quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O fim do papel e a preferência pelo digital


    Como a Internet influencia nos conhecimentos gerais da 
população e a extinção do impresso em consequência disso
                                                                                                        
                                                                Daniele Diniz
   
     Quem nunca ouviu a frase “O jornal impresso está com os dias contados?” Ou até mesmo “O papel está próximo do seu fim?” Esses são questionamentos que dividem opiniões. Existem os que acham que a Internet substituirá grandes jornais como O Globo, a Folha de São Paulo. Há os que acham que levará um tempo para o jornal ser extinto e os que afirmam que as vendas cairão, mas nunca irá sair de circulação. Mas será que há uma resposta certa para isso? Não podemos negar que o jornalismo está passando por uma reestruturação. Com o mundo tecnológico em que vivemos hoje, a geração denominada Millennials, pelos historiadores Neil Howe e William Strauss, consome muito conhecimento a todo instante.
     Os jovens que pertencem a esse grupo nasceram entre 1980 a 2000. Já engajados em uma sociedade com um bombardeio de notícias, eles aprenderam desde cedo que a informação é a palavra que impulsiona as suas vidas. A tecnologia é a sua grande aliada. Eles estão sempre querendo conhecer mais, saber mais sobre o que acontece. São pessoas agitadas e ativas. Além disso, é uma geração mais comunicativa e presente nas redes sociais. Os jornais, a TV e, principalmente a Internet são os veículos de comunicação que mais os influenciam. É possível vermos a cada ano que passa o número de blogs e sites pessoais aumentando. São pessoas querendo expressar suas ideias, vontades, desejos e suas maneiras de viver a vida. Por já nascerem no mundo digital e sofrerem influência diariamente com esse meio, é um grande fator que impulsiona os jornais impressos a se reformularem.
     A correria do dia a dia faz com que uma grande da população opte saber as notícias pela Internet. Seja pelo celular, por tablets, por laptop. Isso acontece porque muitas pessoas levam tempo se deslocando de casa para o trabalho. Assim, acham que o jornal impresso seria desconfortável e desajeitado para ler nos ônibus e carros. Não podemos deixar de observar que muitos jornais estão fechando. Tanto no nosso país como em outros. Exemplo disso é o Jornal do Brasil. Fundado em 1891, por Rodolfo de Souza Dantas e Joaquim Nabuco, o periódico saiu de circulação em 2010. Apesar de ter sido um grande e conceituado veículo de comunicação, a crise administrativa e financeira fez com que o jornal se mantenha apenas na versão on-line. É assim que o jornalismo acompanha os passos da sociedade: se reformulando e reorganizando.
     Um estudo feito em 2013 pela consultoria americana Future Exploration Network, mostra que os jornais impressos irão desaparecer daqui a 13 anos. Essa crise teoricamente começaria nos Estados Unidos ainda em 2017 e terminaria na Argentina em 2039. Para os pesquisadores, dentro desse tempo não haverá mais a Folha de São Paulo, O Globo e o Estadão. Na Internet isso não irá acontecer. Não temos como nos desvincular da era tecnológica. A tecnologia afetou os paradigmas jornalísticos e continuará afetando. Só devemos saber filtrar as informações para não acreditarmos em tudo o que é publicado. O digital hoje está inserido a todo instante na vida de grande parte da população. Mas o final dessa história só saberemos com o tempo.

                                            Redes sociais como escolha de jovens
    
      Para muitos, a leitura das notícias pela Internet é mais prática. Hoje em dia, as redes sociais dão muito espaço aos sites de jornais. Em pouco tempo, os acessos as páginas dos principais tabloides brasileiros dispararam de acordo com dados do Ibope Netview. Os usuários podem seguir várias páginas de jornais e assim se mantêm informados a todo instante.
     Uma pesquisa feita pelo Datafolha no ano passado, sobre os costumes de informação na internet mostra que 46% da população paulista que possuem conta na rede social, dois terços compartilham conteúdos. Isso é equivalente a 3 de cada 10 habitantes da cidade. O número é grande e por isso deve ser tomada uma cautela. Até que ponto as notícias publicadas são realmente verídicas? Um dos fatores que fazem muitos leitores do impresso continuarem fiéis a sua leitura é a credibilidade do jornal. Com notícias dadas a todo instante, na Internet nem sempre a checagem é feita. Há também aqueles que aumentam os fatos e desvirtuam o acontecimento para outro caminho. Quando há grandes acontecimentos, essas postagens triplicam e isso faz com que atinja muitos leitores ao mesmo tempo.
     Sem dúvida, a maioria das pessoas prefere ler os acontecimentos em sites que confiam, que passam credibilidade. Mas todo cuidado é pouco. O que pode ser uma pequena nota vira uma grande repercussão nas redes. A Internet veio para ajudar em muitos fatores, mas não deixa de ter os seus pontos negativos. Por isso devemos sempre verificar informações que passamos para outras pessoas.


             Visões sobre o Impresso

Para a jornalista Luana Monteiro,  24 anos, moradora da Freguesia o jornal impresso ainda é preferência de muitos. Isso não significa que o papel não passará por diversas crises, além das que passa.
Para a jornalista Natália Albuquerque, 23 anos, moradora da Barra da Tijuca, a maior parte dos jornais está produzindo cada vez mais detalhadamente e próximo ao público no mundo da web.
Para o economista Rubens Vilarinho, 53 anos, morador de Santa Rosa, a leitura do jornal em papel é incômoda. É necessário folhear as páginas que sujam as mãos de tinta, há dificuldade no manuseio, as notícias são lidas somente no dia seguinte e o caderno de classificados demasiadamente extenso.
Para o aposentado Alexandre Valladão, 54 anos, morador de Santa Rosa, o jornal impresso não será extinto por um bom tempo ainda, porque sempre terá uma boa parcela de leitores que tenham preferência pelo papel e há um bom número de assinantes.

Para a vendedora Jéssica Rangel, 26 anos, moradora de São Gonçalo, é muito mais prático você acessar tudo ao mesmo tempo no celular, como seus e-mails, bate-papos, redes sociais, inclusive o jornal.

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