Mudanças no veículo impresso
Marina Chiarelli
A antiga plataforma não está passando
por uma crise, e sim por uma transição
O crescente uso dos meios digitais
pela busca por informações fez com que cerca de 26% da população brasileira acessa a internet
diariamente, segundo a Pesquisa Brasileira Mídia divulgada em 2014. Devido as
mudanças que ocorreram na sociedade as pessoas acabaram criando novas maneiras
de lerem os jornais e as empresas tiveram que se adaptar a esta realidade, e
por isso, a circulação dos jornais caiu 1, 9%, de acordo com o Instituto
Verificador de Informação.
O jornal
impresso pode parar de circular no Brasil em 2027. Esta informação foi
divulgada pelo site Future Exploration
Network (FEN), que auxilia grandes organizações a estudarem o futuro do
jornalismo impresso no mundo. O dado é baseado a partir do crescimento da
tecnologia móvel, da plataforma online e do baixo custo operacional da internet,
que contrasta com o alto valor gasto para a produção de um jornal em papel.
Ainda de
acordo com o FEN, o primeiro país a
abolir o jornal no formato impresso será os Estados Unidos em 2017, que desde o
surgimento da internet já fechou mais de dois mil jornais. Depois será a
Inglaterra, em 2019, seguida pelo Canadá e Noruega em 2020.
No Brasil,
cerca de 41 milhões de pessoas já navegam pela internet através dos dispositivos
móveis, e esse número tende a crescer segundo um estudo da agência de
publicidade F/Nazca Saatchi & Saatchi,
divulgado em janeiro deste ano.
Diferentemente
do que muitos pensam sobre o tema, a professora do Departamento de Comunicação
Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Suely Caldas
acredita que o jornal impresso não está passando por uma crise, e sim por um
processo de transição, em que ninguém pode dizer ao certo o que vai acontecer
com o jornal de papel.
– Eu acho
que a gente está vivendo um processo de transição. Uma transição em que o
jornal impresso continua sendo necessário e útil para a imprensa. Porém, em um
momento em que as pessoas, principalmente o jovens, estão mais ambientadas com
o computador.
Ainda de
acordo com Suely Caldas, dentro de uma empresa de comunicação que possui rádio,
televisão e portal na internet, o jornal impresso é o veículo que dá mais lucro
e faturamento publicitário. Para exemplificar essa questão, a professora citou
o New York Times, um dos jornais mais
influentes no mundo.
– Manter o
jornal impresso interessa a todas as empresas, não é à toa que no New York Times a versão impressa é
prioritária. Mas é claro que algumas mudanças foram necessárias dentro da
empresa. O diretor de redação que não se adaptou aos produtos da internet foi
substituído pela diretora do departamento de mídias digitais.
No início
deste mês, representantes de três grandes veículos de comunicação brasileiros (O Globo, a Folha de São Paulo e o Estado de
São Paulo) se reuniram na Casa do
Saber, na Lagoa, Zona Sul do Rio de Janeiro, para discutirem os desafios
apresentados pelo avança tecnológico, e chegaram à conclusão de que a notícia
em papel ainda tem um longo caminho pela frente. Porém, em alguns países da
América Latina podemos ver que o jornal impresso está com os dias contatos, e
isso se deve a constante ameaça à liberdade de imprensa.
Imprensa
ameaçada na América Latina
O jornal
mais antigo da Venezuela, o El Impulso,
vai parar de circular devido a falta de papel. O problema, que parece simples,
já vem acontecendo há dois anos. O jornal, inclusive, recebeu papel emprestado
de jornais colombianos e mesmo assim foi forçado a fechar as portas alguns dias
após o surgimento de um novo jornal, do governista Partido Socialista Unido da
Venezuela.
A falta de
incentivo e apoio do governo, além da falta de papel, já fizeram com que sete
jornais regionais da Venezuela suspendessem a publicação, e o problema ainda
compromete outros 15 jornais de terem que fazer a mesma coisa.
Outro fator
que contribui para o fechamento de jornais é o crime organizado. Os criminosos
sabem do papel dos jornalistas e das denúncias feitas por eles, que interferem
nos interesses das facções. Com isso, profissionais da imprensa já foram
assassinados em Honduras. Só neste país, 29 jornalistas foram assassinados
desde o golpe contra Manuel Zelaya, que ocupou a presidência de Honduras de
2006 a 2009. E dos 29 crimes, todos permanecem impunes.
O direito à
informação e a publicação de notícias por parte dos jornalistas estão longe de
obterem padrões éticos nos países latinos.
As informações divulgadas precisam priorizar os interesses autoritários
dos governistas.
Opiniões
sobre o impresso
Nadja Lopes
Cardoso, de 53 anos: Nadja relatou que nunca lê o jornal pelo celular mas já está
acostumada a ler tanto no papel quanto na internet. Segundo a comissária, o jornal
de papel é uma questão de hábito e por isso concilia com a leitura pelo
computador.
Debora
Cardoso: A estudante de 20 anos só lê jornal na internet e principalmente no
celular. A jovem acredita que a plataforma móvel traz muita praticidade para o
dia a dia, diferentemente do jornal impresso.
Jaír Nóbrega
Cardoso, de 77 anos: O aposentado diz que não sabe e nem quer usar o computador
e por isso, só lê o jornal de papel. Segundo ele, a assinatura e o hábito de
ler jornal sempre estiveram presentes.
Aluízio
Alves, 70 anos: O professor do Departamento de Comunicação da PUC-Rio acredita
que é importante levar em conta as mudanças que os jornais impressos estão
passando para se adaptar à mídia digital.
Suely
Caldas, 66 anos: Segundo a professora da PUC-Rio,
o jornal está buscando um caminho para se diferenciar
dos produtos da internet. Para ela, os jornais estão oferecendo um produto de
maior qualidade.
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