Para
Leonel Aguiar, da PUC-Rio, plataforma digital não vai acabar com o impresso
Renan de Oliveira Rodrigues
Para
Leonel Aguiar, da PUC-Rio, plataforma digital não vai acabar com o impresso
A crescente demanda por
informação em meios digitais – aproximadamente 26% da população brasileira
acessa a internet todos os dias, segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia divulgada
em 2014 – associada às mudanças na sociedade, como a menor disponibilidade de
tempo para a leitura do impresso, implica em transformações que exigem novas
estratégias por parte das empresas detentoras de grandes títulos desse
segmento. O impresso registrou queda na circulação de 1,9% em 2013, segundo o
Instituto Verificador de Circulação (IVC), quando 4,43 milhões de jornais foram
vendidos no país. Embora a internet seja apontada como o mal do segmento
impresso, hoje, é fundamental possuir uma extensão do produto na web, afirma o editor-executivo do jornal
O Globo, Pedro Dória.
Para ele, as mídias digitais
estão cada vez mais presentes no dia a dia do consumidor. O editor de
plataformas digitais do principal jornal carioca acredita na sintonia entre as
duas mídias:
– O jornal impresso e o
digital já são complementares, mas não só eles. O celular, a televisão, o rádio
e as revistas também. Cada veículo oferece um modelo de informação adequado ao
momento do leitor – argumenta Pedro Dória.
Assombrado com previsões
pessimistas sobre o seu fim – o jornal impresso no Brasil vai desaparecer em
2027, segundo uma pesquisa da consultoria americana Future Exploration Network
–, a corrente que acredita na extinção do veículo ainda encontra resistências.
O coordenador do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, Leonel Aguiar, avalia
que a plataforma digital potencializa o jornalismo já consolidado no país por
“sólidas empresas jornalísticas”:
– Do mesmo jeito que o rádio
não acabou com a TV, e essa com o cinema, a plataforma digital não vai acabar
com os jornais impressos. Somente o avanço tecnológico, por si só, não
substitui uma tecnologia mais antiga. É preciso ter fatores culturais
envolvidos nisso para que ocorram mudanças. Eu acho que a plataforma digital
veio potencializar o jornalismo enquanto forma narrativa – avalia o
especialista.
Se, por um lado, acadêmicos
e profissionais do mercado argumentam que as duas plataformas apresentam
funções diferentes com papéis bem específicos, a sociedade, por outro, ainda
passa por transformações que deixa nítido, na maioria dos casos, a falta de
diálogo que cada mídia possui com um possível público-alvo.
Estudante do 5° período de
economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Pedro Henrique
Rodrigues, 20 anos, faz parte da geração que cresceu com a internet e considera
o meio como a sua principal fonte de informação:
– Eu me informo basicamente
pelo G1. Jornal mesmo eu só costumo ler umas duas vezes por semana, após a
rodada do brasileirão, principalmente quando o Vasco ganha. Admito que devesse
ler mais, porém, acho que isso é questão de hábito, que não tenho.
Do lado oposto ao estudante
de economia, Marlene Miranda, 73 anos, representa uma parcela da sociedade que
se acostumou ao meio:
– Leio jornal principalmente
porque não sei usar o computador. As informações estão ali, desde o assunto
mais importante do momento até o horário do filme que eu quero assistir. Eu
consigo entender mais fácil o que está acontecendo no Brasil, em especial na política,
que é um pouco confusa.
Aprofundamento e
contextualização: estratégias do impresso
Enquanto portais noticiosos
na internet apresentam características de veículos como rádio, em que a
informação é passada naquele exato momento sem tempo para a reflexão, o jornal
impresso deve apostar na apuração mais aprofundada, característica típica do
impresso. Esse é o pensamento do professor de jornalismo investigativo da
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Leonel Aguiar. Ele defende
que estas mídias devem assumir papeis mais específicos:
– A plataforma impressa será
voltada ao jornalismo investigativo e à interpretação dos fatos, deixando o
factual para a internet – analisa Aguiar.
Apesar da baixa leitura, os
jornais colhem a confiança conquistada pela longa trajetória com a sociedade
brasileira. De acordo com o Instituto Brasileiro de Opinião e Estatísticas
(Ibope), embora seja pouco lido, o impresso possui confiança por parte de 53%
dos brasileiros, maior inclusive que o rádio e a TV. Estes veículos possuem,
respectivamente, 50% e 49% da confiança da população.
– O jornal impresso passa a
sensação de confiança. A informação do rádio, por exemplo, é volátil. Se você
deixar de ouvir por 10 minutos pode perder uma parte importante que ajude a
entender o todo – afirma o microempresário Mauro Rodrigues.
Esses índices refletem, por
exemplo, na veiculação de publicidade. Segundo a mesma pesquisa do instituto,
as propagandas veiculadas no impresso contam com a confiança de 47% dos usuários.
Os anúncios colocados no rádio e na TV apresentam confiança de 42%, seguida
pela revista impressa, com 36% de credibilidade.
Razões para ler jtonal
Marlene
Miranda, 73 anos – Para
a aposentada, a principal característica do jornal impresso é compilar todas as
informações importantes, da política brasileira ao filme que está passando no
momento.
Igor Novello, 20 anos – O estudante de
jornalismo da PUC-Rio consome, como quase todas as pessoas da idade, informação
em plataformas digitais. Porém, aponta que o impresso é fundamental pela
capacidade de aprofundar os fatos, “especialmente nas edições de fim de
semana”.
Mauro
Rodrigues, 47 anos – O microempresário elege o jornal de papel
como sua principal fonte de informações pela contextualização. Com a rotina
corrida, é difícil estar atento a todos os assuntos. Assim, o impresso oferece
a informação de melhor qualidade.
Bruna
Perrônio, 20 anos – Estudante de engenharia, ela é leitora
principalmente das edições publicadas aos fins de semana. Para ela, o jornal
“reúne tudo que está acontecendo de importante” no Brasil e no mundo, ajudando
na compreensão dos fatos.
Marilza
Flor, 50 anos – Funcionária de RH, ela lê jornal,
especialmente os especializados em economia, por ser fonte de uma matéria-prima
rara: a informação a respeito da vida empresarial, como existe no jornal Valor Econômico.
Nenhum comentário:
Postar um comentário