informação corre na internet a todo vapor, o que nem
sempre é tão interessante quanto parece. Com a velocidade que notícias são
postadas, mínima é a apuração delas. Caso frequente é a publicação de coisas
incorretas, que logo depois são editadas, exatamente pela falta da busca
necessária pela veracidade dos fatos.
Outro
fator que chama a atenção dos leitores a favor do jornal de papel é o peso
maior que cada notícia recebe. De acordo com o jovem estudante Gabriela Araújo,
de 16 anos, que está cursando o 1º ano do ensino médio, procurar uma notícia no
jornal é muito mais fácil.
“A internet posta notícias a todo instante,
e é muito chato ter que ficar procurando a notícia online. O jornal publica o
que é mais importante, dá muito mais peso para as notícias que publica, e isso
é muito melhor para o leitor. Fica muito melhora para ler”.
Os
benefícios do impresso conseguem combater a globalização e manter o papel ainda
na briga pela sobrevivência. Mesmo com estudos prevendo o final dos jornais, é
inimaginável que de fato o impresso feche as portas. Daqui pra frente, é
esperar para ver o desenrolar dessa história de enredo dramático, e torcer por
um final feliz.
5
motivos para não deixar de ler o jornal impresso:
João
Gabriel Vanzilotta, estudante, 22 anos – “Antes de uma matéria ser publicada no jornal, ela é muito
mais apurada, passa muito mais confiança ao leitor do que uma informação de
algo que mal aconteceu e já está sendo divulgada”.
Cristiane
Honorato, professora, 45 anos- “O
jornal é mais confiável. Na internet, qualquer coisa vira notícia, é muito mais
eficiente ler o impresso, é mais garantia de certeza”.
Igor
Daemon, publicitário, 22 anos- “A
internet é mais prática, mas isso não é algo totalmente bom. Às vezes, não é só
porque a mídia online publicou rápido que aquela informação é totalmente
confiável”.
Gabriela
Araújo, estudante, 16 anos- “A
internet posta notícias a todo instante, é muito chato ter que ficar procurando
alguma notícia online. O jornal só publica o que é mais importante, dá mais
peso as notícias, e isso é muito melhor para o leitor”.
Renata
Gonçalves, publicitária, 24 anos -“Apesar
da praticidade online, o jornal impresso é mais apurado A notícia do impresso é
muito mais confiável do que na internet”.
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