quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Impresso será focado no jornalismo investigativo



Para Leonel Aguiar, da PUC-Rio, plataforma digital não vai acabar com o impresso


Renan de Oliveira Rodrigues

Para Leonel Aguiar, da PUC-Rio, plataforma digital não vai acabar com o impresso
A crescente demanda por informação em meios digitais – aproximadamente 26% da população brasileira acessa a internet todos os dias, segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia divulgada em 2014 – associada às mudanças na sociedade, como a menor disponibilidade de tempo para a leitura do impresso, implica em transformações que exigem novas estratégias por parte das empresas detentoras de grandes títulos desse segmento. O impresso registrou queda na circulação de 1,9% em 2013, segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC), quando 4,43 milhões de jornais foram vendidos no país. Embora a internet seja apontada como o mal do segmento impresso, hoje, é fundamental possuir uma extensão do produto na web, afirma o editor-executivo do jornal O Globo, Pedro Dória.
Para ele, as mídias digitais estão cada vez mais presentes no dia a dia do consumidor. O editor de plataformas digitais do principal jornal carioca acredita na sintonia entre as duas mídias:
– O jornal impresso e o digital já são complementares, mas não só eles. O celular, a televisão, o rádio e as revistas também. Cada veículo oferece um modelo de informação adequado ao momento do leitor – argumenta Pedro Dória.
Assombrado com previsões pessimistas sobre o seu fim – o jornal impresso no Brasil vai desaparecer em 2027, segundo uma pesquisa da consultoria americana Future Exploration Network –, a corrente que acredita na extinção do veículo ainda encontra resistências. O coordenador do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, Leonel Aguiar, avalia que a plataforma digital potencializa o jornalismo já consolidado no país por “sólidas empresas jornalísticas”:
– Do mesmo jeito que o rádio não acabou com a TV, e essa com o cinema, a plataforma digital não vai acabar com os jornais impressos. Somente o avanço tecnológico, por si só, não substitui uma tecnologia mais antiga. É preciso ter fatores culturais envolvidos nisso para que ocorram mudanças. Eu acho que a plataforma digital veio potencializar o jornalismo enquanto forma narrativa – avalia o especialista.
Se, por um lado, acadêmicos e profissionais do mercado argumentam que as duas plataformas apresentam funções diferentes com papéis bem específicos, a sociedade, por outro, ainda passa por transformações que deixa nítido, na maioria dos casos, a falta de diálogo que cada mídia possui com um possível público-alvo.
Estudante do 5° período de economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Pedro Henrique Rodrigues, 20 anos, faz parte da geração que cresceu com a internet e considera o meio como a sua principal fonte de informação:
– Eu me informo basicamente pelo G1. Jornal mesmo eu só costumo ler umas duas vezes por semana, após a rodada do brasileirão, principalmente quando o Vasco ganha. Admito que devesse ler mais, porém, acho que isso é questão de hábito, que não tenho.
Do lado oposto ao estudante de economia, Marlene Miranda, 73 anos, representa uma parcela da sociedade que se acostumou ao meio:
– Leio jornal principalmente porque não sei usar o computador. As informações estão ali, desde o assunto mais importante do momento até o horário do filme que eu quero assistir. Eu consigo entender mais fácil o que está acontecendo no Brasil, em especial na política, que é um pouco confusa.

Aprofundamento e contextualização: estratégias do impresso


Enquanto portais noticiosos na internet apresentam características de veículos como rádio, em que a informação é passada naquele exato momento sem tempo para a reflexão, o jornal impresso deve apostar na apuração mais aprofundada, característica típica do impresso. Esse é o pensamento do professor de jornalismo investigativo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Leonel Aguiar. Ele defende que estas mídias devem assumir papeis mais específicos:
– A plataforma impressa será voltada ao jornalismo investigativo e à interpretação dos fatos, deixando o factual para a internet – analisa Aguiar.
Apesar da baixa leitura, os jornais colhem a confiança conquistada pela longa trajetória com a sociedade brasileira. De acordo com o Instituto Brasileiro de Opinião e Estatísticas (Ibope), embora seja pouco lido, o impresso possui confiança por parte de 53% dos brasileiros, maior inclusive que o rádio e a TV. Estes veículos possuem, respectivamente, 50% e 49% da confiança da população.
– O jornal impresso passa a sensação de confiança. A informação do rádio, por exemplo, é volátil. Se você deixar de ouvir por 10 minutos pode perder uma parte importante que ajude a entender o todo – afirma o microempresário Mauro Rodrigues.
Esses índices refletem, por exemplo, na veiculação de publicidade. Segundo a mesma pesquisa do instituto, as propagandas veiculadas no impresso contam com a confiança de 47% dos usuários. Os anúncios colocados no rádio e na TV apresentam confiança de 42%, seguida pela revista impressa, com 36% de credibilidade.


Razões para ler jtonal


Marlene Miranda, 73 anos Para a aposentada, a principal característica do jornal impresso é compilar todas as informações importantes, da política brasileira ao filme que está passando no momento.
Igor Novello, 20 anos – O estudante de jornalismo da PUC-Rio consome, como quase todas as pessoas da idade, informação em plataformas digitais. Porém, aponta que o impresso é fundamental pela capacidade de aprofundar os fatos, “especialmente nas edições de fim de semana”.

Mauro Rodrigues, 47 anos – O microempresário elege o jornal de papel como sua principal fonte de informações pela contextualização. Com a rotina corrida, é difícil estar atento a todos os assuntos. Assim, o impresso oferece a informação de melhor qualidade.
Bruna Perrônio, 20 anos – Estudante de engenharia, ela é leitora principalmente das edições publicadas aos fins de semana. Para ela, o jornal “reúne tudo que está acontecendo de importante” no Brasil e no mundo, ajudando na compreensão dos fatos.

Marilza Flor, 50 anos – Funcionária de RH, ela lê jornal, especialmente os especializados em economia, por ser fonte de uma matéria-prima rara: a informação a respeito da vida empresarial, como existe no jornal Valor Econômico.

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