O destino do jornal e
a concorrência com a internet
Juliana Curty
“O jornal impresso vai virar artigo de
luxo.” Com essas palavras, Carlos Nobre, professor e ex-jornalista do Jornal do Brasil revelou sua previsão
para o futuro do jornalismo impresso no Brasil. Segundo ele, o impresso vai ter
apenas uma edição durante a semana para leitores que querem análises mais
profundas daquilo que já viram na internet. O jornal já teve um lugar de
destaque na casa dos leitores, mas hoje não traz mais o novo para uma geração
conectada a todo o momento. Com o avanço da internet, o mundo da comunicação se
transformou e novas formas de informar começaram a aparecer. Existem previsões
que mostram que a geração do século XXI não vai fazer a ligação da notícia com
o jornal impresso, elas vão buscar os meios digitais como fonte de informação.
Jornais de tradição fecharam suas portas
pelo Brasil e pelo mundo. Com a velocidade da internet e o baixo custo de
produção, a indústria impressa está tendo que criar mecanismos de adaptação no
mercado. O Jornal do Brasil,
inaugurado no século XIX, não resistiu às crises financeiras fechando suas
portas em 2010. Pioneiro na era digital, o JB
foi o primeiro jornal brasileiro a ter uma versão na internet. Desde o seu
fechamento, jornal só possui a sua edição online. Casos como esse têm aumentado
nos últimos anos e indicam que o jornal, como conhecemos tradicionalmente, pode
ter os seus dias contados. Talvez não passe de previsões alarmistas. Se
voltarmos no tempo, podemos ver que o advento de novas tecnologias não eliminou
as tradicionais, a televisão não acabou com rádio e se a história se repetir a
web não vai acabar com o jornal impresso. Os jornais brasileiros já estão
criando novas formas de atrair os leitores, seja com uma coleção de artigos
para casa ou pelo seu conteúdo aprofundado.
Devemos observar alguns fatores
importantes que estão levando a crise dos jornais impressos. Um deles é o
econômico, a impressão do papel do jornal é cara e o outro é a concorrência com
a internet e com outros tipos de mídia, como a televisão. No site de alguns
jornais só é possível acessar publicações específicas com assinatura da versão
online. O jornal O Globo, por
exemplo, tem a sua versão digital e um conteúdo exclusivo para os assinantes. A
plataforma digital não é totalmente gratuita, existe a cobrança para a leitura e
a possibilidade de acesso nos dispositivos móveis. O número de assinaturas para
celular e a leitura pela internet também aumentou nos últimos anos, atraindo os
leitores que não buscam mais o impresso.
Apesar
das previsões pessimistas, o jornal impresso tem crescido nos últimos anos no
Brasil, segundo dados do Instituto Verificador de Circulação, o IVC, que faz a
auditoria da circulação de jornais e revistas no Brasil. Os jornais pagos
cresceram 1,8% em relação ao ano de 2011. O jornal mineiro Super Notícia assumiu a liderança com a maior média de circulação,
em seguida vem a Folha de S.Paulo e O Globo.
A nova linguagem do jornalismo
O jornalismo virtual começou com o Jornal do Brasil em 1995, até então, os
veículos impressos não tinham a versão online. Na época, ainda era uma
experimentação, a tecnologia ainda estava se desenvolvendo e ninguém sabia qual
o tipo de linguagem ia ser empregada no online. Segundo Carlos Nobre que foi
jornalista do JB nos seus áureos
tempos, a tendência era usar a mesma linguagem do impresso no online. A noção
de texto, a forma e o espaço não tinham um padrão. Em 1996, a Folha de S.Paulo, também lançou a sua
versão online, com um caminho bem definido já que as tecnologias avançavam cada
vez mais. Hoje em dia todos os principais jornais apresentam a versão online
com conteúdo diferenciado e interativo.
O
computador passou a ser a fonte das transformações do comportamento humano do
século XXI. A internet facilitou uma quebra das fronteiras e das distâncias. Os
jornais deixaram de ser só o impresso e estão se tornando, cada vez mais,
multiplataforma. Os leitores ficam sabendo da notícia de maneira muito rápida,
pela internet.
O jornalismo digital tem que produzir um
conteúdo adequado para a internet 2.0, que é um conceito da web como
plataforma. Ítalo Calvino, escritor italiano do século passado, mostrou as
características que seriam apenas da literatura, mas que agora se aplicam para
o universo digital. Em seu livro, “Seis propostas para o próximo milênio”, as
características são a leveza, a rapidez, a exatidão, a visibilidade, a
multiplicidade e a consistência, ou seja, os elementos que são buscados hoje
quando os jornalistas vão produzir um conteúdo para a internet.
Internet: a
favorita
1.
“Apesar da
grande quantidade de notícias disponíveis na internet, o jornal impresso ainda
tem o seu valor pela profundidade das notícias.”
Carmen
Lúcia Ferreira Silva, administradora, 54 anos – Vista Alegre/RJ
2.
“Nunca tive a
rotina de ler jornais impressos, mas o jornal não vai acabar porque ainda é um
hábito, mesmo que para um número menor de pessoas.”
Daniele
Bento de Souza, estudante, 22 anos – Bonsucesso/RJ
3.
“Prefiro a
leitura no papel ao invés da internet porque prende mais a atenção, mesmo assim
me informo primeiro pelos sites”.
Rafael Lopes dos Santos, estudante, 19 anos,
Nova Cidade/ Nilópolis
4.
“O jornal hoje
não tem uma liberdade editorial que tinha no passado, os repórteres hoje em dia
são meros coletores de fatos.”
Paulo Roberto
Cassar, administrador, 56 anos – Barra da Tijuca/RJ
Nenhum comentário:
Postar um comentário