terça-feira, 7 de outubro de 2014

FUTURO DO JORNAL


Mudanças no veículo impresso

 Marina Chiarelli

A antiga plataforma não está passando por uma crise, e sim por uma transição
O crescente uso dos meios digitais pela busca por informações fez com que cerca de 26% da população brasileira acessa a internet diariamente, segundo a Pesquisa Brasileira Mídia divulgada em 2014. Devido as mudanças que ocorreram na sociedade as pessoas acabaram criando novas maneiras de lerem os jornais e as empresas tiveram que se adaptar a esta realidade, e por isso, a circulação dos jornais caiu 1, 9%, de acordo com o Instituto Verificador de Informação. 
O jornal impresso pode parar de circular no Brasil em 2027. Esta informação foi divulgada pelo site Future Exploration Network (FEN), que auxilia grandes organizações a estudarem o futuro do jornalismo impresso no mundo. O dado é baseado a partir do crescimento da tecnologia móvel, da plataforma online e do baixo custo operacional da internet, que contrasta com o alto valor gasto para a produção de um jornal em papel.
Ainda de acordo com o FEN, o primeiro país a abolir o jornal no formato impresso será os Estados Unidos em 2017, que desde o surgimento da internet já fechou mais de dois mil jornais. Depois será a Inglaterra, em 2019, seguida pelo Canadá e Noruega em 2020.
No Brasil, cerca de 41 milhões de pessoas já navegam pela internet através dos dispositivos móveis, e esse número tende a crescer segundo um estudo da agência de publicidade F/Nazca Saatchi & Saatchi, divulgado em janeiro deste ano.
Diferentemente do que muitos pensam sobre o tema, a professora do Departamento de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Suely Caldas acredita que o jornal impresso não está passando por uma crise, e sim por um processo de transição, em que ninguém pode dizer ao certo o que vai acontecer com o jornal de papel.
– Eu acho que a gente está vivendo um processo de transição. Uma transição em que o jornal impresso continua sendo necessário e útil para a imprensa. Porém, em um momento em que as pessoas, principalmente o jovens, estão mais ambientadas com o computador.
Ainda de acordo com Suely Caldas, dentro de uma empresa de comunicação que possui rádio, televisão e portal na internet, o jornal impresso é o veículo que dá mais lucro e faturamento publicitário. Para exemplificar essa questão, a professora citou o New York Times, um dos jornais mais influentes no mundo.
– Manter o jornal impresso interessa a todas as empresas, não é à toa que no New York Times a versão impressa é prioritária. Mas é claro que algumas mudanças foram necessárias dentro da empresa. O diretor de redação que não se adaptou aos produtos da internet foi substituído pela diretora do departamento de mídias digitais.
No início deste mês, representantes de três grandes veículos de comunicação brasileiros (O Globo, a Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo) se reuniram na Casa do Saber, na Lagoa, Zona Sul do Rio de Janeiro, para discutirem os desafios apresentados pelo avança tecnológico, e chegaram à conclusão de que a notícia em papel ainda tem um longo caminho pela frente. Porém, em alguns países da América Latina podemos ver que o jornal impresso está com os dias contatos, e isso se deve a constante ameaça à liberdade de imprensa.

Imprensa ameaçada na América Latina

O jornal mais antigo da Venezuela, o El Impulso, vai parar de circular devido a falta de papel. O problema, que parece simples, já vem acontecendo há dois anos. O jornal, inclusive, recebeu papel emprestado de jornais colombianos e mesmo assim foi forçado a fechar as portas alguns dias após o surgimento de um novo jornal, do governista Partido Socialista Unido da Venezuela.
A falta de incentivo e apoio do governo, além da falta de papel, já fizeram com que sete jornais regionais da Venezuela suspendessem a publicação, e o problema ainda compromete outros 15 jornais de terem que fazer a mesma coisa.
Outro fator que contribui para o fechamento de jornais é o crime organizado. Os criminosos sabem do papel dos jornalistas e das denúncias feitas por eles, que interferem nos interesses das facções. Com isso, profissionais da imprensa já foram assassinados em Honduras. Só neste país, 29 jornalistas foram assassinados desde o golpe contra Manuel Zelaya, que ocupou a presidência de Honduras de 2006 a 2009. E dos 29 crimes, todos permanecem impunes.
O direito à informação e a publicação de notícias por parte dos jornalistas estão longe de obterem padrões éticos nos países latinos.  As informações divulgadas precisam priorizar os interesses autoritários dos governistas.

Opiniões sobre o impresso

Nadja Lopes Cardoso, de 53 anos: Nadja relatou que nunca lê o jornal pelo celular mas já está acostumada a ler tanto no papel quanto na internet. Segundo a comissária, o jornal de papel é uma questão de hábito e por isso concilia com a leitura pelo computador.  
Debora Cardoso: A estudante de 20 anos só lê jornal na internet e principalmente no celular. A jovem acredita que a plataforma móvel traz muita praticidade para o dia a dia, diferentemente do jornal impresso.
Jaír Nóbrega Cardoso, de 77 anos: O aposentado diz que não sabe e nem quer usar o computador e por isso, só lê o jornal de papel. Segundo ele, a assinatura e o hábito de ler jornal sempre estiveram presentes.
Aluízio Alves, 70 anos: O professor do Departamento de Comunicação da PUC-Rio acredita que é importante levar em conta as mudanças que os jornais impressos estão passando para se adaptar à mídia digital.
Suely Caldas, 66 anos: Segundo a professora da PUC-Rio,
 o jornal está buscando um caminho para se diferenciar dos produtos da internet. Para ela, os jornais estão oferecendo um produto de maior qualidade.




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