terça-feira, 7 de outubro de 2014

Jornal impresso sobrevive diante da globalização

No mundo moderno dos computadores, papel luta para manter a força
Diogo Honorato

            A explosão da internet, o surgimento de smartphones e a expansão dos jornais para o formato digital facilitaram a vida de muita gente. A divulgação e recepção de notícias se tornou algo prático e de fácil acesso. O caso que ocorre em um canto do mundo chega do outro lado do planeta em questão de minutos, e qualquer pessoa tem como saber. A globalização, porém, não é tão comemorada assim por alguns.
            Apesar de ter dinamizado a notícia, a velocidade de internet e celulares é motivo da dor de cabeça diária que atormenta jornais impressos e seus profissionais e adeptos. Com uma geração tomada pela falta de tempo e necessidade de rapidez, o simples ato de ler um jornal de papel virou raridade preocupante.
            O Jornal do Brasil, talvez, seja o maior exemplo dos efeitos colaterais que o mundo globalizado causou nos impressos. Um dos mais influentes de sua época, eternizado pela inteligência e sutileza quase debochada com que enfrentou a ditadura, o JB sucumbiu ao mundo digital. Depois de passar alguns anos respirando por aparelhos, o jornal fechou as portas e se tornou inteiramente digital.
            Por mais trágico que o seja fim do Jornal do Brasil, outros impressos também recorreram à mídia online para não perder seu público. O Globo, Extra, O Dia, entre outros, também criaram plataformas digitais para dar suporte ao impresso, em uma espécie de canibalismo controlado. Sinal disso é que, além de digitalizar os exemplares vendidos nas bancas, os sites também trabalham em tempo real, publicando notícias na velocidade que elas acontecem.
            Mesmo com as pancadas sofridas por um mundo tomado pela mídia digital, a discussão sobre o risco de fim do jornal impresso divide opiniões. Há quem ache que o papel não tem como se manter vivo diante das adversidades, outros que acreditam que a credibilidade do impresso seja mais importante do que a velocidade da internet. Outros, ainda, dizem que uma reestruturação é o necessário para dar sobrevida aos jornais.
            Um dos adeptos do impresso, o estudante de jornalismo João Gabriel Vanzilotta, de 22 anos, mantém esperança no futuro do papel. Ele, que trabalha quase diariamente ajudando o avô na banca de jornal da família e convive com a sensação tátil do jornal, é daqueles que crê na força da credibilidade:
            - Apesar da rapidez que as pessoas recebem notícias em celulares ou no computador, o impresso ganha em credibilidade. Antes de uma matéria ser publicada no jornal, ela é muito mais apurada, passa muito mais confiança ao leitor do que uma informação de algo que mal aconteceu e já está sendo divulgada.
            Inegável dizer que existe uma luta invisível diária do papel tentando se mantiver contra o digital que cresce mais a cada momento, onde ainda não há um “derrotado” iminente. Reestruturação? Mudança de idealismo? Investimento em novos formatos? As dúvidas sobre como se fazer para manter o impresso vivo são várias. Fato é que entre perguntas, problemas e preocupações, o jornal de papel ainda rechaça pra longe o final da briga. Ainda porque, o peso da história e confiabilidade de um impresso, pelo menos por enquanto, estão sendo suficiente para manter o papel firme e forte e deixar em aberto como vai ser o fim dessa disputa.

Impresso passa mais confiança
            Um dos sintomas que mostram que o impresso ainda está distante do fim é a confiança que os leitores têm na apuração das matérias. A informação corre na internet a todo vapor, o que nem sempre é tão interessante quanto parece. Com a velocidade que notícias são postadas, mínima é a apuração delas. Caso frequente é a publicação de coisas incorretas, que logo depois são editadas, exatamente pela falta da busca necessária pela veracidade dos fatos.
            Outro fator que chama a atenção dos leitores a favor do jornal de papel é o peso maior que cada notícia recebe. De acordo com o jovem estudante Gabriela Araújo, de 16 anos, que está cursando o 1º ano do ensino médio, procurar uma notícia no jornal é muito mais fácil.
“A internet posta notícias a todo instante, e é muito chato ter que ficar procurando a notícia online. O jornal publica o que é mais importante, dá muito mais peso para as notícias que publica, e isso é muito melhor para o leitor. Fica muito melhora para ler”.
            Os benefícios do impresso conseguem combater a globalização e manter o papel ainda na briga pela sobrevivência. Mesmo com estudos prevendo o final dos jornais, é inimaginável que de fato o impresso feche as portas. Daqui pra frente, é esperar para ver o desenrolar dessa história de enredo dramático, e torcer por um final feliz.

5 motivos para não deixar de ler o jornal impresso:

João Gabriel Vanzilotta, estudante, 22 anos – “Antes de uma matéria ser publicada no jornal, ela é muito mais apurada, passa muito mais confiança ao leitor do que uma informação de algo que mal aconteceu e já está sendo divulgada”.
Cristiane Honorato, professora, 45 anos- “O jornal é mais confiável. Na internet, qualquer coisa vira notícia, é muito mais eficiente ler o impresso, é mais garantia de certeza”.
Igor Daemon, publicitário, 22 anos- “A internet é mais prática, mas isso não é algo totalmente bom. Às vezes, não é só porque a mídia online publicou rápido que aquela informação é totalmente confiável.
Gabriela Araújo, estudante, 16 anos- “A internet posta notícias a todo instante, é muito chato ter que ficar procurando alguma notícia online. O jornal só publica o que é mais importante, dá mais peso as notícias, e isso é muito melhor para o leitor.

Renata Gonçalves, publicitária, 24 anos -“Apesar da praticidade online, o jornal impresso é mais apurado A notícia do impresso é muito mais confiável do que na internet”. 

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